Ancoradouro

Mensagem do Papa contempla as Redes Sociais

O magistério de Bento XVI contempla e acompanha a mudança cultural trazida pelos novos veículos e plataformas de comunicação sendo a de mais importância, a internet. Nesta última segunda-feira, dia 24, por ocasião do dia de São Francisco de Sales padroeiro dos jornalistas foi divulgada a mensagem para o 45º Dia Mundial das Comunicações Sociais. Nesta edição com o tema, “Verdade, anúncio e autenticidade de vida, na era digital”.

O santo padre inicia a mensagem comparando as inovações do mundo digital com a revolução industrial que foi um marco para a humanidade. “Tal como a revolução industrial produziu uma mudança profunda na sociedade através das novidades inseridas no ciclo de produção e na vida dos trabalhadores, também hoje a profunda transformação operada no campo das comunicações guia o fluxo de grandes mudanças culturais e sociais”.

A visão do pontífice sobre o assunto é clara, não estamos apenas diante de mais um fenômeno de comunicação, testemunhamos uma mudança fundamental no modo de comunicar-se. “As novas tecnologias estão a mudar não só o modo de comunicar, mas a própria comunicação em si mesma, podendo-se afirmar que estamos perante uma ampla transformação cultural”.

Entretanto, Sua santidade em sua mensagem não paga de pós-modernista ou se aventura na escrita porquanto o mundo vive um modismo. Reconhece que assim como em todos os frutos do engenho humano as novas tecnologias devem ser colocadas em prol do serviço comum. Ainda indica um passo fundamental em seu manuseio, “Usadas sabiamente, podem contribuir para satisfazer o desejo de sentido, verdade e unidade que permanece a aspiração mais profunda do ser humano”.

Com estes novos meios, transmissor e receptor – da comunicação – são relativizados. Por um lado a comunicação de informação torna-se partilha por outro corre o risco de “comunicar só algumas partes do próprio mundo interior, o risco de cair numa espécie de construção da auto-imagem que pode favorecer o narcisismo”, alerta.

No prosseguimento do texto Bento XVI foca sobre a presença dos jovens nas redes de relacionamentos mais conhecidas como redes sociais. Este envolvimento “leva a estabelecer novas formas de relação interpessoal, influi sobre a percepção de si próprio e por conseguinte, inevitavelmente, coloca a questão não só da justeza do próprio agir, mas também da autenticidade do próprio ser”. Em suma, o desafio de estar neste meio é permanecer autêntico, evitar a construção artificial de um perfil, ou como se chama no internetês, perfis fakes, ou falsos.

O risco maior da era digital é o absorvimento do usuário num mundo “diferente” do real. A virtualidade que não é sinônimo em si de irrealidade, desperta algumas questões. Contudo, o mais importante Bento XVI assinala, “É importante nunca esquecer que o contacto virtual não pode nem deve substituir o contacto humano direto com as pessoas, em todos os níveis da nossa vida”.

Na nova plataforma o papa identifica a partilha de informações entre os usuários como um aceno ao Evangelho, pois quem compartilha informações, ideais e buscas, partilha um pouco de si mesmo. Uma dica preciosa dar o santo padre no que diz respeito à evangelização neste meio: “Comunicar o Evangelho através dos novos midia significa não só inserir conteúdos declaradamente religiosos nas plataformas dos diversos meios, mas também testemunhar com coerência, no próprio perfil digital e no modo de comunicar, escolhas, preferências, juízos que sejam profundamente coerentes com o Evangelho, mesmo quando não se fala explicitamente dele”.

De um modo magistral, bem peculiar ao autor da mensagem, o texto ensina que o valor do Evangelho ultrapassa a própria lógica utilizada na Web. Nesta Rede de comunicação algo tem seu valor medido pela “popularidade” ou quantidade de atenção dispensada ao conteúdo. Com o Evangelho não é assim, seu valor é intrínseco em si mesmo, não depende de anuência exterior para posicionar-se como verdade.

O Evangelho não deve ser mitigado ou fracionado para agradar a uns e outros na Rede. Ele precisa ser apresentado em sua integralidade. O Evangelho também foge à lógica do fugaz na internet, sua ação é perene e ultrapassa a apreciação superficial. O Evangelho “deve tornar-se alimento quotidiano e não atração de um momento”, ensina.

Em um dos trechos mais importantes da mensagem conclama o santo padre, “quero convidar os cristãos a unirem-se confiadamente e com criatividade consciente e responsável na rede de relações que a era digital tornou possível; e não simplesmente para satisfazer o desejo de estar presente, mas porque esta rede tornou-se parte integrante da vida humana”. Vale ler com atenção e ouvido de discípulo a palavra do Vigário de Cristo, “A web está a contribuir para o desenvolvimento de formas novas e mais complexas de consciência intelectual e espiritual, de certeza compartilhada. Somos chamados a anunciar, neste campo também, a nossa fé: que Cristo é Deus, o Salvador do homem e da história, Aquele em quem todas as coisas alcançam a sua perfeição (cf. Ef 1, 10). A proclamação do Evangelho requer uma forma respeitosa e discreta de comunicação, que estimula o coração e move a consciência; uma forma que recorda o estilo de Jesus ressuscitado quando Se fez companheiro no caminho dos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-35), que foram gradualmente conduzidos à compreensão do mistério mediante a sua companhia, o diálogo com eles, o fazer vir ao de cima com delicadeza o que havia no coração deles”.

Crsito constitui a resposta ao anseio de sentido que o homem busca nas comunicações. Segundo a mensagem a presença do crente nestas redes sociais torna-se um precioso auxílio. Evita-se que as pessoas sejam tratadas como categorias,  que sejam manipuladas afetivamente e tornem-se produto na mão de monopolizadores de opinião.

Na mensagem do ano passado Bento XVI utilizou o termo continente digital para designar a cibercultura, nesta cunha o termo areópago digital e convida aos jovens a fazerem bom uso desta ferramenta. Reforça o convite para a Jornada Mundial da Juventude, “cuja preparação muito deve às vantagens das novas tecnologias”. Aos profissionais da comunicação pede por intercessão de Francisco de Sales as bênçãos de desempenharem o papel “com grande consciência e escrupulosa profissionalidade”, finaliza a mensagem.

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