Ancoradouro

Pela vida

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O debate sobre o aborto muitas vezes é jogado no gueto de questões meramente religiosas, as quais, num Estado laico, não poderiam ser sustentadas. O centro do debate é a questão da vida. Com o desenvolvimento do ultrassom e da engenharia genética foi possível constatar que a criança no ventre da mulher é um ser vivo, em desenvolvimento, dependente da mãe para sua nutrição, mas totalmente diferenciado dela. Tem a sua própria carga genética, estabelecida já na sua concepção. “Um zigoto é o início de um novo ser humano (isto é, um embrião)” – Keith L. Moore, “O desenvolvimento humano: embriologia clinicamente orientada”.

Um dos argumentos mais usados é que o aborto seria uma questão de saúde pública devido ao alto número de mortes de mulheres por conta de abortos clandestinos. Alegou-se na ONU que 200 mil mulheres morriam anualmente por conta disto, número que contraria dado do próprio governo brasileiro. Segundo o DataSUS, em 2010, 83 mulheres teriam morrido em decorrência de abortos.

Ainda que os números sejam inflados pelos defensores do aborto, certamente deve-se prezar pela saúde de todas as mulheres e as medidas mais apropriadas seriam o fechamento das clínicas clandestinas e o oferecimento de um bom acompanhamento pré-natal. Além disso, todo aborto é fatal para a saúde da criança que está no ventre da mãe, por isso nunca poderia ser encarado como questão de saúde pública.

Outra falácia dos que defendem o aborto é dizer que fará bem à mulher, quando na verdade é devastador para a sua saúde. Em artigo no British Journal of Psychiatry ficou evidenciado que o risco de doenças mentais é 81% maior nas mulheres que realizaram aborto legal em seus países em comparação com as que nunca fizeram. O que melhor pode favorecer a mulher, portanto, são políticas públicas que proporcionem uma boa assistência em sua gestação e em seu parto, preservando a vida de seu bebê e a sua própria vida.

Karla Cruz Montenegro

Acadêmica de Direito e membro do Movimento Brasil Sem Aborto