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Papa Francisco fala sobre o perigo da ideologia do gênero para a sociedade contemporânea

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Desde quando era cardeal na Argentina o Papa Francisco rechaçava a ideologia do gênero e com ela a união entre pessoas do mesmo sexo e a adoção de crianças por pares homossexuais. Nada diferente do que ensina o magistério da Igreja que orienta o amor e o respeito às pessoas que fizeram esta opção, mas de forma alguma coaduna com a cultura homossexual.

Papa Francisco diz não à ideologia do gênero.

Papa Francisco diz não à ideologia do gênero.

O Papa chega a questionar se os desafios de confiar em Deus não tem raiz na crise de amor entre o homem e a mulher. “Pergunto-me se a crise de confiança coletiva em Deus não esteja relacionada à crise de aliança entre homem e mulher, já que a comunhão com o Senhor se reflete na comunhão do casal humano“.

Leia a íntegra da Catequese, aqui (Fonte: Portal Canção Nova)

As declarações do Papa foram repercutidas no Senado brasileiro. Na sessão plenária desta quarta-feira o senador Magno Malta ( PR-ES) repetiu o questionamento feito pelo pastor máximo dos católicos. ” O papa está de parabéns”, disse o senador que é evangélico e discursava na ocasião contra o aborto e a favor da família tradicional.

A catequese de Francisco chega em boa hora para os brasileiros, especialmente porque responde às dúvidas lançadas nesta semana por um padre conhecido nacionalmente. Através de sua conta no Twitter padre Fábio de Melo posicionou-se, ao contrário do que ensina a Igreja da qual ele membro ordenado, favorável á união civil entre pessoas do mesmo sexo.

Confira uma postagem esclarecendo a situação

Padre Fábio de Melo defende união gay e recebe elogios do ex-BBB Jean Wyllys

Padre Fábio de Melo, conhecido pelos CDs e livros lançados, usou sua conta no Twitter  neste domingo, 12, para defender a união gay, falar sobre o estado laico e criticar o moralismo como “esconderijo de vergonhas particulares“.

Padre Fábio de Melo defende união gay.
Padre Fábio de Melo defende união gay.

As declarações do sacerdote geraram  confusão e contrariaram a muitos, embora tenha agradado aos fãs do politicamente correto, perfil da maioria de seus seguidores. A defesa do sacerdote também trouxe algumas contradições. 

Logo nas primeiras mensagens padre Fábio é enfático sobre a união gay. “A união civil entre pessoas do mesmo sexo não é uma questão religiosa. Portanto, cabe ao Estado decidir. O Estado decide através dos que são democraticamente eleitos por nós. São eles que propõem, votam e aprovam as leis”.

Padre Fábio de Melo defende união gay.
Padre Fábio de Melo defende união gay.

No passo seguinte o padre pretende ensinar aos vigários o padre nosso pondo na argumentação uma premissa bastante utilizada pelos laicistas: “aos líderes religiosos reserva-se o direito de estabelecerem suas regras e ensiná-las aos seus fiéis. E isto o Estado também garante”.

O padre famoso  deixa subtendido que os católicos só devem se preocupar com assuntos de sacristia. “Se sou cristão católico, devo observar o que prescreve a minha Igreja”. E mais: “as igrejas não podem, por respeito ao direito de cidadania, privar as pessoas, que não optaram por uma pertença religiosa, de regularizarem suas necessidades civis”.

Padre Fábio de Melo defende união gay.
Padre Fábio de Melo defende união gay.

O padre que defende a omissão de religiosos em assuntos de estado diz – contraditoriamente – o que este estado deve garantir: “se duas pessoas estabeleceram uma parceria, e querem proteger seus direitos, o Estado precisa dar o suporte legal”. Mais uma vez o sacerdote volta a defender que  o assunto de extrema relevância “só nos tocaria se viessem nos pedir o reconhecimento religioso e sacramental da união”. 

O sacerdote vacila ao  desconhecer o que ‘prescreve a Igreja” sobre o assunto. Coisa que de acordo com sua argumentação deveria ser o primeiro a se submeter. Na Considerações sobre os projetos de reconhecimento legal de das uniões entre pessoas do mesmo sexo“, a Congregação para a Doutrina da Fé é clara ao apresentar os pontos contrários a tais projetos.

Padre Fábio de Melo defende união gay.

“A Igreja ensina que o respeito para com as pessoas homossexuais não pode levar, de modo nenhum, à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uniões homossexuais. O bem comum exige que as leis reconheçam, favoreçam e protejam a união matrimonial como base da família, célula primária da sociedade. Reconhecer legalmente as uniões homossexuais ou equipará-las ao matrimônio, significaria, não só aprovar um comportamento errado, com a consequência de convertê-lo num modelo para a sociedade atual, mas também ofuscar valores fundamentais que fazem parte do patrimônio comum da humanidade. A Igreja não pode abdicar de defender tais valores, para o bem dos homens e de toda a sociedade“, diz a conclusão do texto.

O documento também rechaça a argumentação de padre Fábio de Melo  tomada dos movimentos LGBT  quando defende que “se duas pessoas estabeleceram uma parceria, e querem proteger seus direitos, o Estado precisa dar o suporte legal”. O texto eclesial que deveria ser seguido pelo sacerdote poeta  diz o seguinte: “Não é verdadeira a argumentação, segundo a qual, o reconhecimento legal das uniões homossexuais tornar-se-ia necessário para evitar que os conviventes homossexuais viessem a perder, pelo simples facto de conviverem, o efetivo reconhecimento dos direitos comuns que gozam enquanto pessoas e enquanto cidadãos. Na realidade, eles podem sempre recorrer – como todos os cidadãos e a partir da sua autonomia privada – ao direito comum para tutelar situações jurídicas de interesse recíproco. Constitui porém uma grave injustiça sacrificar o bem comum e o recto direito de família a pretexto de bens que podem e devem ser garantidos por vias não nocivas à generalidade do corpo social”.

Padre Fábio de Melo defende união gay.
Padre Fábio de Melo defende união gay.

Padre Fábio quis justificar suas declarações favoráveis a união civil apelando para um argumento religioso, a misericórdia. Mais uma contradição do sacerdote que rebateu as críticas ferrenhas que recebera pelas palavras chamando de moralistas os críticos. Em suma o sacerdote usou do mesmo expediente que militantes LGBT utilizam no debate. Rotular de homossexual enrustido que se declara contra a união gay.

Claro que o sacerdote não utilizou estas palavras. Empregou todo seu arsenal de metáforas para passar a mensagem: “Respondendo aos anseios de nossa crueldade, condenamos nos outros, os erros que não suportamos em nós mesmos. O moralismo é para muitos o esconderijo de vergonhas particulares”.

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O discurso do padre agradou a um dos mais contumazes críticos da fé católica, dos bons costumes e da família, o ex-BBB e deputado federal Jean Wyllys. O militante também usou o Twitter para fazer ode ás palavras doces do padre poeta. “Obrigado, @pefabiodemelo, por vir a público em defesa do Estado laico, dos direitos civis de LGBTs e da diversidade”.

Padre Fábio de Melo perdeu uma ótima oportunidade de defender o que “prescreve a Igreja”: “Há que abster-se de qualquer forma de cooperação formal na promulgação ou aplicação de leis tão gravemente injustas e, na medida do possível, abster-se também da cooperação material no plano da aplicação. Nesta matéria, cada qual pode reivindicar o direito à objecção de consciência”.

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