Artesanato da Mente

Há diferença entre ser virtuoso e “vir a ser” virtuoso

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Outro dia li algumas palavras profundas do místico indiano Krishnamurti e refleti bastante sobre as virtudes e o quanto nossa sociedade está carente de pessoas VIRTUOSAS de verdade. Leia com bastante atenção…

“Se desejais saber o que sois, não podeis imaginar ou ter uma crença numa coisa que não sois. Se sou ganancioso, invejoso, violento, o simples fato de nutrir um ideal de não-violência, de não-ganância, é de pouco valor. Saber, porém, que somos gananciosos ou violentos, sabê-lo e compreendê-lo, requer um percebimento extraordinário, não é verdade? Requer honestidade, lucidez de pensamento, ao passo que seguir um ideal apartado do que é representa uma fuga, que nos impede de descobrir e de atuar diretamente sobre o que somos.

A compreensão do que somos, não importa como somos feios, belos, perversos, malignos – a compreensão do que somos, sem disfarce, é o começo da virtude. A virtude é essencial, porque dá liberdade. É só na virtude que se pode descobrir, que se pode viver – não no cultivo da virtude, que leva só à respeitabilidade e não dá compreensão e liberdade. Há diferença entre ser virtuoso e “vir a ser” virtuoso. O ser virtuoso vem com a compreensão do que é, ao passo que o “vir a ser” virtuoso é adiamento, ocultação do que é com o que desejaríamos ser. Por conseguinte, no “vir a ser” virtuoso evita-se a ação direta sobre o que é.

Esse processo de evitar o que ê, pelo cultivo do ideal, é considerado virtuoso; se o observarmos, porém. Muito atenta e diretamente “cremos que não tem esta qualidade. É um mero adiamento do nosso encontro com o que é. Virtude não é “vir a ser” o que não é; virtude é compreensão do que é. portanto o estado em que estamos livres do que é. A virtude é essencial numa sociedade que se está desintegrando rapidamente. Para criar um novo mundo uma nova estrutura, diversa da velha, é preciso liberdade para descobrir: e para ser livre, é indispensável a virtude, porque sem virtude não há liberdade.

Pode o homem imoral que luta para se tornar virtuoso chegar a conhecer a virtude? O homem que não é moral nunca pode ser livre e por conseguinte nunca descobrirá o que é a realidade. A realidade só se encontra na compreensão do que é; e para compreender o que é, deve haver liberdade, libertação do medo do que é.”

Krishnamurti

Nessas palavras ele vem nos alertar de uma forma muito bonita sobre a vivência das virtudes completamente atreladas ao AGORA, ao MOMENTO PRESENTE. Se você prestou atenção nas suas palavras, vai perceber que ele está, de certa forma, falando sobre as religiões, que promovem o “cultivo” das virtudes ligando quase sempre ao FUTURO, ao depois, e não ao agora. Essa mudança de perspectiva é o que tem feito com que o EGOCENTRISMO tome conta das pessoas.

As suas palavras finais são incríveis: “A realidade só se encontra na compreensão do que é; e para compreender o que é, deve haver liberdade, libertação do medo do que é”. O que é, só se compreende com esse AUTOCONHECIMENTO, você com você mesmo, e não através de um padre, de um pastor, de um mestre, de um guru, de um “pai de santo”, NÃO, é você, em quietude, no mais profundo do seu coração, que compreende essa verdade: “Conhecerei a verdade e a verdade vos libertará…”.

Apenas em liberdade podemos aprender a ser virtuosos. A virtude sempre nasce da liberdade. Por essas e outras que muitas pessoas que vivem fanaticamente suas religiões não praticam as grandes virtudes, porque não vivem em liberdade, fazem o que o padre manda, o que o pastor manda, o que o guru manda, e não se questionam, simplesmente aceitam, como “calanguinhos”, só balançando a cabeça com submissão.

Muito cuidado com isso! Como pode haver uma revolução na nossa sociedade desta forma? O Krishnamurti está procurando semear nas mentes dos seus leitores e ouvintes uma mudança de vida com essas palavras, porém, muitos ficam completamente dominados pelo medo e assim, não mudam, perpetuando uma mentalidade pequena, medíocre e individualista.

Queira ser diferente! Abra espaço no seu coração para acolher a SUA VERDADE. Perceba! A sua verdade é exclusivamente sua, neste texto estou apenas lhe levando a pensar e se questionar um pouco, mas não existe nenhuma verdade absoluta no que estou dizendo aqui. Nessa lógica está inserida a liberdade, você tem toda a liberdade de ver algum sentido no que estou dizendo, mas também tem a liberdade de achar tudo um lixo e jogar no ralo do banheiro, a escolha é sua! O que você escolhe?

Tente pouco a pouco eliminar da sua vida esse “vir a ser”, porque quanto mais nos fixamos nesta ideia, mais o que queremos ser se torna algo distante, ou até mesmo utópico. Por que você acha que existem tantas pessoas “realistas” no mundo? E não pessoas “visionárias”? Porque elas pensam sempre em termos de FUTURO e não de AGORA. Se você observar as pessoas visionárias que surgiram e continuam surgindo no mundo, elas não deixam seus sonhos e metas para depois, para amanhã, elas fazem no HOJE. Elas batalham para realizar seus sonhos passinho por passinho.

O Krishnamurti está falando sobre isso também, você tem buscado ser AUTÊNTICO? Não ter medo de ser você mesmo? Não ter medo de expressar para todo mundo quais são seus maiores sonhos? Para quê ter medo? Acredite neles e faça acontecer. Seus sonhos podem se tornar realidade. Com autenticidade você pode se tornar virtuoso, mas ficar de cabeça baixa, concordando com tudo que tentam lhe impor, não é autenticidade, isso é subserviência, você quer ser livre e autêntico, ou subserviente e submisso? Mais uma vez, isso é uma ESCOLHA, só depende de você.

Há muito mais a ser refletido e retirado de ensinamento dessas sábias palavras do grande Krishnamurti, mas deixarei as reflexões com você.

Busquemos a verdadeira virtude, e não o “vir a ser”. Deixe o “vir a ser” apenas para as pessoas que insistem e deixar a vida para depois, e quando menos esperam, já foi. Pense sobre isso…

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