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Agências de Notícias deturpam mensagem do Papa Bento XVI

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Papa Bento XVI

O Papa Bento XVI na manhã desta terça-feira,10, foi um dos assuntos mais comentados no microblog Twitter. Tudo pela má interpretação das agências de notícias que deturparam trecho da mensagem do Pontífice Romano ao corpo diplomático que reuniu mais de 160 representantes credenciados junto ao Vaticano.

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Além das razões reais da crise econômica que abate o mundo o Papa dirigiu uma palavra especial aos jovens e relembrou sua mensagem por ocasião do Dia Mundial da Paz na qual motivava a educação dos jovens para a justiça e a paz.

Leia a mensagem do Papa Bento XVI na íntegra.

Ao falar sobre a educação dos jovens o Papa Bento XVI citou os locais por excelência onde são transmitidos os valores do evangelho. “Dentre estes, conta-se em primeiro lugar a família”, destacou. E prosseguiu, “ fundada sobre o matrimónio entre um homem e uma mulher”. Isto foi o suficiente para o disparo dos velhos clichês do jornalismo com manchetes do tipo “Papa condena casamento homossexual…”. O Papa nada mais fez além de apresentar a bimilenária opinião da Igreja Católica sobre a instituição matrimônio. Já as agências de notícias – não se sabe por quais motivos – confundem o leitor ao apresentar de modo continuado uma imagem negativa, opressora e inquisidora do Papa Bento XVI, como se este tivesse feito um discurso de ódio aos homossexuais.

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Em seguida em um raciocínio lógico e pertinente apresentou as premissas que justificam a importância do matrimônio constituído por um homem e uma mulher. “Não se trata duma simples convenção social, mas antes da célula fundamental de toda a sociedade” Ao corpo diplomático reunido lembrou: “por conseguinte, as políticas que atentam contra a família ameaçam a dignidade humana e o próprio futuro da humanidade. O quadro familiar é fundamental no percurso educativo e para o próprio desenvolvimento dos indivíduos e dos Estados”, disse.

Quem em sã consciência pode  discordar desta verdade?

O Papa Bento XVI lembrou aos representantes de diversos países a importância de valorizar a família. “consequentemente, são necessárias políticas que o valorizem [refere-se ao quadro familiar] e colaborem para a sua coesão social e diálogo. É na família que a pessoa se abre ao mundo e à vida e, como tive ocasião de lembrar durante a minha viagem à Croácia, ‘a abertura à vida é um sinal da abertura ao futuro'”, afirmou.

Agora veja o que a Agência de Notícias Reuters afirma em seu texto: “O papa Bento 16 disse na segunda-feira que o casamento homossexual é uma das várias ameaças atuais à família tradicional, pondo em xeque “o próprio futuro da humanidade”. Eles pinçaram a oração o próprio futuro da humanidade e anteporam uma dedução fazendo-se passar como palavras do Papa. No original a expressão estava nesta frase:  “Por conseguinte, as políticas que atentam contra a família ameaçam a dignidade humana e o próprio futuro da humanidade”. Neste sentido a mensagem do Papa é ampla. Política contra a família diz respeito a aborto, eutanásia, por exemplo.

Contudo, as deduções sobre a mensagem não são errôneas. Se a humanidade em sua maioria optasse pela relação homossexual seria extinta. Não precisa ter a mente de Koppi para entender logicamente a sentença. O que está em questão é a forma como as Agências de Notícias repassam as informações equivocadas e deturpadas do Papa Bento XVI.

Princípios editoriais de jornalistas [sebosos] sobre a cobertura noticiosa do Papa e da Igreja

Foi divulgado na internet os princípios editoriais que regem alguns jornalistas mal intencionados quando cobrem a Igreja e o Papa. Apesar de ser ficção o manual, parece demais com a realidade. Veja o ponto que diz o que fazer quando  Papa faz um discurso importante:

a) regra de ouro: ignore-o!

b) finja que o Papa não tenha falado, exceto para lamentar o fato de que o Papa não se expressou sobre um determinado assunto;
c) distorça o pensamento do papa quando ele diz algo que não agrada a você ou a seu editor;
d) force alguns conceitos se as frases do Papa possam ser interpretadas a favor de sua ideologia política ou da de seu editor;
e) o “sim” à vida deve tornar-se o “não à pílula do dia seguinte”, o “sim” à família deve tornar-se o “não aos casais de fato e, em particular, aos gays”;
f) se o Papa “repreende” os bispos de um certo país, tome sempre a defesa dos prelados em nome da colegialidade!
g) cite sempre o Concílio e insinue que o Papa quer anular todos os documentos conciliares;
h) entreviste Hans Küng para que recorde mais uma vez ter sido perito conciliar
i) lembre-se sempre de evidenciar que Bento XVI não faz nada e não diz nada que não tenha já dito ou feito o seu predecessor;
j) se o Papa diz algo que vai contra a sua fé política ou a de seu editor, vá correndo para a praça pública e grite: “Ingerência!”;
k) se o Papa, porém, disser algo contra a ideologia do partido que não agrada a você ou a seu editor, postule a advertência papal, o anátema ou a eventual excomunhão. Recorde que o Santo Padre e a Igreja não podem se calar. Cante “Hosanas” quando Bento XVI se exprime como agrada a você e a seu editor;
l) destaque que Bento XVI não é um Papa político mas, se fala de ética, faça com que as pessoas percebem que ele comete grave ingerência nos negócios políticos de um outro país;
m) a tal propósito cita o otto per mille [uma espécie de imposto italiano voluntário destinado às confissões religiosas], omitindo que ele vai para a CEI [conferência dos bispos italianos] e não para o Vaticano.

Leia na íntegra, aqui.