Ancoradouro

O Terceiro Templo: pastor evangélico comenta construção do Templo de Salomão

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A pedido do titular do Blog, o pastor evangélico Janio Clever escreveu artigo para o ANCORADOURO, na série Templo de Salomão,  sobre a construção do Templo de Salomão. Há sentido bíblico para a obra? O que moveu o empreendimento? A estas perguntas o texto buscou responder.

O TERCEIRO TEMPLO

Pastor Janio Clever

Pastor Janio Clever

Desde o anúncio do projeto até a sua inauguração no último dia 31 de julho, a construção de uma réplica do Templo de Salomão em terras tupiniquins tem dado o que falar, gerado polêmica e sido motivo de muitas especulações e indagações pertinentes, como, qual a relevância disso dentro do contexto cristão contemporâneo, se há fundamentos bíblico-teológicos para tal empreitada e quais as verdadeiras motivações por trás da mesma.

Bem, creio que para analisarmos a validade da construção do templo judeu nos dias atuais e fora de Israel precisamos examinar a Bíblia Sagrada e compreender porque o verdadeiro templo foi construído, e principalmente, porque ele foi destruído.

No início 

Logo no início da antiga aliança com a nação de Israel, o próprio Deus manifestou o desejo de que sua presença habitasse no meio do povo, para o que ordenou a Moisés a construção do Tabernáculo, (Êxodo 25) uma espécie de templo móvel, adequado ao estilo de vida nômade dos israelitas naquele tempo.

Durante o reinado de Davi, vivendo agora o povo em residências fixas, nasce em seu coração o propósito de construir um templo, mas Deus impede a Davi de fazê-lo em razão do seu histórico de homem de guerra que havia derramado muito sangue (1 Crônicas 28:3). Davi então prepara os materiais para a edificação, o que vem a acontecer por volta do ano 1005 a.C no reinado de seu filho Salomão.

Maquete do Templo de Salomão.

Maquete do Templo de Salomão.

Destruído no ano de 587 a.C., pelo rei babilônico Nabucodonosor, foi reconstruído novamente em 516 a.C sob o comando de Zorobabel para ser destruído outra vez, agora no ano 70 d.C, o que havia sido profetizado pelo próprio Senhor Jesus que ao passar certa vez pelo templo, disse: “Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada”, conforme lemos em Mateus 24.2.

Partindo desse ponto, normalmente surge uma indagação. Porque Deus permitiu que o templo construído para o seu serviço sagrado fosse totalmente e definitivamente destruído? Ora, o mais superficial exame bíblico nesse contexto nos permitirá concluir que foi simplesmente pelo fato do mesmo já ter cumprido seu papel e que agora dentro da nova aliança ele não tinha mais razão de ser, pois os seus principais elementos: o sacerdote e o sacrifício foram consumados definitivamente na pessoa do próprio Cristo no calvário como lemos em Hebreus 9.11-12 que diz: “Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação, não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção”.

Isto fica bastante evidente pelo fato de que quando Cristo expirou na cruz o véu do templo se rasgou de alto a baixo expondo o lugar santíssimo e sinalizando o início de uma nova dispensação, na qual o templo e todos os seus rituais não tinham mais significado algum.

Ainda assim alguns poderão argumentar que se não precisamos mais oferecer sacrifícios, pelo menos ainda precisamos de um lugar especial para adorar a Deus. Mas, desta questão Jesus já tratou quando indagado pela mulher samaritana acerca do melhor lugar para adorar, se no monte ou no templo, ao que ele respondeu não importar onde, mas como, e acrescentou “o Pai procura adoradores que o adore em espírito e em verdade”.

Envelope da Campanha do Templo de Salomão.

Envelope da Campanha do Templo de Salomão.

Não sei ao certo o que leva pessoas que se autodenominam cristãs a investir tão pesado, R$ 630 milhões, numa edificação cujo significado para a igreja hoje é meramente histórico. Turismo religioso, ostentação, suprir o anseio humano por novidades e manter a casa cheia? A Bíblia fala que nos últimos tempos o templo seria reconstruído, não mais pela ordem de Deus, mas do próprio anticristo que restabelecerá o sacrifício e tentará se passar pelo próprio Cristo assentando-se nele. (2 Tessalonicenses 2:4). O que não é o caso do templo em pauta, haja vista que este profético será reconstruído no lugar do anterior, no domo da rocha em Jerusalém, onde hoje existe a mesquita de Omar.

O certo, é que o Deus da Bíblia dentro da nova aliança não habita em templo algum, não importa qual modelo tenha, qual nome ostente ou quem nele se reúna, é o que o apóstolo Paulo deixa bastante claro ao pregar aos atenienses em Atos 17:24 quando diz: “O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas”. Por outro lado, ele não é um Deus distante, inacessível e habita sim, conosco, dentro de cada um que nele crê, como lemos em 1ª Coríntios 3.16 Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?

 Janio Clever é Pastor da Igreja Bíblica de Morrinhos (Ceará)

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