Ancoradouro

As cartas de sofrimento interior da Beata Teresa de Calcutá

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O artigo que segue foi publicado pela primeira vez no Jornal O Povo, em 2007. Na ocasião seria editado  um livro contendo cartas de Madre Teresa, cujo dia celebramos hoje,  que revelavam momentos de crises de fé. 

 

teresaCalcuta4  Tem sido bastante comentadas as  cartas da beata madre Teresa de Calcutá. Será publicado um livro reunindo mais de 40  missivas em cujo conteúdo se pode verificar questionamentos  que assolaram  a vida da missionária nascida em terras Albanesas.

Muitos são os que analisam as interrogações da beata contrapondo-as à vida da religiosa como se fossem realidades opositoras e dialéticas. Ora, sempre fez parte da vida dos santos a luta espiritual entre o homem velho e o homem novo, para utilizar termos Paulinos.

A santidade não é um estágio ou um efeito mágico que permeia o fiel das realidades exteriores e das crises interiores. Ela é forjada justamente neste campo de batalha, no qual a pessoa faz a necessária passagem do egoísmo para a Caridade, da Cruz para a Ressurreição.

Não sentir Deus, aridez espiritual, sentir a “ausência da presença” de Deus são algumas das características daquele que trilha um caminho rumo à santidade, ou seja, em direção à santa e soberana vontade de Deus, garantia única de felicidade plena.

 

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São João da Cruz, místico da Igreja, denomina esta realidade de `noite escura da alma`, que pode durar tempo indeterminado. Santa Teresa de Ávila viveu por mais de 20 anos tal noite. Santa Teresinha do Menino Jesus também passou por etapa espiritual, sustentou a certeza que o seu Sol (Cristo), por entre as nuvens, estava a brilhar.

A noite escura enfrentada longamente por Madre Teresa não desmerece em nada sua vida de santidade. Usando o famoso critério de discernimento de Jesus `pela árvore se conhece os frutos`, pode-se asseverar que esta crise autentica ainda mais sua relação de intimidade com Deus.

A vida de madre Teresa pode ser comparada a uma árvore que teve seus galhos secos e os aparentemente verdes, que não teresaCalcuta2produzem vida, podados, o que lhe possibilitou dar abundantes  frutos para a Igreja e para a humanidade. As crises são inerentes à condição humana, superá-las também.

A beata madre não se deixou paralisar em seus questionamentos, os fez como trampolim para chegar ao que Deus tinha planejado a seu respeito.

A missionária envelhecida nas terras indianas não serviu à Deus impelida por mero sentimentalismo,voluntarismo ou fina capa de boa vontade. Sua experiência de Deus foi real e provada como o ouro que teve que passar  pelo crisol, para que deste modo resplandecesse seu brilho e valor intangível. Suas dores de morte transformaram-se em vida para milhares de pobres e indigentes que foram socorridos por sua Caridade e continuam sendo amparados, pois sua obra continua através da  Congregação Filhas da Caridade.

Quando  Madre ensinava que se precisava “amar, amar, amar até doer” (se o amor não se doa  até doer não é amor) expressava algo que não estava fora de si, mas tratava-se de um transbordamento de sua experiência real que passava pelo seu  amor a Deus e à humanidade na figura dos pobres de Calcutá. Nesta perspectiva seguiu fielmente seu mestre, Cristo,  O Ressuscitado que passou pela cruz.

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Seu testemunho deve tornar-se ainda mais eloquente pois ensina que somos fracos, limitados, dependentes de Deus , mas quando se confia com todas as forças  em seu amor, proezas podem acontecer como ser missionária em terra estrangeira, cuja religião a que pertence é minoria. A grande verdade é que tudo está encerrado no Amor que gera vida onde há dor e morte.

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