Artesanato da Mente

Te amo pra sempre?

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Nós fomos acostumados a falar certas coisas que quando analisadas mais profundamente são, no mínimo inadequadas. Entre essas frases está o famoso “Te amo pra sempre…”.

Será que existe esse amor tão forte assim que se sustenta por todo o sempre? Por toda a eternidade?

Quero através desse breve texto lhe questionar sobre essa afirmação bastante duvidosa. Para embasar melhor a argumentação, compartilho algumas sábias palavras do Psicólogo e Palestrante Vitor Antenore Rossi. Confira!

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Quando as sinceras juras de amor são vencidas pela rotina ou pela desilusão, os pares acabam caindo em uma espécie de dissociação afetiva. O outro que era como um farol durante as tempestades torna-se um rochedo contra o qual colisões constantes passam a ocorrer.

A casa que antes era grande toma a aparência de um quarto apertado. A cama que era ninho torna-se fronteira, com espaços bem delimitados onde nem mesmo a invasão de um cotovelo é admitida.

Amar nunca será um problema, mas exigir ou garantir sua validade sim. O fato de estarmos em constante mudança produz movimentos internos fortíssimos que podem fortalecer ou minguar qualquer tipo de sentimento ou convicção.

O amor não se concretiza pela assinatura de papeis, troca de alianças ou pela benção de um estranho “capacitado” para fazê-lo. De maneira geral, é impossível tornar concreto aquilo que só existe em estado abstrato.

O amor pode sim ser eterno, mas isso não significa que seja possível aprisioná-lo. Enquanto ainda formos norteados por desejos e projeções, o amor será um visitante muito querido que escolhe quando e como nos visitará, mas sua essência livre jamais permitirá que façamos dele um servo ou um prisioneiro.

Quem não ama a liberdade, não vive o verdadeiro amor.

Vitor Antenore Rossi

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Eu concordo plenamente com as suas palavras e reforço pra você que o verdadeiro amor está profundamente conectado com a LIBERDADE.

É muito interessante a crítica que ele faz à nossa tentativa de tornar concreto aquilo que é e sempre será abstrato. O amor não se define pelo casamento! Se assim o fosse não veríamos tantos casais se separando ou vivendo vidas infelizes dentro do matrimônio.

Eu sonho em ver uma sociedade na qual o amor seja compreendido como algo FLUÍDICO e MUTÁVEL.

O amor é algo que cresce à medida que crescemos em CONSCIÊNCIA. Quanto maior a consciência mais livres seremos, quanto menor a consciência, mais apegados!

O apego é um sentimento puramente EGÓICO e só podemos transcendê-lo através do AUTOCONHECIMENTO.

Não estou trazendo nenhuma novidade nesse texto, estou apenas reforçando o que você já sabe teoricamente, mas talvez ainda não coloque na prática da vida.

É algo extremamente difícil amar alguém pra sempre, até porque sempre dá a ideia de ETERNIDADE. E se estamos falando de eternidade já se torna incoerente, porque não sabemos bem como é a vida após a morte. Se dois seres estão destinados a viver juntos ou se reencontrar do outro lado é algo tão incerto que não podemos sequer cogitar nenhum tipo de afirmação.

Sem contar que essa ideia de TEMPO nos relacionamentos sempre gera enormes EXPECTATIVAS em ambas as partes. Se digo à pessoa que amo que vou lhe amar pra sempre, ela provavelmente vai acreditar nisso e daí a expectativa já está plantada. E sabemos muito bem que as expectativas andam de mãos dadas com as FRUSTRAÇÕES não é mesmo? Então pra evitar futuras frustrações, o ideal é não abrir a boca pra dizer “Te amo pra sempre…”.

Há muito mais a ser refletido a partir dessas palavras, mas deixo as reflexões com você. Aproveito pra compartilhar  um breve áudio que gravei a partir desse pequeno texto do Vitor Antenore. Vale a pena reservar uns minutinhos para ouvi-lo…

 

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