Artesanato da Mente

A sabedoria prática de Viktor Frankl

“Quando a situação for boa, desfrute-a. Quando a situação for ruim, transforme-a. Quando a situação não puder ser transformada, transforme-se.”

Viktor Frankl

Apesar de curta, essa frase traz reflexões de imensa importância para nós. O cerne do que o Frankl quis dizer tem relação com nossas ATITUDES na vida. Infelizmente, a maior parte das pessoas tem atitudes extremamente condicionadas, em outras palavras, falta autenticidade, que é uma das virtudes que mais aprecio e procuro desenvolver em mim.

Com relação às situações boas, na realidade, são poucas as pessoas que de fato desfrutam delas, porque isso só é possível vivendo o momento presente. E se existe algo que está em falta no mundo de hoje é a falta de presença. Não é à toa que um dos livros que há tempos está entre os maiores best sellers se chama “O poder do agora”, de Eckhart Tolle, um livro magnífico que já li inteiro três vezes.

Fiz questão de fazer esse adendo porque eu sei que, infelizmente, existem preconceitos por parte de muitos leitores em relação a livros que são best sellers, como se fossem livros de “segunda categoria”. Eu mesmo já tive até bem pouco tempo atrás e não me envergonho de reconhecê-lo abertamente. Esse livro do Eckhart Tolle é diferenciado, porque se trata de uma transcrição de uma experiência espiritual que transformou a sua vida para sempre.

Enfim, o segredo para desfrutar as boas situações está em viver o momento presente com plenitude.

Para as situações ruins, podemos transformá-la. Você bem sabe que nada dura para sempre, tudo muda! Como diz o ditado: “Depois da tempestade vem a bonança”. E gosto de complementar com um famoso pensamento de Chico Xavier que diz: “Isso também passa”. E claro que se trata das situações boas e das ruins. Ou seja, transitamos entre elas o tempo todo, e não adianta tentar fugir disso porque essa é a dinâmica da vida.

Para transformarmos as situações ruins precisamos desenvolver importantes virtudes como a CORAGEM e a OUSADIA. Nessa hora eu sempre lembro das pessoas que se fazem de “boazinhas”. Elas não têm essas duas virtudes desenvolvidas. Coragem, como sempre reitero, significa “viver pelo coração”. Não dá para viver pelo coração com fingimentos, é absolutamente impossível. As pessoas que querem ser “boazinhas” baixam a cabeça para tudo, até para aquilo que as levará à ruína pessoal. Elas insistem em vestir uma máscara que, ao longo dos anos, se transforma numa verdadeira crosta, difícil de ser retirada.

Quero lhe alertar para a importância de ser bom sem ser “bonzinho”. São comportamentos absolutamente diferentes. Ser bom é ser justo, é saber se colocar no lugar dos outros com sabedoria, sem sentir pena de ninguém e sem ser invasivo. É saber ouvir, saber falar na hora certa, é acreditar no potencial de desenvolvimentos das pessoas que mais se ama etc.

Em resumo, ser bom exige um profundo mergulho no autoconhecimento. Ser “bonzinho” é uma espécie que repetição de padrões que são herdados da família e que, se não forem mudados a partir da consciência, vão se perpetuando geração após geração.

O final da frase é a parte mais profunda, pois traz uma verdade universal: ninguém muda ninguém. Por mais que se tente, até hoje não se conseguiu questionar a veracidade dela.

Já que não se pode mudar as outras pessoas, só nos resta mudarmos a nós mesmos. Essa mudança pessoal é extremamente enfatizada pelos espiritualistas da seguinte maneira: mude a você mesmo, pois a sua mudança pode influenciar na mudança de todos ao seu redor.

Os grandes mestres que revolucionaram a história do mundo ensinaram através do exemplo, como por exemplo: Jesus Cristo, Buda, Yogananda, Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá, Gandhi etc.

O que é mais interessante é que, de fato, mesmo existindo situações que não podem ser mudadas, se mudarmos a nós mesmos, seremos estimuladores na evolução de consciência coletiva, que acontece a passos muito lentos, mas acontece.

Viktor Frankl sabia disso e dessa maneira formulou toda a sua teoria da Logoterapia, que enfatiza a busca de sentido na vida. Segundo ele, esse sentido está em confiar e ter fé, mesmo nas situações mais adversas.

A simplicidade da sua sabedoria é maravilhosa. Quanto mais o tempo passa, mais eu tenho aprendido que não precisamos mergulhar em teorias complexas nem estudar os pensadores mais avançados da Filosofia ou da Ciência. NÃO. Precisamos desenvolver nossa humanidade, e são ensinamentos simples e práticos como esse do Frankl que influenciam de forma muito mais decisiva a vida das pessoas de um modo geral!

Claro que para os que amam o estudo e os conhecimentos como eu, vale a pena estudar teorias complexas, mas antes de tudo, é preciso ter essa consciência de que a mudança verdadeira se dá na vida, na prática das virtudes no cotidiano.

Que aprendamos com esse mega terapeuta que nos deixou em 1997 e que continuará vivo nos corações de todos aqueles que beberem de sua sabedoria!

 

 

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