Artesanato da Mente

Não seja uma pessoa prolixa

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Esses dias li uma frase magnífica atribuída ao escritor francês do século XVII La Rochefoucauld que falava sobre o poder que os espíritos evoluídos têm de transmitir grandes ideias em poucas palavras. Segue abaixo suas palavras:

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“Como é característico dos grandes espíritos fazerem entender em poucas palavras muitas coisas, os pequenos espíritos, pelo contrário, têm o dom de muito falar e nada dizer.”

La Rochefoucauld

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Esse é um tema que até esse momento não me ative, a PROLIXIDADE. Ser prolixo é uma característica que algumas pessoas têm e que as tornam muito chatas. Inclusive a própria palavra “chato” não é bem entendida pela maioria das pessoas. A pessoa chata é aquela que tem uma consciência achatada, não tem profundidade em seu espírito. Em outras palavras, é aquela pessoa que tem um perfil medíocre e não faz o menor esforço para evoluir, para se autodesenvolver.

Em diversas áreas encontramos pessoas prolixas, no campo da literatura, no jornalismo, nas religiões, ou mesmo no campo familiar ao se ter rodas de conversa. São indivíduos que para falarem algo simples e por vezes até banal, fazem uma reviravolta imensa e cansativa. Fazem uma espécie de “volta ao mundo em 80 dias”, parafraseando o grande Júlio Verne.

Concordo com o escritor La Rochefoucauld, pois sendo eu um leitor voraz, percebo muito facilmente que existem escritores prolixos, e estes dificilmente conseguem se tornar notáveis, e tem aqueles escritores que se tornam eternos e são imortalizados, porque conseguem transmitir muita coisa em poucas palavras, e suas ideias têm uma espécie de magia, que encantam e prendem a atenção do leitor de uma forma única.

Quero citar apenas alguns exemplos de escritores que leio constantemente: Rubem Alves, Clarice Lispector, José Saramago, Fernando Pessoa, Huberto Rohden. E claro que tem também alguns que estão vivos no ano de 2018 como Mario Sergio Cortella, Clovis de Barros Filho, Alain de Botton, Jetsunma Tenzin Palmo, Dalai Lama etc. etc. Todos eles e muitos, muitos outros autores, são esses grandes espíritos citados por La Rochefoucauld.

Eu me inspiro neles para tentar pelo menos chegar a uns 5% da capacidade imensa que eles têm de encantar seus leitores. Se ao longo de minha vida como escritor conseguir esses 5% talvez possa até me considerar também um grande espírito! hehe

Escrevo isso com bastante cautela e humildade, porque tenho consciência de que existem leitores que leem um texto como esse dizendo: “Mas esse autor tá se achando hein?”. Não é isso! Estou apenas me utilizando das mesmas palavras que o autor supracitado. Pra falar a verdade nem sou adepto da palavra espírito nesse contexto, se tivesse escrito a frase atribuída a La Rochefoucauld usaria talvez a palavra “seres humanos” em vez de “espíritos”.

E como já citei em diversos textos, em minha opinião, o maior espírito ou o maior ser humano que já pisou nesse planeta foi Jesus Cristo. Ele sempre se comunicava através de parábolas. Histórias curtinhas, mas com uma riqueza de conteúdo que mesmo hoje, mais de 2000 anos depois, continuam sendo feitas releituras e reinterpretações. Ou seja, ainda hoje há muito a ser extraído de sua imensa sabedoria.

Portanto, até para fazer jus ao tema explicitado, a prolixidade, ficarei por aqui! Quero lhe instigar com essa pequena provocação filosófica a conhecer um pouquinho mais os autores incríveis que foram citados, que com o grande espírito que têm, ajudam milhares ou mesmo milhões de pessoas, a crescerem em consciência e intelectualidade…

 

 

 

 

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