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Campanha da Fraternidade] Por que não mudar de data?

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Recebi um e-mail que deu voz a uma inquietação surda que a cada ano se remexia dentro de mim no peródo da Quaresma.  De antemão esclareço que este pôst representa a minha opinião sobre o assunto e, apenas, isso. Um pouco de questionamento não faz mal a ninguém.

O tal e-mail a que me referi no páragrafo acima situa a Quaresma como o período de preparação para o tempo máximo da vida cristã, a Páscoa de Nosso Senhor. Deve-se privilegiar de um modo particular as práticas penitenciais como o jejum e a esmola além de  uma atenção especial “aos exercícios espirituais,às liturgias penitenciais, às peregrinações em sinal de penitência, às privações voluntárias como o jejum e a esmola, à partilha fraterna” (Catecismo da Igreja Católica, 1997, n. 1438).”

A palavra de ordem na quaresma é conversão, aqui em seu sentido real, a de  mudança de valores, de mentalidade. Contudo, como afirma o autor da mensagem eletrônica, trata-se de um processo lento, não linear. Portanto associar a Campanha da Fraternidade que tem um vies de engajamento, mudança social com o período quaresmal torna-se infrutífero e até mesmo confuso. É difícil acontecer tudo ao mesmo tempo no coração do crente, o convencimento do pecado, o arrependimento e as novas posturas iluminadas pelo Evangelho.

Por primeiro devemos nos acercar de uma busca pela conversão pessoal, premissa fundamental na construção de uma sociedade mais justa e fraterna. O fiel, no tempo quaresmal pode se perder na “luta” da Campanha da Fraternidade e se esquecer do que de fato é o mais importante: a mudança – conversão – interior e pessoal. Esta, aliás, intransferível.

Como os temas da CF são sempre atuais e de relevância são de conhecimento público. Logo, passar os quarenta dias batendo na mesma tecla satura o ouvinte da Palavra que pode está buscando luzes e direção para uma mudança de mentalidade. Em nossas igrejas os discursos precisam voltar à simplicidade, àquela do Evangelho, mesmo. Luta, engajamento social, informação sobre informação…por isso tudo somos bombardeados continuamente. Tal fator ainda pode ser um agravante na ineficácia para um bom resultado de uma CF, por exemplo.

Já pensou nos quarenta dias da quaresma refletindo sobre seus temas próprios, depois nos cinquenta próprios da Páscoa? O fiel passa pela experiência da morte e ressurreição, torna-se apto a contruir algo concreto nesta sociedade, pode dar uma resposta plausível e fundamenta no mais genuíno esteio da fé e conduta cristã. Neste cenário é que a  Campanha da Fraternidade poderia dar os frutos a que se propõe.

Aqui reproduzo o que diz o autor inspirador destas linhas:

“PROPONHO, PORTANTO, QUE A PARTIR DE 2013 (50o ano da Sacrosanctum Concilium) A IGREJA NO BRASIL TRANSFIRA A CAMPANHA DA FRATERNIDADE PARA O MÊS APÓS A SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE, IMEDIATAMENTE APÓS A MESMA. Nestes tempos em que o Sucessor de Pedro insiste sobre a necessidade de uma “nova evangelização”, dado o esfriamento da fé católica em muitos e o seu abandono crescente, somos convocados a rever as nossas praxes pastorais a fim de não perdermos nenhuma ocasião para formarmos autênticos cristãos, transformados pela Palavra, pelos Sacramentos, pela Graça e pela Misericórdia divinas – e com isso capazes de se tornarem promotores do bem no mundo e na sociedade. Assim sendo, proponho que para o Tempo da Quaresma a CNBB elabore subsídios que favoreçam um autêntico encontro com a miseri´cordia de Cristo, o Bom Pastor, no estilo de Exercícios Quaresmais, Retiros Populares ou afins, deixando subsídios de reflexão social para o tempo pós-pascal, como indicado”.

Eu também sou da opinião que a transferência da CF para o período pós-páscoa seria o melhor, colheria os frutos da penitência dos fieis, percorreria uma linha mais evangélica e assim seria um sinal mais forte na sociedade, teria um apelo mais contundente.

O autor  a que me referi neste pôst é o pe. Jonas Eduardo G C Silva, MIC,Vigário paroquial Santuário da Divina Misericórdia.Curitiba PR. Mestre em Teologia Dogmática

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