Artesanato da Mente

Um olhar sem julgamentos

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Eu li no livro “Uma ética para o novo milênio”, do mestre Dalai Lama, uma das mais belas abordagens sobre a empatia e o olhar sem julgamentos. Eu aprendi e ainda continuo aprendendo muito com o Dalai Lama a ser uma pessoa melhor. Já falei isso aqui e não tenho vergonha de dizer, um dos meus defeitos é que sou uma pessoa julgadora em determinados momentos, muitas vezes antipatizo com algumas pessoas sem trocar com elas uma única palavra, mas estou em um processo de melhora nesse ponto e devo isso muito a ele, que me ensina com sua ética e simplicidade tão contagiantes.

Quando nossos atos são pautados pela consideração pelos outros, nosso comportamento para com eles é sempre positivo. Porque não há lugar para desconfianças e reservas quando nossos corações estão cheios de amor. É como se uma porta interior se abrisse e nos permitisse alcançá-los. Ter consideração pelos outros é o que faz cair a barreira que impede a interação saudável com o próximo. E não apenas isso. Quando nossas intenções para com os outros são boas, verificamos que diminui muito qualquer timidez ou insegurança de nossa parte.

À medida que somos capazes de abrir essa porta interior, sentimos que nos libertamos de nossa preocupação habitual com nosso próprio eu. Paradoxalmente, constatamos que isso dá margem a uma forte sensação de confiança. Portanto, se posso citar minha própria experiência, vejo que, cada vez que encontro gente nova e tenho essa disposição positiva, não há barreiras entre nós. Não importa quem ou o que sejam, se têm cabelos louros ou pintados de verde, sinto que estou apenas encontrando um semelhante com o mesmo desejo de ser feliz e não querer sofrer que eu tenho.

E descubro que posso falar com eles como se fossem velhos amigos, mesmo sendo nosso primeiro encontro. Tendo em mente que, em última análise, somos todos irmãos e irmãs, que não há nenhuma diferença substancial entre nós, que, como eu, todos os outros também querem ser felizes e não sofrer, posso expressar meus sentimentos e opiniões com tanta espontaneidade quanto faria com alguém que conhecesse intimamente há anos. E não apenas com algumas poucas palavras ou gestos simpáticos, mas realmente de coração aberto, sem fazer caso da barreira da língua.

Descobrimos ainda algo mais quando agimos movidos pela consideração pelos outros: a paz que isso cria em nossos corações é transmitida para todos aqueles com quem nos relacionamos. Trazemos paz à família, paz aos nossos amigos, ao ambiente de trabalho, à comunidade e, assim, ao mundo. Por que, então, não nos empenharmos em desenvolver essa qualidade? Pode haver algo mais sublime do que aquilo que traz felicidade e paz para todos? De minha parte, penso que só a tendência que todos nós temos para o amor e a compaixão já é em si um dos dons mais preciosos a serem explorados.”

Essas são palavras riquíssimas de ensinamentos. Se você ler com bastante atenção perceberá que, se as pessoas verdadeiramente as colocassem em prática na vida, o mundo inteiro seria bem mais equilibrado, porque elas desenvolveriam as virtudes mais nobres: o amor, a compaixão, o altruísmo, a simplicidade, a pureza etc. Mas isso se torna difícil de se tornar realidade porque vivemos em um mundo cheio de pessoas egocêntricas, que pensam apenas na sua própria felicidade e bem-estar, e estas não se dão conta que a felicidade genuína se conquista justamente com a doação ao próximo, ou seja, quanto mais eu me dôo aos outros, mais feliz eu me torno. O Dalai Lama é prova viva disso! Ele é um homem extremamente feliz e realizado, a sua vida é uma eterna doação e isso lhe transmite a felicidade, e junto com ela, a paz, a saúde, o equilíbrio, a serenidade, etc.

Achei incrível o que ele falou sobre a disposição positiva em receber as pessoas. Aqui eu quero tocar em algo bem delicado, as religiões. É comum não haver essa disposição positiva entre religiões diferentes, o que discordo completamente, as pessoas de uma religião não são diferentes das de outra, nós somos todos irmãos e temos a mesma natureza interna. Muitos conflitos são gerados e desenvolvidos a partir deste olhar carregado de preconceitos, de sentimentos de superioridade, de vaidades, de prepotências, e tudo isso só traz infelicidade e desequilíbrios.

Eu fico refletindo sobre isso, as religiões deveriam nos aproximar cada vez mais de Deus e dos irmãos, mas muitas vezes acontece o contrário. Por isso eu sempre gosto de escrever que, bem antes de desenvolver a religiosidade, é necessário que desenvolvamos a nossa humanidade, pois, quanto mais humano eu sou, mais eu me torno um ser espiritual, e a religião será apenas um complemento de algo se vem da minha interioridade. O Dalai Lama é budista, porém, muito antes de ele ser um religioso, ele é um ser humano ético, que respeita as pessoas, independente de religião, de raça, de origem, de preferências sexuais etc.

Falar de amor, de união, de concórdia, de luta contra os preconceitos, é muito fácil, agora viver na prática do dia a dia é bem diferente. É um processo de mudanças que deve ser vivido. Eu estou buscando desenvolver esse olhar livre de preconceitos, de amarras, de sentimentos de superioridade. Não é fácil, mas é perfeitamente possível.

Que você reflita sobre essas poucas palavras e procure se tornar um ser humano melhor. Para continuar refletindo sobre esse tema tão importante, compartilho um excelente vídeo do jornalista Flávio Siqueira, que trata de muitas das questões levantadas neste texto. Escute com bastante atenção e procure colocar em prática esses ensinamentos…

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