Ancoradouro

Cearense que Mora no Chile Conta Como foi o Terremoto

Quando acontece alguma catástrofe natural todos podemos acompanhar pelos meios de comunicação a repercussão do acontecimento. No entanto, passados alguns dias outras tragédias tomam o lugar e assim funciona a dinâmica,  um pouco impiedosa, da circulação da notícia em nossos dias.

O  Chile foi palco de uma das tragédias naturais desse ano. Terremotos fizeram ruir casas e pegaram de surpresa os habitantes do país. A Comunidade Católica Shalom possui uma casa missionária em Montevideu e todos estão empenhados no trabalho com as vítimas da catástrofe.

O ANCORADOURO conversou com Lara Pernambuco, jovem missionária de Fortaleza que reside no Chile há mais de um ano. Um mês depois do abalo sísmico de 8,8 na escala richter, a consagrada conta como foi o dia a tragédia e os trabalhos feitos em favor das vítimas.

ANCORADOURO – Como foi no dia do terremoto?
Lara Pernambuco – Era 3h20 da madrugada e estávamos dormindo. Fomos todos acordados com o barulho do grande tremor dea terra. As coisas começaram a cair e a casa  a balançar muito.Fomos percebendo que não era um simples tremor de terra (que aqui é comun), mas um grande terremoto. Ele durou mais ou menos 3 minutos.  

ANCORADOURO – o que aconteceu imediato à tragédia?
Lara Pernambuco – Logo após descemos todos e ficamos acordados esperando o dia amanhecer, pois estávamos muito assutados e ainda teve muitos pequenos tremores. Eu e Francis (outro missionário brasileiro no Chile) fomos atrás de algun lugar onde pudéssemos  comunicar a nossas famílias que estávamos bem. Encontramos um hotel e de lá falamos com nossa família e com a comunidade (Shalom, que mantém uma central de assistência aos missionários que envia em missão).

ANCORADOURO – Quantas vítimas ao todo?
 Lara Pernambuco – Quase 800 mortos.

ANCORADOURO – Qual foi a atitude da Igreja e da Comunidade Shalom para  ajudar a população?

Lara Pernambuco – A Igreja foi uma das primeiras instituições a se voltar para o povo. No sul, muitos jovens que nao iam a igreja passaram a ir depois do terremoto, pois a igreja foi aquela que ajudou a retirar vítimas dos escombros, deu comida, ajudou as pessoas  quando elas ficaram sem nada.

A Comunidade Shalom esteve ajudando o município fornecendo informacões de danos nas casas e também fazendo viagens ao sul do chile para ajudar, rezar e escutar o povo. Fizemos um retiro e fomos evangelizar de casa em casa. Nos unimos ao Teleton, campanha nacional de arrecadação de recursos e também ajudamos na animacão de uma vigília de uma paróquia que estava recebendo doacões. 

ANCORADOURO –  Você comprovou, então, que a vida missionária comporta riscos?
Lara Pernambuco – Tudo na vida comporta risco. Tanto nós missionários como os chilenos de todo o país corremos riscos. 

A entrevista foi feita anterior ao abalo de 6,4 na escala acontecido no último dia 3 de maio.

Recomendado para você