Artesanato da Mente

A parábola da rã

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Fig09_Seladinha (rã vista de lado)

Outro dia li uma parábola maravilhosa que falava sobre as perspectivas do ser humano e do quanto nossa visão é limitada. Uma parábola que nos faz refletir sobre as zonas de conforto e nos ajuda a enxergar o mundo com um olhar mais profundo.

A parábola da rã

Havia uma rã que vivia num poço próximo ao oceano. Ali havia nascido e dali nunca tinha saído pois não conseguia saltar tão alto. Mesmo porque, ela desconhecia o mundo ao redor do poço pois, como nunca o havia visto, então para ela não havia nada além das paredes de pedra que a cercava. Desta forma, ela ignorava o imenso oceano ao seu redor e que dele somente ouvia o seu som, sem se dar conta do que realmente era. Ela não só ignorava o oceano, ou seja, a condição do mundo onde vivia, mas também ignorava sua própria condição de “rã presa no poço” e para descobrir que vivia num poço e que havia um oceano a poucos metros, ela teria que sair dali.

Mas um dia uma garça começou a sobrevoar o poço e viu a pequenina rã ali a coaxar . Pousou na borda do poço e perguntou à rã porque ela vivia num poço, tendo um oceano tão grande a seu dispor do lado de fora. Surpresa com a pergunta do pássaro, ela reagiu confusa dizendo que o pássaro de nada sabia e que o poço era seu mundo seguro e confortável e que nada poderia existir além dele.

Diante da reação da rã, a garça voa para longe, deixando-a. Depois de algum tempo, a rã reflete sobre o que a garça havia lhe dito e começa a questionar se realmente não haveria um mundo além das paredes de pedra do poço e que talvez estivesse equivocada e que a história daquele pássaro poderia ter algum fundamento. Na outra vez que o pássaro por lá sobrevoou, a rã o chamou e desculpando-se pela atitude na vez anterior pediu que a garça a levasse para um passeio em suas costas.

A garça, muito prestativa, concorda com o pedido, colocando a pequena rã em suas costas, alçou voo. A certa altura a rãzinha olha para baixo e vê seu pequeno poço e então compreende quem era, onde morava e que havia um oceano imenso e desconhecido ao lado de sua casa que nunca havia visto. Ou seja, a pequena rã experimentou duas realizações simultâneas, quem era e onde estava inserida, dissipando suas dúvidas existenciais. Ela vê como era pequeno seu poço e como era imenso o oceano.

Esta bela parábola vem nos fazer refletir sobre as nossas zonas de conforto. Será que você não está vivendo no fundo de um poço profundo? Sem muitas esperanças de encontrar o oceano e sua beleza? Será que você não se acostumou a viver uma vida sem aventuras e mudanças? Será que você ainda não procurou o oceano por medo de se afogar nele? Será que o oceano parece grande demais ou utópico para sua atual realidade? Esses são questionamentos muito profundos. Pare um pouco para pensar nessas questões…

Todos nós temos nossas zonas de conforto, e para se libertar delas é preciso coragem e ousadia. É preciso ter um firme propósito na mente de que sair da condição atual e avançar para águas mais profundas é uma necessidade para alcançar maiores realizações pessoais, além de uma felicidade muito mais intensa e duradoura.

Viver no fundo do poço e se contentar com uma vida de migalhas é uma questão de escolha. Todos nós temos a oportunidade de sair desta condição de miséria e procurar o vasto oceano que está dentro de nós mesmos, apenas não conseguimos enxergá-lo. Esta é outra interpretação maravilhosa para esta parábola. Podemos interpretar a garça como a nossa consciência, nos chamando a sair do fundo do poço em direção ao oceano das novas oportunidades e perspectivas, e este oceano já está dentro de nós, basta que enxerguemos sua beleza obscurecida pelo medo, pelos complexos de inferioridade, pelos traumas do passado etc.

Para finalizar, quero comentar as palavras finais desta parábola, que dizem: “a pequena rã experimentou duas realizações simultâneas, quem era e onde estava inserida, dissipando suas dúvidas existenciais. Ela vê como era pequeno seu poço e como era imenso o oceano”. Quase sempre, nós projetamos nos medos um monstro ou fantasma muito maior do que na realidade é. Achamos que estamos vivendo um caos, quando na realidade nossos problemas nem eram tão grandes assim. É preciso ter coragem para enfrentar nossos medos e prisões, para lá na frente descobrir que eles não eram tão grandes quanto imaginávamos. Vamos buscar a imensidão do oceano e dissipar a escuridão do nosso pequeno poço…

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