Ancoradouro

Deep web: o inferno internético

O tema ainda é pouco conhecido, mas já começa a ter maior visibilidade na internet, pelo menos para o grande público. É uma realidade complexa, um verdadeiro desafio. Se lidar com algumas questões como direitos autorais, anonimato e pornografia  no mundo digital trazem sérios desafios, ainda mais nesta dimensão  sombria e avassaladora fora do alcance dos nossos olhos e do Google que é a Deep Web.

deep web

Vamos por partes.

Existe uma região – se assim podemos chamar – na internet denominada de Surface. É aquele espaço no qual a navegação comum acontece. É onde se concentram os sites de buscas como Google e Bing; as plataformas de vídeos dos Youtube e Vímeo; os sites, blogs e demais redes de compartilhamentos. Neste ambiente, nos movemos através de browser de navegação como o Internet Explorer, Google Chrome e Safari.

Nosso rastro fica na internet quando navegamos na Surface. Facilmente pode-se chegar à localização de uma pessoa através de uma foto publicada,uma mensagem enviada. Não há como se esconder neste ambiente, por isso, todo cuidado é pouco ao se movimentar nesse lugar.

Mas, abaixo da Surface existe um outro mundo,oculto e desconhecido para a maioria dos internautas. É o submundo da internet, chamado também de inferno cibernético. Noutra comparação, a Surface seria apenas a ponta do iceberg. Existe uma realidade absurdamente maior oculta de uma navegação trivial. Esse lugar é a Deep Web (DW).

A Deep Web é comparada às camadas de uma cebola
A Deep Web é comparada às camadas de uma cebola

O que há na Deep Web?

Outra analogia  que se costuma fazer é comparar a Deep Web às camadas de uma cebola. Para se passar de uma a outra são  necessários códigos e chaves, desconhecidos do entendimento leigo. Quanto mais profundo, mais tenebroso. De camada em camada há internautas que chegam ao centro do inferno internético, um local perturbador e insólito.

Especialistas, como a americana Karen Reilly, formada em política governamental e internacional pela Universidade e  George Mason e diretora de desenvolvimento e porta-voz de um projeto que permite a navegação anônima neste submundo tentam “convencer governos e autoridades policiais que a segurança não pode solapar o direito à privacidade – e que proteger a identidade de internautas beneficia a sociedade“, conforme declarações dadas  à Revista Época,nº818 (Globo).

Contudo, a questão não parece tão simplista. Os defensores da navegação completamente anônima, possibilitada na Deep Web, tentam se justificar apontando que é lá onde estão os nossos dados bancários, informações confidenciais dos governos e pesquisas científicas ainda não publicadas. 

De outro lado, é neste submundo invisível  no qual  acontece  tráfico de drogas, pornografia indiscriminada, pedofilia, encomendação de crimes e outras barbáries como divulgação de vídeos canibalistas e até vídeos Snuffs (vídeo de pessoas capturadas, torturadas e mortas sob encomenda).

Essa parte da Rede ganhou visibilidade em outubro passado, quando o FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, prendeu o americano Ross Ulbrich, criador do site SilkRoad (Rota da Seda). O portal de Ulbrich, abrigado na internet profunda, era usado no comércio on-line de drogas, identidades falsas e programas de computador com fins criminosos. Fonte: Revista Época.

Segundo informações divulgadas no jornal Estadão , o submundo da internet é o local onde o Google não alcança e pode ser 500 vezes maior àquilo que vemos na Surface da internet. Há histórias sobre a Deep Webque que  de tão escabrosas parecem lendas. Existe quem afirme que são verdadeiras, como a história de crianças traficadas em países pobres transformadas através de processos em químicos em bonecas sexuais com ou 2 ou 3 anos de vida útil. Se na superfície da  internet é crescente a atuação das seitas satânicas na Deep Net, como também é conhecida, a prática encontra o local adequado.

Segundo informações de Reilly, ” 500 mil pessoas” acessam diariamente o navegador que possibilita a navegação anônima na DW, a maioria composta por americanos  com crescente participação de brasileiros. Um dado preocupante. É preciso que as autoridades busquem discutir o assunto delicado que esbarra numa série de questionamentos: Se a navegação do cidadão  comum é facilmente rastreada pelos governos, como já foi comprovado, não seria legítimo a criação e manutenção de instrumentos que freasse os bisbilhoteiros?Por outro lado, o anonimato digital  -comparando aqui do fim último do objeto – pode justificar os crimes que existem na DW  -aqui seriam os meios, numa concepção filosófica?

Internet para o Bem

Compreendendo  o poder que emana do mundo virtual, Papa Francisco, uma das lideranças mundiais mais influentes na rede lançou um projeto que une futebol, educação e solidariedade em escala planetária   graças a ajuda de gigantes das telecomunicações como Google e a Telefônica.

Francisco compreende a força destes meios e assim que canalizar o potencial do mundo virtual. Em recente mensagem sobre a comunicação afirmou que estas ferramentas deve estar ao serviço da cultura do encontro.É uma luz importante  para a reflexão sobre o homem no mundo digital.

 

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