Asas e Flaps

Sud Aviation Caravelle, no Brasil voou pela Varig, Cruzeiro e Panair do Brasil

Em 12 de Outubro de 1951 o Comité du Matériel Civil (Comissão de Aeronaves Civis da França) publicou uma especificação para um avião de médio curso, que fosse, posteriormente enviado para a indústria pela Direction Technique et Industrielle. Esta definia uma aeronave com capacidade para entre 55 e 65 passageiros e 1.000 kg de carga, em percursos de até 2.000 km, com uma velocidade de cruzeiro de aproximadamente 600 km/h. O tipo e o número dos motores não foram especificados. Os vários estudos de projeto para um avião nesta categoria tinham vindo a ser realizados desde 1946 por diversos fabricantes aeronáuticos franceses, mas nenhum teve a capacidade financeira para começar a construção.

A resposta da indústria francesa foi forte, com cada fabricante principal a emitir pelo menos uma proposta, com um total de 20 projetos diferentes recebidos. A maioria das propostas utilizava o turbojato, embora a Breguet apresentasse um número de projetos tanto com turbojato como com turbopropulsores. Entre estes um era para um tri-jato propulsado por motores Atar, a ser desenvolvido em associação com a SNCA du Nord e um tipo de turbopropulsor, ambos designados por Br. 978. A Hurel-Dubois apresentou diversos projetos de turbopropulsores baseados numa fuselagem estreita com asa alta, semelhante a muitos aviões regionais de turbopropulsores. As propostas da SNCA du Sud-Ouest incluíram o S.O.60 com dois motores Rolls-Royce Avon RA.7 e com dois menores Turbomeca Marborés como motores auxiliares. A SNCA du Sud-Est apresentou um número de projetos designados de X-200 a X-210, todos de puro jato.

Após ter estudado as várias propostas, o Comité du Matériel Civil reduziu a lista a três em 28 de Março de 1952: o Avon/Marbore S.0.60 quadrimotor, o projeto de dois motores Avon da Hurel-Dubois, e o de três motores Avon Sud-Est X-210. Por esta altura a Royce-Royce começou a oferecer uma versão nova do Avon que poderia desenvolver uma potência de 9.000 lbf (40 kN), fazendo os motores auxiliares no S.O.60 e o terceiro motor no X-210 desnecessários.

O comité solicitou à SNCASE para submeter novamente o X-210 como um projeto com dois motores Avon. Ao fazer assim decidiram não se preocupar em mover os motores restantes da sua posição montada na cauda. A maioria de projetos apresentava os motores sob a asa onde poderiam ser montados na estrutura para um peso total mais baixo, mas a SNCASE sentiu que as economia não compensava o esforço. Isto tornou-se num benefício para o projeto, já que o ruído da cabine foi bastante reduzido. O projeto X-210 revisto com dois Avons foi submetido novamente ao SGACC em Julho de 1952.

Dois meses mais tarde o SNCASE recebeu a notificação oficial de que o seu projeto tinha sido aceite. Em 6 de Julho de 1953 o SGACC encomendou dois protótipos e duas fuselagens estáticas para testes de fadiga. O projeto da Sud incorporava diversas características da fuselagem da de Havilland, uma companhia com a qual a Sud teve contactos anteriores para diversos projetos. A área do nariz e a disposição da cabina de pilotagem foram ambas retiradas do Comet, enquanto que o resto da aeronave foi projetada localmente.

O primeiro protótipo foi concluído em 21 de Abril de 1955 e voou em 27 de Maio, o segundo seguiu-se um ano mais tarde em 6 de Maio de 1956. O primeiro protótipo tinha uma porta de carga no lado esquerdo inferior da fuselagem, mas esta foi removida no segundo protótipo para uma disposição só com assentos. A primeira encomenda foi realizada pela Air France em 1956, seguida por uma da SAS em 1957. Nesse ano a Sud-Est fundiu-se com a Sud-Ouest para se transformar na Sud-Aviation mas designação original SE foi mantida. Mais encomendas se seguiram, desencadeadas principalmente por apresentações em espetáculos aeronaúticos e por demonstrações aos clientes potenciais. O Caravelle foi certificado em maio de 1959 e entrou logo após ao serviço com a SAS e a Air France.

Obrigado ao Edson Antonio Ferreira Matosinho pela postagem do video abaixo na ABRAPAER

http://youtu.be/i55k6cn9W4w

Diversos modelos foram produzidos já durante a fase de produção, já que a potência dos motores disponíveis foi crescendo e permitindo pesos de decolagem mais elevados. Nesta altura o departamento de projetos da Sud-Aviation orientou-se para um transporte supersónico do mesmos tamanho e alcance gerais que o Caravelle, designado naturalmente Super-Caravelle. Porém este trabalho seria fundido mais tarde com aquele semelhante a ser desenvolvido pela Bristol que iria dar origem ao Concorde. Em algumas configurações, o avião dispunha de um número de assentos de passageiro voltados para a traseira, um arranjo incomum numa aeronave civil.

No total, 282 Caravelles de todos os tipos foram construídos (2 protótipos mais 280 de produção).

Abaixo video de Comercial da VARIG destacando o Caravelle

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=UsUJvw_BHPU[/youtube]

Fonte: Wikipedia