Ancoradouro

Sobre o sexo oral, diz Edir Macedo: " Se não [dói na consciência], é porque não é [pecado]"

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A Universal é uma denominação evangélica fundada pelo autointitulado bispo Edir Macedo. Desde sua fundação, a igreja volta e meia está nos holofotes da mídia por posturas e práticas reprováveis. Desde a década de 80 a denominação reinventa-se para   estancar a saída crescente dos participantes de suas fileiras para outras denominações ou para o ateísmo prático.

Nos inícios, a Universal apostou nos cultos de exorcismo, com entrevistas a pessoas supostamente endemoninhadas durante as madrugadas na televisão. A cena de fieis colocando a mão sobre a cabeça e ao comando do pastor gritar “sai, sai demônio” marcou uma época na denominação. Mas, passou.

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O período seguinte foi dominado pela teoria da prosperidade, um relacionamento com Deus à base do toma-lá-da-cá. As segundas feiras são o dia por excelência no qual os pastores garantem que os participantes mudarão de vida, ficarão ricos com a oração dos 318 homens de Deus. O termo bênção divina é compreendido apenas como acúmulo de bens materiais, uma visão vétero-testamentária que ainda não recebera a luz da revelação divina.

Mas uma nova fase chega à Universal. Os pastores passaram ao papel de conselheiros amorosos, e muitos cultos tomaram-se uma espécie de local para encontrar a pessoa amada. Em propagandas na TV e na rádios os ditos religiosos não se importam de colocar ao fundo músicas românticas seculares. Uma contradição para igreja cujo líder máximo declarou em programa de rádio que os cantores evangélicos em sua grande maioria, 99,99% são possuídos pelo demônio. Ora, se os músicos evangélicos são endemoninhados, na opinião de Macedo, o que dizer dos seculares?

Mas o desastre se dá, de fato, quando os pastores e obreiros passam a aconselhar as pessoas neste campo. Eles só demonstram o quanto a denominação não possui uma ética moral religiosa.

Vamos aos fatos.

Em seu blog Edir Macedo confessou que já utilizou camisinha e isto – em suas palavras  -pasmem – foi um ato de fé. “Ester [sua esposa] fez uso da pílula anticoncepcional durante quase um ano. Mas sentiu-se muito mal e teve de interromper. Como não havia a vasectomia, parti para o sacrifício: comecei a usar camisinha. Por que fiz isto? Porque não reunia condições econômicas para ter filhos. Foi uma questão de fé. Não perguntei a ninguém se era ou não pecado. Simplesmente, usei minha convicção pessoal para decidir o que fazer”, escreveu em seu blog.

Sobre o sexo oral a opinião de Edir Macedo apresenta todo o relativismo moral em que está emergido. “Tudo depende da sua fé. Se a sua consciência dói, é porque é pecado para você. Se não, é porque não é”. Então para o líder, o pecado é algo totalmente subjetivo. Seguindo esta lógica, o sujeito torna-se a medida de todas as coisas e o que venha a ser objetivo perde seu valor. Um absurdo para alguém que se diz religiosa.

A igreja continua a fazendo confusão na cabeça do povo que tem sede de conhecimento e busca a verdade para agradar a Deus da melhor forma. No site da Igreja, o Arca Universal, uma página é destinada a responder as questões “espirituais” dos fieis. Sobre a pergunta feita por uma pessoa se sexo oral era pecado, a resposta da Universal foi a seguinte:

“É pecado caso o orgasmo seja alcançado por meio dessa prática. Isso porque, semelhantemente ao que ocorre no sexo anal – quando o reto recebe uma introdução estranha à sua natureza -, a boca foi feita exclusivamente para falar e receber o alimento.

Isso não impede, no entanto, que, durante o início da relação – mais conhecido como preliminares -, o casal realize a prática como um carinho, para que ambos sejam estimulados a alcançar o ápice. Não faz diferença se for introduzido na boca um órgão genital, um dedo da mão ou do pé, desde que o momento de maior prazer sexual aconteça por meio do método reprodutivo básico dos seres humanos”.

O site Gospel Mais faz uma importante observação sobre a resposta da Universal. “O texto não especifica se essa carícia pode ser feita por casais que ainda não se casaram ou se deve acontecer apenas dentro do casamento”.

Pelo visto a igreja quer atrair as pessoas com um anúncio frouxo do Evangelho, sem ética e moral condizente com o ensinamento de Cristo.

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