Ancoradouro

Continente digital, terra de missão

[artigo publicado domingo,23, na editoria Espiritualidade do Jornal O Povo] Há dois anos escrevi um artigo, inclusive publicado nesta editoria, que fazia uma série de questionamentos sobre a presença da Igreja Católica nas redes sociais e de compartilhamento. Assim começava o texto: “Você segue seu pároco no Twitter? É visitante assíduo da página do Facebook de sua pastoral? E sua doação online às vítimas do Haiti no site de sua paróquia ou comunidade, foi bem sucedida? O que achou da galeria de fotos dos sacramentos celebrados no último mês? E as mensagens do sacerdote e leigos em podcast foram aprovadas? Ah, você leu o complemento da reportagem especial sobre o tema ‘ataque às famílias’, destaque da última edição da revista paroquial? Encontrou a lista dos políticos fichas sujas desta eleição ou assinou o documento contra o aborto ou ainda tomou nota da programação do próximo mês de sua realidade eclesial, online? Recebeu um SMS lhe parabenizando por seu natalício?

Os vídeos colocados no canal do Youtube com a história das crianças assistidas pelos programas sociais de sua igreja estão bem acessados? Tirou suas dúvidas sobre doutrina no Formspring.me dos formadores? E as crianças, se divertiram com os jogos bíblicos de colorir do site? Conseguiu baixar a bíblia e a liturgia das horas no notebook? Enfim, já estão adicionados nos favoritos todas essas ferramentas de sua paróquia, comunidade ou movimento eclesial?

O tempo passou e a presença da instituição não logrou muito êxito, o que é lamentável. O Vaticano e o Papa Bento XVI são entusiastas das novas tecnologias. Basta lembrar a presença da Sé romana na Internet: é ampla, acontece com profissionalismo e estratégia. Nas mensagens por ocasião ao Dia Mundial das Comunicações, o santo Padre conclama de modo contundente aos fieis, especialmente os jovens, a se fazerem presentes no ciberespaço que em 2009 para o qual cunhou em 2009 o termo “continente digital”.

Bento XVI não é um aventureiro ao conclamar a entrada de seu rebanho nesta ágora digital. Antes, tem por objetivo o mesmo que norteou a Igreja Católica nestes dois mil anos: anunciar com ousadia e plena convicção o mesmo e único Evangelho de Cristo Jesus.

O próprio Papa já “tuitou”, seus discursos podem ser lidos em diversas línguas, suas mensagens assistidas pelos canais de compartilhamento de vídeo. Câmeras instaladas em locais como a Praça de São Pedro e o túmulo de João Paulo II permitem ao internauta acompanhar em tempo real o que por lá acontece. Evento de relevância são transmitidos online através de WebTV e durante a Jornada Mundial da Juventude até mensagens via SMS são enviadas pelo pontífice romano aos participantes.

É urgente a entrada eficiente dos diversos organismos eclesiais no ciberespaço. Isto já o faz com certa destreza a CNBB, o Setor Nacional da Juventude que tem à frente PE. Sávio, e a organização da Jornada Mundial da Juventude do RIO 2013. Estamos aquém de nosso potencial e chamado.

Neste mês de outubro, dedicado às missões, o imperativo de Cristo de irmos aos confins da Terra também indica que o Continente Digital é terra de missão. As pessoas que por lá se encontram tem o direito de ouvir o anúncio sobre o Cristo real, único capaz de preencher o vazio existencial do coração humano.

Um plano pastoral que não considere uma estratégia para estes meios já está fadado ao fracasso. É preciso perder o medo, investir nas novas tecnologias, confiar aos jovens a missão de levar à frente este ministério e inserir na prática pastoral a inclusão dos analfabetos digitais.

Imagino São Paulo nos dias de hoje com perfil no Twitter falando sobre as mensagens de Cristo, postando foto das comunidades no Flickr e formando uma rede de amigos no Facebook. Claro, suas cartas seriam publicadas num blog.

O ensinamento foi deixado pelo Apóstolo, cabe aos evangelizadores deste século utilizarem os meios eficazes de comunicação para o anúncio da Boa Nova, que não muda, apenas encontra novas linguagens para cumprir sua missão, a de realizar o homem em plenitude.