Ancoradouro

De freguesia à paróquia. Um pouco da história da Igreja do Carmo

/ancoradouro/2013/04/13/de-freguesia-a-paroquia-um-pouco-da-historia-da-igreja-do-carmo/
163 Seja o primeiro a comentar
Pe. Jairo Barbosa, Dom José  Antonio, Pe. Paulo Sérgio

Pe. Jairo Barbosa, Dom José Antonio, Pe. Paulo Sérgio. Foto: Licurgo Junior.

Neste mês de abril a Comunidade Católica Shalom assumiu a paróquia Nossa Senhora do Carmo no Centro de Fortaleza. À frente dos trabalhos está o pároco, Pe. Jairo Barbosa, seu vigário, Pe. Paulo Sérgio e mais sete missionários da Comunidade de Vida. Além dos trabalhos já realizados serão desenvolvidos projetos de evangelização, ainda em discernimentos e estudos.

O blog publica um pouco da história  desta Igreja centenar que além de cartão postal faz parte da história de fé de Fortaleza.

Um pouco de história

No mesmo local onde, hoje, se encontra a Praça do Carmo, pelos idos 1800, existia apenas  um areal com frondosos cajueiros e mangueiras e algumas choupanas  de palha. Entre a Duque de Caxias e rua Pedro I (nomes atuais), havia uma lagoa que era alimentada por um córrego vindo da praça do Ferreira que passava  pela a atual Major Facundo

 

Frente da Igreja. Foto: Wallace Freitas.

Frente da Igreja. Foto: Wallace Freitas.

Neste panorama surgiu a  Capela de Nossa Senhora do Livramento iniciada em 1850 por uma irmandade dos pardos, existente àquela época na freguesia do Patrocínio.

A capela foi construída lentamente por não ter o apoio dos católicos e de alguns sacerdotes sob alegativa de estar num lugar deserto e algumas vezes, reformada.

Em 1870 , foi confiada ao arquiteto português Antonio Francisco da Rosa, o mestre Rosa, como era conhecido, a confecção duma  nova planta com o aumento do frontispício e do corpo da capela.

Com o advento da seca dos três sete(1877,1878,1879) não dispondo a irmandade de meios, apesar da ajuda dos flagelados, os serviços foram diminuindo pouco a pouco e a construção ficou suspensa.

Em 1890 e 1892, a construção esteve ameaçada de destruição completa em virtude de violenta tempestade que rachou as paredes laterais (1890) e de grandes formigueiros que ameaçavam transformá-la em escombros (1892).

Diante desta situação, Dom Joaquim José Vieira, segundo  bispo da Diocese de Fortaleza(1883- 1912), de comum acordo com a

Praça do Carmo (1931). Foto: arquivo blog Fortaleza Nobre

Praça do Carmo (1931). Foto: arquivo blog Fortaleza Nobre

confraria do livramento, àquela época em decadência, resolveu transformá-la em associação de Nossa Senhora do Carmo, devoção já existente na Freguesia do Patrocínio (1890), da qual era vigário Mons. João Dantas Ferreira Lima. Foi acertada, então, a  construção de uma nova igreja sob a invocação de Nossa senhora do Carmo.

Deve-se ao arquiteto suíço Dr. Adolfo Herbster a realização da planta original da futura Igreja do Carmo. A primitiva Igreja só foi concluída em março de 1906. A capela Nossa Senhora do Livramento foi capelania por 42 anos (1850-1892), quando passou a denominar-se Igreja de Nossa Senhora do Carmo (1892  até hoje).

Entre os sacerdotes que exerceram a função de capelães da capela de Nossa Senhora do Livramento destacaram-se dois notáveis que se tornaram bispos , Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, bispo de São Paulo e Dom José Lourenço da Copsta Aguiar, bispo do Amazonas.

A Padroeira

Foto: Nirez

Foto: Nirez

Em 08 de setembro de 1892, sendo papa reinante o sumo pontífice Leão XIII (1879-1903) e bispo da diocese de Fortaleza Dom Joaquim José Vieira (1883-1912), a igreja  então já construída passou a ser chamada Igreja de Nossa senhora do Carmo, mas só foi inaugurada oficialmente em 25 de março de 1906.

O templo dedicado a Nossa Senhora do Carmo ficou temporariamente sem a imagem da padroeira. Importada de Portugal a pedido de Mons. Dantas, ela ficou retida na alfândega. O padre não tinha como pagá-la. O prazo para retira-la esgotou-se e ela foi leiloada. O comerciante José Rosas que a tirou não quis doa-la à Igreja, apesar dos rogos de Mons. Dantas, por considera-la ‘muito bonita e perfeita’. Somente depois de adquirir um paratifo, estando gravemente enfermo prometeu ( à Nossa Senhora do  Carmo) doa-la se ficasse curado, o que conseguiu pediu, então, a sua esposa D. Sara, que procurasse  Mons. Dantas e a entregasse. E consta que ele não morreu do paratifo. Este fato leva os fieis a valorizarem com grande devoção a imagem de Nossa senhora do Carmo ainda hoje existente sobre o altar-mor.

Instalação da Paróquia

Em 21 de abril de 1915, por portaria de Dom Manuel da Silva Gomes, bispo de Fortaleza, foi criada, erigida e instituída a Freguesia de Nossa Senhora do Carmo, desmembrada do curato da Sé e das freguesias de Nossa Senhora do Patrocínio e do Senhor Bom Jesus dos Aflitos, de Parangaba, como consta na ata da instalação. O primeiro pároco foi o Côn. João Alfredo Furtado.

Estrutura original da Igreja 

A estrutura arquitetônica da Igreja é secular. Continua quase como início de sua construção: paredes brancas (exterior), teto de madeira, uma nave central e duas naves laterais. Chama a atenção de quem visita a Igreja o púlpito prateado localizado à direita, na coluna central do templo, trabalho executado pela fundição cearense  – J. Cândido Freire, bem como as varandas metálicas da tribuna, de grande beleza artística. Em épocas passadas muitas pessoas assistiram as cerimônias nestas tribunas.

Diante do altar-mor observa-se, no teto, uma artística tela pintada a óleo (2,46 m x 6,57m) por Raimundo Ramos Filho (1871-1916), conhecido por Raimundo Cotoco por ter um só braço. Esta tela data de 08 de março de 1904 e retrata Nossa Senhora do Carmo tirando as almas do purgatório.

Ao lado direito e esquerdo do altar-mor há um belo sacrário e sobre o mesmo um badalquino dourado com iluminação interna,

Pintura de Raimundo Cotoco. Foto: arquivo Blog Fortaleza em Fotos. Autora: Fátima Garcia.

Pintura de Raimundo Cotoco. Foto: arquivo Blog Fortaleza em Fotos. Autora: Fátima Garcia.

utilizado para a exposição do Santíssimo Sacramento diariamente,inspiração instituída pelo  pároco Pe. João Jorge Corrêa Filho, já que em 15 de junho de 1922 a matriz do Carmo fora escolhida como sede de adoração contínua da arquidiocese, por Dom Manuel da Silva Gomes, primeiro  arcebispo do Ceará.

Logo na entrada, há dois nichos com as imagens de São Pedro e São Paulo, os maiores evangelizadores do cristianismo. E, nas laterais, situam-se uma série de santos doados pelos paroquianos, destacando-se dois nichos com Nossa Senhora das graças e Santa Teresinha, padroeira das missões. Convém citar aqui, a via-sacra esculpida e pintada, em gesso, que se vê na nave central e recorda a Paixão de Jesus Cristo.

Reformas

Do projeto original, o templo sofreu modificações: perdeu dois altares que ladeavam o arco central (de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e de Santo Afonso Maria de Ligório) e a mesa da comunhão em virtude das reformas do concílio Vaticano II.

Os braços laterais que dão uma forma de cruz à Igreja, foram construído posteriormente. Neles estão inseridos dois nichos dedicados à Nossa Senhora de Sião e da Paz e santos como são Tarcísio, padroeiro dos ministros da Eucaristia, santo Expedito, o santo das causas difíceis e são Francisco.

Alguns movimentos e confrarias que fizeram parte da paróquia 

ASSOCIAÇÃO DE ADORAÇÃO CONTÍNUA A JESUS SACRAMENTADO

Foi instalada na matriz do Carmo em 15  de junho de 1922, festa do Corpo de Deus e escolhida como sede de adoração ao Santíssimo. O objetivo principal é ‘adorar Jesus Eucarístico prisioneiro do Amor, implorando ao Pai de misericórdia e bondade, graças e bênçãos pelos pobres pecadores a fim de, contritos e arrependidos, venham tomar parte deste gozo de Jesus, aqui na terra convertida em paraíso’(ad litteram).

CATEQUESE DA PARÓQUIA

A catequese existe na paróquia desde 1924. Era então vigário da Igreja do Carmo Mons. Antônio Tabosa Braga. Havia cinco centros de catequese que foi aumentado gradualmente  até alcançar em 1931, o número de 41 centros com Mons. José de Lima Ferreira.

Em 1962, Mons. Gaspar procurou reativar  a catequese com as seguintes atividades:

–                          Avaliação da catequese; Foi detectado na época falta de catequista pára que houvesse um aumento no número de centros de catequese.

–                          Curso de catequese; Em 15 de fevereiro de 1963, foi realizado um curso de formação para novos catequistas, na casa santa Rosa de Viterbo.

–                          Organização; Formou-se uma equipe, cujo diretor era o Mons. Gaspar, o presidente Mons. Camurça, duas secretárias e duas tesoureiras.

–                          Reuniões; Havia reunião todas segunda sexta-feira de cada mês.

–                          Primeira Eucaristia; Ficou estabelecido que se faria apenas uma comunhão geral por ano.

 

Púlpito. Foto:Foto: arquivo Blog Fortaleza em Fotos. Autora: Fátima Garcia.

Púlpito. Foto:Foto: arquivo Blog Fortaleza em Fotos. Autora: Fátima Garcia.

ASSOCIAÇÃO NOSSA SENHORA DA PAZ

Foi instalada em 1922 pelo Mons. Gumercindo Sampaio. Esta associação funcionava na capela são Benedito, pertencente na época à matriz do Carmo. Aconteceram oito assembléias, retiros, novenas à Nossa Senhora da paz, recitação do Rosário.

CRUZADA EUCARÍSTICA

Foi fundada em abril de 1930 e em 1954 a ‘cruzadinha eucarística’, como era conhecida a associação foi extinta por falta de uma pessoa de responsabilidade para dirigi-la. Retornou as atividades em 1958 quando a Sra. Maria Lourdes assumiu tal missão. As atividades constavam  de reuniões, missas reparadoras, adoração ao Santíssimo em grupo, tríduo ao sagrado Coração de Jesus, páscoa festiva e natal. O padroeiro da cruzada Eucarística era são Tarcísio.

APOSTOLADO DA ORAÇÃO

Foi instalado em 27 de junho de 1930, festa do sagrado Coração de Jesus. As atividades eram reunião mensal, adoração ao Santíssimo, missa e comunhão reparadora, oferecimento diário e visita a associados doentes. O objetivo era viver a espiritualidade do sagrado coração de Jesus através dos sacramentos.

CONGRAGAÇÃO MARIANA DA PARÓQUIA NOSSA SENHORA DO CARMO

Teve início em Roma, no ano de 1563 e a federação Mariana de Fortaleza, foi erigida canonicamente em 16 de agosto de 1930. Possuía ramo masculino e feminino. As atividades eram missa e comunhão geral uma vez por mês, reunião mensal, exame de consciência, passeios para fora da cidade, adoração noturna ao Santíssimo sacramento.

 

Recomendado para você