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Perfil] Luiza Magalhães: Exemplo de cristã,mulher,empresária, mãe e avó

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Cristão de hoje, santos de amanhã. Confira histórias de pessoas que escolheram viver a fé e suas consequências no dia a dia. 

A conversa é dinâmica como a entrevistada. Luiza Magalhães é engenheira civil por formação, empresária por vocação. De fino gosto fundou a escola de artes mais moderna do Ceará,a Viva Escola de Artes.

Católica convicta, cultiva apaixonado amor pela Igreja, devota horas do dia à oração. Zela pela família e entende que o dever do empresário cristão é gerar emprego. A fé para ela é o sentido e a razão de viver; seu maior medo é não fazer a vontade de Deus. “Ser cristão nos dias de hoje é difícil mas não coisa impossível”, afirma. Um sonho é ir à Medjugorje. E a paixão pelo futebol? E pelo “Fortaleza”, time do coração? Confira a resposta nesta imperdível e envolvente entrevista.

Luiza Magalhães

Ancoradouro – Como é seu dia a dia de fé?

Luiza Magalhães – Meu dia começa aproximadamente às 5 hs da manhã e eu tento passar de 1h a 1h e 30min em oração. Nesse tempo eu medito sobre algum livro católico que esteja lendo (geralmente escritos de santos) e faço algumas anotações sobre as partes que mais me tocaram. Essas “anotações” já se transformaram em mais de 10 cadernos que eu guardo com um carinho enorme, pois contém citações da bíblia e de muitos santos da Igreja. Brinco com meus filhos que é a herança que vou deixar pra eles, pois além de estarem escritos com meu próprio punho, simbolizam horas e horas que passei em meditação e oração.  É interessante lê-los tempos depois de escritos… Atualmente estou lendo o livro “Mística Cidade de Deus – Volume 2”. São 4 volumes escritos por uma monja concepcionista espanhola, Maria de Ágreda, que durante anos teve visões de Nossa Senhora, nas quais ela lhe contava sua vida com o pedido que anotasse tudo.

Ancoradouro – E a missa?

Luiza Magalhães – A missa diária e a eucaristia são muito importantes pra mim. Mais do que meu corpo precisa de bons alimentos e exercícios pra não adoecer, minha alma precisa do alimento da eucaristia pra ficar forte e não ser vencida pelos apelos que o mundo faz constantemente de poder, de possuir e de obter prazer a qualquer preço.

Ancoradouro – Existem outras piedades?

Luiza Magalhães – Sim. Algumas épocas do ano são também “especiais” para renovar e fortalecer a minha fé:  a renovação anual da consagração a Nossa Senhora que termino sempre no dia da festa da Anunciação em 25/3, a quaresma de São Miguel Arcanjo em setembro e algumas novenas que faço na época da festa de alguns santos fazem parte do meu “ano devocional”. O terço também precisa fazer parte do meu dia-a-dia, mas confesso que ainda não consegui ser 100% fiel nessa tão necessária oração. Um dos meus maiores desejos é ir a Medjugorje e o rosário diário está entre os pedidos constantes de Nossa Senhora. Na minha família rezamos mensalmente o rosário, sempre alternando as casas, mas sei que ainda é muito pouco se comparado com o que Maria pede.

Ancoradouro – Qual o seu  santo de devoção? Como começou esta amizade com os amigos do céu?

Luiza Magalhães – Tenho vários amigos santos… Minhas principais devoções são ao Sagrado Coração de Jesus e a Nossa Senhora. Cada filho meu é consagrado a um título da Mãe Santíssima.  Após ler vários livros sobre o Padre Pio, passei a admirá-lo muito e fui a San Giovanni Rotondo, sua cidade na Itália. Lá, por pura Providência hospedei-me em um hotel cujos donos haviam sido amigos do frade santo. Ele havia celebrado seu casamento, batizado seus filhos, etc. Fiquei fascinada com os muitos álbuns de fotografias que eles me mostravam e com as histórias que me contavam numa mistura de portunhol/inglês/italiano. Vendo meu encanto, a senhora me convidou para um momento de oração no túmulo do Padre Pio com algumas pessoas do seu grupo e alguns frades. Claro que fui… Era mais de 9hs da noite e estava muito frio… Foi maravilhoso.

Ancoradouro –  E como foi este momento?

Luiza Magalhães – Depois do terço, os frades retiraram as grades que cercava o túmulo e permitiram que todos os presentes (o grupo era pequeno), rezassem individualmente alguns minutos na lápide. Uma pequena fila foi formada e cada pessoa se ajoelhava com as mãos sobre a pedra que cobria o túmulo e rezava por 1 ou 2 minutos. Foi uma emoção indescritível!!! Após a oração cada um ia embora sozinho. Nessa época o túmulo ainda ficava na Igreja do convento, e eu me perdi procurando a saída pelas muitas salas e vãos. Nessa procura me vi dentro da antiga sacristia onde estava exposto o confessionário onde o Pe. Pio passava mais da metade do seu dia confessando. Lembro que toquei o confessionário como uma relíquia e percebi que havia  um perfume de flores maravilhoso no lugar. Olhei por todo lado e voltei até outra sala procurando as flores… Lembro que olhei até debaixo de uma mesa e não vi nada. Continuei andando, achei a saída e fui embora. No dia seguinte, no café da manhã, a dona do hotel veio me perguntar se eu havia gostado e agradeci muito dizendo que havia sido maravilhoso. Contei a ela como eu havia me perdido na saída e perguntei como eles conseguiam manter aquela sacristia do confessionário tão perfumada. Então ela me disse que não havia flor nem perfume algum e que era assim que o Padre Pio “escolhia” seus filhos espirituais. Desse momento a fé e a admiração que eu tinha por ele se transformaram num enorme amor de filha.

Alguns outros santos tem também muito destaque na minha vida: São Miguel Arcanjo, Santa Catarina de Sena, São Francisco, Santa Faustina, Santa Tereza D`Ávila, São Cláudio de La Colombiére, São Bernardo, Santa Clara, Santo Agostinho, Dom Bosco e recentemente Francisco e Jacinta de Fátima. Era ainda fã e admiradora de João Paulo II e hoje também muito devota.

Ancoradouro – A senhora anualmente faz uma peregrinação muito peculiar, vai à Canindé a pé. Quando começou?

Luiza Magalhães – Já fui três vezes a pé. Confesso que no primeiro ano fui por curiosidade e como um desafio a ser vencido. Depois as perspectivas foram mudando… É interessante ver mais de 200 pessoas de classes sociais, níveis culturais e objetivos tão diferentes, caminhando, conversando e partilhando tudo juntas. As bolhas nos pés, o cansaço, o calor, as noites mal dormidas vão unindo todo mundo… Nesse aspecto os quase 4 dias de peregrinação são até poucos, pois sinto que se demorasse mais, ali naquele grupo se formariam os melhores amigos.

Ancoradouro –  E o que faz querer voltar?

Luiza Magalhães – Acho que vontade de rever aquelas vidas que estiveram tão juntas das nossas que a gente se tornou confidente e também a quem a gente desabafou tantos problemas e tantos dramas de vida.

Ancoradouro –  E como é a chegada na Basílica, o ponto ápice da peregrinação?

Luiza Magalhães – Emocionante! Muitas pessoas me pedem oração antes da peregrinação, por isso durante esse tempo vivo pra caminhar e rezar, rezar e caminhar… A gente também tem muito tempo pra pensar e muitas resoluções são tomadas nessa estrada que leva a Canindé. No meio do cansaço a gente sente a PERFEITA ALEGRIA de São Francisco! Acredito que o Paulo Helmut, a Márcia, sua esposa e todos os que participam da organização dessa romaria e servem a todos na estrada, tem na verdade um carisma franciscano e a peregrinação é o exercício desse carisma sendo obediente à vontade de Deus!

Ancoradouro – A senhora tem um grande amor e zelo pela família. O que ela significa na sua vida?

Luiza Magalhães – Minha família é o prêmio e o consolo que Deus me deu para me alegrar durante a minha caminhada pela terra em busca do céu. O Rafael (seu neto) é mais um presente! Não dá nem pra descrever amor de avó… É meio bobo e infantil… Acho que a gente vai ficando velha e Deus manda os netos pra gente se sentir criança de novo.

Ancoradouro – E-mail, facebook são ferramentas que a senhora utiliza, sempre com mensagens de esperança e fé. É uma espécie de apostolado? Pretende criar um perfil no twitter?

Luiza Magalhães – Acho bacana poder partilhar no facebook alguma mensagem bonita que, assim como fez bem e me deu esperança, pode fazer o mesmo por outras pessoas. Também gosto de publicar alguma coisa sobre as datas das festas da Igreja, como dias de Nossa Senhora, de santos ou de festas como a Divina Misericórdia… Penso que se o facebook pode divulgar com sucesso tanta coisa comercial, porque não pode fazer o mesmo com as devoções da Igreja Católica? O facebook também ajuda você a se aproximar de pessoas, parabenizá-las no aniversário, convidar para eventos e muitas outras coisas que certamente no dia a dia não seria possível. Não gostei do Twitter, achei meio invasivo você ficar o dia todo avisando o que está fazendo.

Ancoradouro – Está nos planos criar um blog?

Luiza Magalhães – Já pensei em fazer um sobre a vida dos santos de cada dia, mas a falta de tempo me fez  desistir da idéia. Quem sabe na época da aposentadoria?

Ancoradouro – E quando surgiu a paixão pelas artes que a fez construir a escola de música e artes mais moderna do Ceará?

Luiza Magalhães – Sempre trabalhei com meu marido na Musical, loja de instrumentos musicais [a pioneira no Ceará] e também sempre admirei muito as artes de um modo geral… Daí surgiu a idéia de construir uma escola de música que ensinasse a música como uma formação cultural e artística, desvinculando sua prática das drogas, da tatuagem, do piercing e do conceito, muito comum na época, de que ser músico era meio que ser vagabundo. Música é arte e arte é vida, por isso aprender e praticar uma arte é algo que leva a uma melhor qualidade de vida. Aos poucos fomos introduzindo outras formas de arte na escola, como teatro, artes plásticas e dança. Isso fez com que o conceito inicial de escola de música mudasse para escola de artes. A Viva – Escola de Artes quer divulgar e levar o estudo e a prática de todas as formas de expressão artística a fazer parte da formação cultural, intelectual e emocional de todos, desde a criança, passando pelo jovem e pelo adulto até a terceira idade. Nossa meta é levar ao conhecimento de todos que vive melhor quem vive com arte!

Viva – Escola de Artes

Ancoradouro – Quais os projetos futuros para a Viva – Escola de Artes?

Luiza Magalhães – Acreditamos que a vivência e a prática de todas as formas de arte é algo muito benéfico para a sociedade moderna em que vivemos, por isso queremos crescer e levar esse conceito de que estudar e praticar uma arte deve fazer parte da vida de todo mundo, assim como foi ensinado que o sedentarismo faz mal e que todo mundo deve praticar exercícios. O sedentarismo emocional e cultural também é extremamente prejudicial ao ser humano. A arte pode transformar pessoas estressadas e violentas em seres humanos calmos e pacíficos, jovens desequilibrados e doentes em adultos bem intencionados e crianças mimadas e dominadoras em jovens felizes e bem integrados na sociedade. Confiando em Deus, submetendo-nos inteiramente a seus santos desígnios e confiando nas bênção de Nossa Senhora, caminhamos com a certeza de que estamos ajudando a construir um mundo melhor.

Ancoradouro – Através dos empreendimentos da família as empresas geram uma média de 100 empregos diretos. Qual é o papel do empresário nos dias de hoje, especialmente, se é um empresário cristão?

luiza800Luiza Magalhães – Nossos funcionários são nossos parceiros e amigos. Nada pode acontecer sem eles. Acredito que uma das principais missões de um empresário cristão é exatamente buscar o sucesso empresarial sem nunca esquecer de gerar empregos. Fico muito comovida ao ir na missa do Padre Antonio Furtado, às quinta-feiras, no Shalom da Paz. Quando o Santíssimo passa a quantidade de carteiras profissionais que são levantadas é enorme. E sempre alguém testemunha que conseguiu o emprego que pedia a Deus a 1 ano ou mais.

Observando esse clamor e tantas súplicas a Deus por um emprego, por uma forma digna de sobreviver e de sustentar a família me pergunto: como Deus pode atender a esses pedidos se o empresariado resolver viver de aplicações, de rendas ou de especulações financeiras. Deus precisa de cada empresário, pequeno ou grande, pra socorrer seu povo. Cada emprego que conseguirmos gerar é um sim a Deus que damos e todo mundo sabe que Deus recompensa sempre dando muito mais.

Ancoradouro – Vamos falar de algo que a senhora gosta muito: futebol. Recente, o João Vitor (sobrinho) ganhou um torneio de futebol por uma importante  faculdade do Ceará…E se ele se profissionalizar e vir a jogar pelo…Ceará (Ela torce para o Fortaleza)?  (risos)

Luiza Magalhães – Eu gosto de futebol, mas gosto mais ainda do Fortaleza e muito mais ainda do Vitor. Sei que ele não vai fazer isso comigo… (risos) Quando ele ficar famoso acho que vou pedir o direito do passe dele pro João Carlos (seu irmão e pai do Vitor) pra tentar evitar isso acontecer…. mas se for o jeito, como eu já disse, gosto mais do jogador como pessoa, que do clube… Só não vai dar é pra torcer por ele…. (mais risos).

 


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