Ancoradouro

Preconceito travestido de humor

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"eu não faço piada com Alá e Maomé, porque não quero morrer!". Fábio Porchat, integrante do Porta dos Fundos.

“eu não faço piada com Alá e Maomé, porque não quero morrer!”. Fábio Porchat, integrante do Porta dos Fundos.

A última investida contra símbolos católicos aconteceu através de um vídeo publicado pelo grupo humorístico Porta dos Fundos, veiculado no Youtube. No programa, o ginecologista descobre uma imagem de Cristo dentro da Vagina da mulher. O título do vídeo é ” Oh, Meu Deus”.

Achincalhar a fé dos cristãos e elementos desse universo tem virado rotina. No mês de julho, durante a Jornada Mundial da Juventude, a Marcha das Vadias, que se diz defender as mulheres e a pauta LGBT, em plena orla de Copacabana, protagonizou uma afronta. Dois membros da manifestação ficaram seminus, cobrindo as partes íntimas com imagens de Jesus e Maria. Acharam pouco. Um cordão de isolamento protegia os manifestantes que vestiram uma camisinha na imagem de Nossa Senhora. Não bastando o descalabro, sentaram na imagem e um outro introduziu o crucifixo no ânus de um homem.

Descrevi a cena, que pode ser visto em vídeos e fotos, para registrar o completo desrespeito aos católicos e à  lei que proíbe a vilipendiação de elementos de culto. Não deu em nada. A Arquidiocese daquela cidade pediu ao coordenador da Diversidade Sexual que a Marcha das Vadias emitisse uma nota se retratando, mas nem isso. Alegaram apenas que os manifestantes fizeram o ato sem anuência da organização da Marcha. Declaração rasteira que facilmente poderia ser desmontada. 

Pena que nenhum cristão entrou com ação civil  no Ministério Público.

Voltando ao vídeo, os defensores da zombaria alegam que é um vídeo humorístico e para eles o humor pode tudo. Balela! Nenhuma instituição, segmento ou corrente em uma sociedade democrática pode se arvorar de onipotente.

Lembremos o que aconteceu com o humorista Rafael Bastos.Em  programa de humor da TV Bandeirantes o apresentador disse uma piada grosseira usando palavras de baixo calão contra a cantora Wanessa Camargo e seu filho, que ainda era um feto. Resultado pela piada infame, o  Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo condenou Rafinha Bastos a pagar R$ 20.000,00 pela ofensa. Sua carreira tomou outro rumo  e o engraçadinho ganhou, com razão, o rótulo de “imaturo” do ex-parceiro de bancada Marcelo Tás.

O humor não pode tudo. 

wanessa

Mas, consideremos que a máxima é verdadeira, que o humor pode tudo aviltar, por que eles se reservam a atirar pedras e escarnecer apenas um grupo. Um dos integrantes do Portas dos Fundos, Fábio Porchat, dá a resposta, “por medo” – covardia, diria.

Em entrevista, o humorista afirma, sobre as piadas  relacionadas à religião, bastante recorrentes no canal: “a gente tem batido em coisas que, na verdade, merecem apanhar” , e complementa, “eu, por exemplo, não faço piada com Alá e Maomé, porque não quero morrer! Não quero que explodam a minha casa só por isso“, afirmou ao jornal Estadão.

Omissão?

Ou seja, bate em cristão, pastor, padre, ridiculariza elementos religiosos porque estes não reagem. Aos cristãos eu pergunto, não reivindicam seus direitos como fez Wanessa Camargo para defender o filho, por uma obediência justificada na Bíblia  ou por omissão? Ou ainda porque não amam suficiente o que professam a ponto de comprometer sua imagem?

Apenas o deputado Marco Feliciano se manifestou publicamente sobre o caso, primeiro pedindo aos internautas que denunciem o vídeo, segundo, acionando a Polícia Federal pedindo que esta  retire o programete do ar.

Enquanto nos calamos, eles continuarão a zombar e tripudiar daquilo que para nós é sagrado e defendido pelo estado laico como insígnias intocáveis. Tudo isso não passa de preconceito travestido de humor.

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