Artesanato da Mente

Eu quero aproveitar o meu tempo de forma que me humanize

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Antonio Candido

Estou escrevendo e publicando esse texto exatamente no dia da morte de um ser humano incrível e que nos deixou um imenso legado de sabedoria, o sociólogo Antonio Candido. Falecido no dia 12 de maio de 2017 aos 98 anos de idade.

Esse senhor foi professor de sociologia em uma das melhores universidades do Brasil, a USP, e resenhou livros de autores lendários como João Cabral de Melo Neto e a querida Clarice Lispector. Enfim, sua partida deixará muitas saudades.

Farei uma breve reflexão a partir de um pequeno recorte de palavras escritas por ele. Uma reflexão sobre a importância de utilizarmos nosso tempo com sabedoria, valorizando os afetos em detrimento das coisas materiais! Confira!…

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“Acho que uma das coisas mais sinistras da história da civilização ocidental é o famoso dito atribuído a Benjamim Franklin, ‘tempo é dinheiro’. Isso é uma monstruosidade. Tempo não é dinheiro. Tempo é o tecido da nossa vida, é esse minuto que está passando. Daqui a 10 minutos eu estou mais velho, daqui a 20 minutos eu estou mais próximo da morte. Portanto, eu tenho direito a esse tempo. Esse tempo pertence a meus afetos. É para amar a mulher que escolhi, para ser amado por ela. Para conviver com meus amigos, para ler Machado de Assis. Isso é o tempo. E justamente a luta pela instrução do trabalhador é a luta pela conquista do tempo como universo de realização própria. A luta pela justiça social começa por uma reivindicação do tempo: ‘eu quero aproveitar o meu tempo de forma que eu me humanize’. As bibliotecas, os livros, são uma grande necessidade de nossa vida humanizada.”

Antonio Candido

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Eu sempre costumo dizer para todo mundo o mesmo que o Antonio Candido diz nesse pequeno texto: “tempo não é dinheiro, tempo é VIDA, vida que vai se esvaindo segundo a segundo…”.

Quando internalizamos no mais profundo do nosso ser essa verdade, passamos a valorizar muito mais as pequenas coisas da vida e acima de tudo, o convívio com as pessoas que a gente ama!

Sei que se trata de uma frase cliquê, mas ela tem uma profundidade imensa e não poderia deixar de reproduzi-la aqui: “O maior presente que você pode dar a alguém é o seu tempo, porque se trata de uma parte da sua vida que nunca mais irá voltar…”. Nem referencio essa frase porque ela é atribuída desde Buda Gautama à Jô Soares, passando pelo Roberto Carlos e a Lady Gaga!

Cada dia que passa eu levo mais a sério essa sabedoria e procuro ser muito sincero e transparente com as pessoas! Se alguém não me agrada para conviver, de forma educada e silenciosa, me afasto dela e tudo fica bem.

Eu penso da seguinte maneira: “Assim como não quero fingir ser o que não sou, também não quero forçar essa pessoa a conviver com alguém que não valoriza cada segundo ao seu lado…”.

Esse é um pensamento interessante, porque revela autenticidade, ao mesmo tempo que revela também EMPATIA. Eu realmente tento me colocar no lugar da outra pessoa e faço comigo mesmo um diálogo, na realidade um monólogo, mais ou menos assim: “Caramba! Esse Isaias é um chato! O cara fica só na dele e não interage…”.

É bem por aí! Quando não tenho afinidade com alguém me comporto de forma parecida com aquele velho ditado: “entro mudo e saio calado”. Como tenho consciência de que isso pode ser desagradável para a pessoa com quem não afinizo, então faço o que grandes terapeutas como o Arly Cravo e a Gisela Vallin ensinam! Utilizo a sabedoria da DISTÂNCIA SAUDÁVEL, que é mandar boas energias à distância para todas as pessoas por quem não afinizo!

Isso é a arte de viver através dessas palavras simples do mestre Antonio Candido!

O título desse texto fala sobre humanização! Talvez você se pergunte: “Mas isso é humanização?”. É claro que sim! Desumanização é você se utilizar de uma ou várias MÁSCARAS para fingir ser quem você não é!

Às vezes até comento isso conversando com amigos, a AUTENTICIDADE é uma virtude bastante cara, não em termos financeiros, mas em termos de busca pelo autoconhecimento. Só se torna verdadeiramente autêntica a pessoa que passou por muitas experiências até não mais permitir que o EGO se sobressaia sobre a essência! Em boa parte dos textos que escrevo falo sobre isso, porque sei o quanto é preciso repetirmos essas ideias para que elas sejam de fato internalizadas!

Concluo esse texto com o que ele fala à respeito do conhecimento. Todos os dias me lembro desse cliquê que considero extremamente profundo: “Conhecimento é a única coisa que ninguém jamais poderá tirar de você.”

Já pensou que incrível? Praticamente tudo nessa vida é passageiro, tem começo, meio e fim, mas o conhecimento não! Esse fica para sempre registrado no nosso DNA, no nosso espírito! Portanto, siga essa sugestão do Antonio Candido e minha também!

Busque ler e estudar de forma que isso se torne um hábito, pois dessa forma você estará tornando sua vida muito mais significativa e bela! Sem contar que com mais conhecimento você terá mais recursos para compartilhar experiências bacanas com as pessoas queridas! Só consigo enxergar vantagens e mais vantagens!

Há muito mais a ser refletido sobre essas sábias palavras do mestre Antonio Candido, mas deixo as reflexões com você!

Que aproveitemos nosso tempo de forma que nos humanizemos…

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