Ancoradouro

“Colo de Deus” perdeu Reconhecimento Arquidiocesano? Entenda o caso.

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Desde o final de julho circula nas redes sociais uma suposta carta enviada pelo Arcebispo Metropolitano de Curitiba, Dom José Antônio Peruzzo, ao Arcebispo de Niterói, Dom José Francisco Rezende Dias, discorrendo sobre o encerramento do reconhecimento arquidiocesano dado à Comunidade Colo de Deus, fundada há quinze anos. Tomando conhecimento do material, a comunidade em questão escreveu uma nota.

Comunidade Colo de Deus foi fundada há 15 anos.

“Desde que cheguei a esta Arquidiocese, em março de 2015, já nos primeiros dias ouvi muitas reclamações dos padres acerca de sua presença e atuação: fanatizações em torno ao fundador; pouco apreço pela dinâmica pastoral das paróquias; esvaziamento dos grupos de jovens; desinteresse em participar dos programas Arquidiocesanos de evangelização dos jovens… Enfim, as reclamações gravitavam em torno à dependência psicológica pela figura do fundador e pelo desapreço em caminhar com a Igreja local. Seguiam caminhos paralelos e autônomos”, diz um trecho da suposta missiva entre os bispos.

A “Colo de Deus” diz que tomou conhecimento do material com “estranheza”. “Sobre a dita carta, causa-nos estranheza que uma correspondência entre dois Arcebispos ‘vazasse’ desta maneira. Temos recebido o texto – que constaria na dita carta – através das Redes Sociais; as mensagens nos chegam por pessoas de todas as regiões do País. Preferimos acreditar que houve algum “ruído de comunicação”, envolvendo os nomes dos Arcebispos, a constatar um vazamento proposital causado por um destes dois Pastores de Almas, dando por revogada a nossa comunidade sem sequer existir um ‘decreto singular’ e uma notificação a nós. Tão pouco vimos, materialmente, esta carta, ou cópia fiel da mesma, de modo que a desconsideramos”.

Arcebispo teria escrito que revogaria decreto de reconhecimento arquidiocesano da Comunidade Colo de Deus. Instituição nega que tenha recebido o decreto.

Dom Peruzzo teria comentado na suposta carta sobre o amadorismo do primeiro estatuto da instituição e a mudança de sede, de Curitiba para Maringá. “Ao exigir que um padre indicado pela Arquidiocese fizesse parte do “Núcleo” diretivo, então começaram a cogitar a saída da Arquidiocese de Curitiba. Hoje estão na Arquidiocese de Maringá, mais precisamente na cidade de Jandaia do Sul. Mas, depois de anos, ainda lhes falta um estatuto consistente, que explicite a natureza com as Dioceses em que estão e os caminhos regulamentares mediante os quais se regem”.

Hugo Santos é o fundador da “Colo de Deus”.

A nota da “Colo de Deus” explica sobre a mudança da sede. “No ano de 2017, a providência de Deus nos visitou por meio da doação de um terreno na cidade de Jandaia do Sul, Arquidiocese de Maringá. Em virtude disto, nossa casa mãe e os principais apostolados da Comunidade passaram a ser realizados desde a Arquidiocese de Maringá (e agradecemos a Dom Anuar Battisti por sua amistosa acolhida)”.

No texto atribuído aos arcebispo, ele teria dito que por, “mais de uma vez estive entre eles. Por várias vezes os chamei. Desconsiderando as minhas próprias reticências, apresentei-os para eventos musicais a outras Dioceses no Brasil e fora. Até fiz uma gravação nas redes sociais a seu favor. Enquanto queria confiar, também os exortava. Infelizmente, não parece que tenham se empenhado em dirimir as dúvidas que sempre se reapresentavam. Quando questionados, ocultavam informações”.

Dom Peruzzo teria alertado por várias vezes a Comunidade, sem um retorno a contento.

De sua parte, a comunidade referida se coloca completamente à disposição da Igreja para dirimir as questões e pedem a “solicitude paternal” da mesma. “Nossa Comunidade é, diante da tradição bimilenar da Igreja, tão somente um bebê, em seus quinze anos de existência. Erros diversos já foram cometidos e repetidos por nós, em nosso processo de aprendizado; por causa desses nossos erros, queremos, por meio destas linhas, pedir, sinceramente, o perdão. Desejamos que o processo de reconhecimento eclesial, iniciado com Dom Moacyr José Vitti (descanse em paz), possa, agora, ter a devida continuidade sob os cuidados de Dom Anuar, a quem nos subtemos e rogamos, por favor, que nos discipline e oriente. Que as possíveis inquietudes pastorais de Dom José Antônio Peruzzo possam ser levadas em conta neste processo, para o crescimento de nossa Comunidade. Abrimos, ao Ordinário do Lugar onde nos encontramos, as portas de nossas casas de missão, as portas das casas de nossas famílias e rogamos, como filhos, a solicitude paternal desta Igreja Local”.

Confira o texto atribuído a dom Peruzzo

Curitiba, 22 de julho de 2019

Ex.mo Sr.
Dom Jacy Diniz Rocha
M.D. Bispo de São Luiz de Cáceres

Saudações,

Sirvo-me desta carta para inteirá-lo da situação da Comunidade Colo de Deus, presente nesta Arquidiocese, autorizada que foi por Dom Moacir Vitti em setembro de 2010. Trata-se de uma comunidade de fiéis leigos, fundada pelo Sr. Hugo Santos na cidade do Rio de Janeiro em torno de 2005. Após alguns desencontros com autoridades daquela Arquidiocese, transferiram-se para Curitiba.

Desde que cheguei a esta Arquidiocese, em março de 2015, já nos primeiros dias ouvi muitas reclamações dos padres acerca de sua presença e atuação: fanatizações em torno ao fundador; pouco apreço pela dinâmica pastoral das paróquias; esvaziamento dos grupos de jovens; desinteresse em participar dos programas Arquidiocesanos de evangelização dos jovens… Enfim, as reclamações gravitavam em torno à dependência psicológica pela figura do fundador e pelo desapreço em caminhar com a Igreja local. Seguiam caminhos paralelos e autônomos.

Alguns meses após a posse foram chamados. Queria conhecê-los. Queria ouvi-los. Vieram, apresentaram-se, explicaram-se, justificaram-se… Foram vivamente exortados a caminhar com a Igreja. Foi-lhes proposto, e reproposto em encontros posteriores, que aceitassem a orientação de dois padres aprovados por eles. Um seria orientador da comunidade (programas de formação, acompanhamento da própria vida comunitária, relação com a pastoral das paróquias e da Arquidiocese). Outro seria o Diretor Espiritual. Com o passar do tempo ambos se enfastiaram de tentar ajudá-los. Atestaram o pouco apreço da Colo de Deus por sua colaboração. Tudo gravitava em torno de “papai Hugo”, o fundador. E este, por sua vez, dava de ombros à palavra dos padres.

Quando questionados, multiplicavam-se os pretextos. Face a algumas exigências que lhes eram estabelecidas aparentavam aceitar. Aparentavam. No caminhar do tempo consolidavam-se algumas reticências. A principal delas era o protagonismo exacerbado e manipulador por parte do fundador. Aliás, eu percebia grandes disposições à comunhão por parte de importantes líderes. Porém, por parte do fundador o rumo e o ritmo era outro. Parece que é esta explicação para antigas incompatibilidades da parte dele no Rio de Janeiro, na Diocese de Apucarana/Pr (Dom Celso Marchiori, hoje Bispo de São José dos Pinhais/Pr) e também com Renovação Carismática Católica. Também com esta houve rupturas.

Relativamente aos estatutos também foi um longo e novelesco processo. Um primeiro, improvisado e muito amador fora apresentado. Após longas e repetidas insistências apresentaram para apreciação um novo, melhor elaborado, orientado por um canonista que eu mesmo indiquei. Ao exigir que um padre indicado pela Arquidiocese fizesse parte do “Núcleo” diretivo, então começaram a cogitar a saída da Arquidiocese de Curitiba. Hoje estão na Arquidiocese de Maringá, mais precisamente na cidade de Jandaia do Sul. Mas, depois de anos, ainda lhes falta um estatuto consistente, que explicite a natureza com as Dioceses em que estão e os caminhos regulamentares mediante os quais se regem.

Reconheço que entre os seus membros, inclusive na equipe diretiva, há pessoas muito benévolas e retas. Mas os interrogativos permanecem, especialmente porque os membros parecem se deixar influenciar por quem desaprecia a comunhão com as igrejas locais. Dizer que é uma rejeição pessoal de minha parte, estando a humores subjetivos, como já alegado, não corresponde à verdade. Mais de uma vez estive entre eles. Por várias vezes os chamei. Desconsiderando as minhas próprias reticências, apresentei-os para eventos musicais a outras Dioceses no Brasil e fora. Até fiz uma gravação nas redes sociais a seu favor. Enquanto queria confiar, também os exortava. Infelizmente, não parece que tenham se empenhado em dirimir as dúvidas que sempre se reapresentavam. Quando questionados, ocultavam informações.

Pelo Brasil afora há belas experiências com as novas comunidades. Mas é também verdade que situações muito amargas ainda perduram. Pelo exposto acima quero explicitar que foi revogado o decreto que os aprovava nesta Arquidiocese de Curitiba. Não mais têm eles reconhecimento nesta Igreja Particular. Escrevo-lhe, caro irmão Bispo, em caráter prudencial, recomendando cautela enquanto não houver clareza acerca dos balizamentos eclesiais que inspiram os eventos e, especialmente, a relação da Colo de Deus com a (Arqui)Diocese em que se situam ou se apresentam. Cheguei a este posicionamento depois de anos de tentativas de integrá-los.
Sem mais, despeço-me com profundo respeito e fraternidade. Mas também com tristeza. Eu preferiria não ter que redigir estes parágrafos. Ponho-me à disposição para esclarecimentos.

Dom José Antonio Peruzzo
Arcebispo de Curitiba

Leia a Nota da Comunidade Colo de Deus 

Vinde Espírito Santo!

Jandaia do Sul, Paraná, 26 de julho de 2019
Memória de Santa Ana e São Joaquim

“O amor é paciente, o amor é bondoso. Não tem inveja. O amor não é orgulhoso. Não é arrogante. Nem escandaloso. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acabará”

I Coríntios 13, 4 – 8a.

Nós, membros da Comunidade Católica Colo de Deus, temos recebido algumas mensagens e contatos de amigos e conhecidos que nos fizeram chegar o texto de uma suposta carta que teria sido enviada pelo Arcebispo Metropolitano de Curitiba, Dom José Antônio Peruzzo, ao Arcebispo de Niterói, Dom José Francisco Rezende Dias, na qual o Arcebispo desqualificaria a pessoa de nosso fundador, Hugo Santos, e, em virtude da presença dele, revogaria o decreto que aprova a Comunidade na Arquidiocese de Curitiba. Sobre isto, gostaríamos de esclarecer o seguinte:

1. Até a presente data, nossa Comunidade não recebeu nenhum comunicado por parte do Arcebispo Metropolitano de Curitiba com semelhante revogação do Decreto de Ereção Canônica. Não fomos notificados sobre a existência de um “Decreto Singular”, condição indispensável para uma revogação.

2. Sobre a dita carta, causa-nos estranheza que uma correspondência entre dois Arcebispos “vazasse” desta maneira. Temos recebido o texto – que constaria na dita carta – através das Redes Sociais; as mensagens nos chegam por pessoas de todas as regiões do País. Preferimos acreditar que houve algum “ruído de comunicação”, envolvendo os nomes dos Arcebispos, a constatar um vazamento proposital causado por um destes dois Pastores de Almas, dando por revogada a nossa comunidade sem sequer existir um “decreto singular” e uma notificação a nós. Tão pouco vimos, materialmente, esta carta, ou cópia fiel da mesma, de modo que a desconsideramos.

No ano de 2017, a providência de Deus nos visitou por meio da doação de um terreno na cidade de Jandaia do Sul, Arquidiocese de Maringá. Em virtude disto, nossa casa mãe e os principais apostolados da Comunidade passaram a ser realizados desde a Arquidiocese de Maringá (e agradecemos a Dom Anuar Battisti por sua amistosa acolhida). Nossa Comunidade é, diante da tradição bimilenar da Igreja, tão somente um bebê, em seus quinze anos de existência. Erros diversos já foram cometidos e repetidos por nós, em nosso processo de aprendizado; por causa desses nossos erros, queremos, por meio destas linhas, pedir, sinceramente, o perdão. Desejamos que o processo de reconhecimento eclesial, iniciado com Dom Moacyr José Vitti (descanse em paz), possa, agora, ter a devida continuidade sob os cuidados de Dom Anuar, a quem nos subtemos e rogamos, por favor, que nos discipline e oriente. Que as possíveis inquietudes pastorais de Dom José Antônio Peruzzo possam ser levadas em conta neste processo, para o crescimento de nossa Comunidade. Abrimos, ao Ordinário do Lugar onde nos encontramos, as portas de nossas casas de missão, as portas das casas de nossas famílias e rogamos, como filhos, a solicitude paternal desta Igreja Local.

Ainda somos aquela mesma comunidade “audaciosa e arrojada” – como nos definira o próprio Dom José Antônio Peruzzo em 2017 – capaz, pela misericórdia de Deus, de chegar a pessoas e lugares onde, ordinariamente, o trabalho pastoral comum da Igreja não costuma chegar; acreditamos – e nisto temos gastado nossa vida… nossa juventude! – que tudo aquilo que somos e fazemos não é fruto da mente inventiva de um homem: Hugo Santos, nosso fundador. Cremos que o Espírito Santo deu-nos uma obra que pudesse vir ao socorro de uma juventude que tem sucumbido às drogas, ao suicídio e ao mais profundo vazio existencial.

Na certeza de que o amor é paciente, é bondoso, tudo desculpa, tudo suporta e jamais acabará, agradecemos a amizade de inúmeros sacerdotes que tomaram a decisão de nos amar e que enxergam, até em nossos erros, tentativas frustradas de fazer o bem.

A todos os membros da Comunidade Católica Colo de Deus, bem como aos membros de nossas células espalhadas pelo Brasil e a todos os nossos amigos e amigas que, de algum modo, encontram na Comunidade um esteio espiritual e formativo, pedimos muita serenidade, paz e confiança: Somos Filhos da Igreja e temos a certeza de que Ela, como Mãe e Mestra, conduzirá este momento e o levará a bom termo.

Rogamos à Imaculada, a quem pertencemos, que nos ajude neste tempo. Aproveitamos esta oportunidade para renovarmos nosso amor incondicional à Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica.

Fraternalmente em Cristo,

Membros da Comunidade Católica Colo de Deus

 

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