Artesanato da Mente

Deus e o fazendeiro

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trigo

Outro dia eu li uma parábola muito profunda em um livro chamado “O homem que amava as gaivotas”, do místico oriental Osho, que me fez refletir sobre a importância das adversidades e dificuldades na nossa vida.

Era uma vez um fazendeiro que, após uma colheita ruim, reclamou: ‘Se Deus me desse o controle do clima do clima, tudo seria melhor, pois parece que ele não entende muito de agricultura.’”

Isso é verdade! Ninguém jamais ouviu dizer que Deus é um fazendeiro – como ele poderia saber?

O Senhor disse a ele: ‘Durante um ano eu lhe darei o controle do clima; peça o que você quiser, e seu desejo será concedido.”

Antigamente, Deus costumava fazer isso. Depois ele se cansou…

O pobre homem ficou muito feliz e imediatamente disse: ‘Agora eu quero o sol!’, e o sol saiu. Mais tarde ele disse: ‘Que chova!’, e choveu. Durante um ano inteiro, o sol brilhava e depois chovia. As sementes cresciam, cresciam… era um prazer observar aquilo! ‘Agora Deus pode entender como se controla o clima’, ele pensou com orgulho. A plantação nunca antes havia crescido tanto, ficando tão verde, e de um verde tão saudável. Chegou a hora de colher. O fazendeiro pegou a foice para cortar o trigo, mas sentiu um aperto no coração. Os caules estavam praticamente ocos. O Senhor veio e lhe perguntou: ‘Como estão as suas plantas?’ O homem se queixou: ‘Pobres, meu Senhor, muito pobres!’ ‘Mas você não controlou o clima? As coisas não saíram como você queria?’ ‘Claro! E é por isso que estou perplexo – recebi a chuva e o sol que eu pedi, mas não há o que colher’. Então o Senhor disse: ‘Mas você nunca pediu vento, tempestades, gelo e neve, tudo o que purifica o ar e torna as raízes duras e resistentes! Você pediu chuva e sol, mas não pediu mau tempo. É por isso que não há o que colher.’”

A vida só é possível através dos desafios. A vida só é possível quando você tem tanto bom tempo quanto o mau tempo; quando tem prazer e dor; quando tem inverno e verão; quando tem tristeza tanto quanto felicidade, desconforto tanto quanto conforto. A vida passa entre essas duas polaridades.

Movendo-se entre essas duas polaridades, você aprende a se equilibrar. Entre essas duas asas, você aprende a voar até a estrela mais distante.”

O ser humano tem o desejo de controlar tudo e querer que tudo aconteça conforme seus desejos, porém ele se esquece que a vida é repleta de polaridades, de desvios, de pedras, de tempestades, de trovoadas, absolutamente necessárias para o nosso crescimento. É impossível que uma planta cresça com raízes fortes e troncos maciços sem que a natureza faça a sua parte, alternando sol, chuva, vento, neve… Da mesma forma somos nós, é impossível que cresçamos felizes, equilibrados e harmonizados sem os sofrimentos e as quedas. Isso parece contraditório, mas faz parte da nossa natureza.

Nós só podemos compreender o que é felicidade se tivermos dias tristes, só podemos entender que existe o inverno porque existe o verão, só há o dia se houver também a noite, só existe o amor porque também existe o ódio e a indiferença, só existe a vida porque ao final de nossa existência nos confrontamos com a morte… Imagine ter que conceituar e definir tudo isso sem as polaridades? Seria simplesmente impossível! É isso o que o Osho está querendo dizer com esta brilhante parábola.

O sol é tão importante quanto a chuva, o vento, a neve e as tempestades, a soma de tudo gera uma planta saudável com frutos abundantes. Nós também podemos colher frutos abundantes a partir de todas as nossas experiências, tanto as boas quanto as más, todas são importantes e servem para o nosso crescimento.

Pense sobre isso e passe a compreender cada vez mais a importância das polaridades tão presentes na nossa vida…

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