Ancoradouro

Agnóstico reconhece que Ocidente necessita da Igreja Católica para subsistir

Mario Vargas Ilosa

Mario Vargas Ilosa

Estamos às portas de mais uma Jornada Mundial da Juventude, evento de proporções gigantescas, o maior do planeta. Movimenta milhões de jovens dos cinco continentes durante, no mínimo, o período de cinco dias, período de sua realização. Neste ano o evento acontecerá no Rio de Janeiro, de 23 a 28 de julho. A expectativa dos organizadores é receber 2,5 milhões de pessoas.

O último encontro mundial dos jovens com o Papa aconteceu em Madrid, em agosto de 2011. Foi a maior concentração de pessoas já registrada na história da Europa. Foi uma jornada que teve como tema a fé e conquistou até mesmo quem era crítico ferrenho  da Igreja, como o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura,  Mario Vargas Llosa.

À época o literato assinou um artigo no El Pais, um dos jornais mais importantes da Espanha, onde expôs sua visão sobre o evento que segundo ele mostrou o quanto a Igreja está viva e atuante. De acordo com Llosa ” o êxito da recente Jornada Mundial da Juventude em Madrid fez evidente que ocidente necessita do catolicismo para subsistir”.

Em seu artigo chamado “A festa e a cruzada”, Vargas Llosa, que se declara agnóstico e é um constante crítico – ferrenho – dos ensinos da Igreja, elogiou o espetáculo de Madrid “invadido por centenas de milhares de jovens procedentes dos cinco continentes para assistir à Jornada Mundial da Juventude que presidiu Bento XVI“.

No texto recolhido também em sua edição de hoje pelo jornal vaticano L’Osservatore Romano, Vargas Llosa, nascido no Peru mas de nacionalidade espanhola, afirma que a JMJ foi “uma gigantesca festa de moças e rapazes adolescentes, estudantes, jovens profissionais vindos de todos os lados do mundo a cantar, dançar, rezar e proclamar sua adesão à Igreja Católica e seu ‘vício’ ao Papa”.

As pequenas manifestações de leigos, anarquistas, ateus e católicos insubmissos contra o Papa provocaram incidentes menores, embora alguns grotescos, como o grupo de energúmenos visto jogando camisinhas em umas meninas que… rezavam o terço com os olhos fechados”.

Ativistas LGBT vociferando contra jovens católicos na JMJ Madrid 2011

Ativistas LGBT vociferando contra jovens católicos na JMJ Madrid 2011

Segundo Vargas Llosa existem “duas leituras possíveis deste acontecimento”: uma que vê na JMJ “um festival mais de superfície que de entranha religiosa”; e outra que a interpreta como “a prova de que a Igreja de Cristo mantém sua pujança e sua vitalidade”.

Depois de mencionar as estatísticas que assinalam que apenas 51 por cento de jovens espanhóis se confessam católicos, mas só 12 por cento pratica sua religião, Vargas Llosa diz que “desde meu ponto de vista este paulatino declínio do número de fiéis da Igreja Católica, em vez de ser um sintoma de sua inevitável ruína e extinção é, aliás, fermento da vitalidade e energia que o que fica dela –dezenas de milhões de pessoas– veio mostrando, sobre tudo sob os pontificados de João Paulo II e Bento XVI”.

“Em todo caso, prescindindo do contexto teológico, atendendo unicamente a sua dimensão social e política, a verdade é que, embora

Bento XVI na JMJ Madrid 2011

Bento XVI na JMJ Madrid 2011

perca fiéis e encolha, o catolicismo está hoje em dia mais unido, ativo e beligerante que nos anos em que parecia prestes a rasgar-se e dividir-se pelas lutas ideológicas internas”.

Vargas Llosa se pergunta se isto é bom ou mau para o secularismo ocidental; e responde que “enquanto o Estado seja laico e mantenha sua independência frente a todas as igrejas”, “é bom, porque uma sociedade democrática não pode combater eficazmente os seus inimigos –começando pela corrupção– se suas instituições não estiverem firmemente respaldadas por valores éticos, se uma rica vida espiritual não florescer em seu seio como um antídoto permanente às forças destrutivas”.

“Em nosso tempo”, segue Vargas Llosa, a cultura “não pôde substituir à religião nem poderá fazê-lo, salvo para pequenas minorias, marginais ao grande público”; porque “por mais que tantos muito brilhantes intelectuais tentem nos convencer de que o ateísmo é a única conseqüência lógica e racional do conhecimento e da experiência acumuladas pela história da civilização, a idéia da extinção definitiva seguirá sendo intolerável para o ser humano comum, que seguirá encontrando na fé aquela esperança de uma sobrevivência além da morte à qual nunca pôde renunciar”.

“Crentes e não crentes devemos nos alegrarmos pelo ocorrido em Madrid nestes dias em que Deus parecia existir, o catolicismo ser a religião única e verdadeira, e todos como bons meninos partíamos de mãos dadas ao Santo Padre para o reino dos céus”, conclui.

Imagem aérea da Vigília de Cuatro Vientos (Madrid)

Imagem aérea da Vigília de Cuatro Vientos (Madrid)

 

Fonte: AciPrensa, com grifos do autor.

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