Ancoradouro

Dia de Finados e de Esperança

A cena parece repetir-se, cemitérios lotados, familiares que se reencontram, lápides renovadas, delicadezas materializadas em flores, rosas e arranjos. No entanto, os sentimentos não são reprises, são revividos, renovados, amadurecidos. A saudade permeia o coração que novamente enluta-se, chora, silencia.

A lembrança dos entes queridos que já não se encontram mais no convívio multiplica-se, estas fazem brotar dos olhos marejados, lágrimas esvaídas e perdidas na face como as mesmas lembranças que alternam-se esmaecendo uma sobre as outras.

O dia de finados para muitos parece tocar novamente uma ferida ainda não cicatrizada. Há os que sofrem por não terem tido, sequer, a oportunidade de terem dado o último adeus; alguns se perdem na angústia e num silêncio sepulcral no qual segredam de si para si que poderiam ter amado mais os que partiram, por conta destes sentimentos de culpas atam pesados fardos a suas consciências.

Outros se lembram do longo período de sofrimento, enfermidade e agonia precedentes à páscoa (passagem) de seu parente, amigo ou colega estimado; existe também as pessoas que se entrelaçam em interrogações, questionando o porquê da ida súbita ou prematura de seus queridos.

Lembrar e rezar por nossos mortos ainda nos recorda do dia, não conhecido por nós, em que faremos também esta necessária e definitiva páscoa. Isto nos interpela sobre como temos vivido e amado concretamente o nosso próximo, em que ou em quem depositamos nossa confiança e esperança. A própria vida ensina-nos que o poder, o possuir e o prazer, por eles mesmos, não conseguem preencher o vazio que constatamos existir em nosso interior, este reclama uma realidade maior para preenchê-lo e aspira coisas eternas, que não passam.

 Diante do cenário de saudade, dor, tristeza e quem sabe desolação possa resplandecer os raios claríssimos da esperança que aponta para uma realidade que vai além da morte. Ascende esplendorosa uma palavra mais forte do que a morte: Ressurreição, que altaneira indaga ‘Morte, onde está a tua vitória?’. Acreditemos que a morte, não é o fim, mas meio de nossa necessária e definitiva páscoa.

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