Asas e Flaps

Gravidade Zero, sonho de toda criança #video

E então aconteceu de verdade.

Até agora está difícil de acreditar.

Uma das memórias mais antigas que tenho é de um gráfico em um Atlas (sim, sou do tempo em que a Wikipedia era de papel e você comprava no início do ano escolar) que mostrava como havia sido a primeira viagem do homem a lua.

Eu olhava aquele gráfico e me perguntava o quanto de coragem seria preciso em um homem para vencer aquele desafio do desconhecido, talvez a mesma coragem que os navegadores portugueses tiveram ao acreditar que havia algo além do mar sem fim?

A resposta veio no último dia 31 de Março de 2012 em New York City: realizei um sonho de saber finalmente como alguém se sente na ausência de gravidade: voei no G-Force One, um total de 15 parábolas, sendo 1 com a gravidade de Marte (1/3 da gravidade da Terra), 2 lunares (1/6 da Terra) e 12 com gravidade zero.

Como funciona:

O dia do voo começa bem cedo, com um “briefing” obrigatório sobre segurança e o que esperar da aventura que virá a seguir. A ansiedade vai crescendo conforme a hora do voo vai se aproximando. Você recebe uma sacolinha com uns folhetos sobre o voo e o Flight Suit (macacão de voo) com um detalhe: o seu nome vem colado na roupa com um velcro, só que de cabeça para baixo e deve ser mantido assim durante todo o voo.

O G-Force One é um 727-200 adaptado especialmente para a missão de voo sem gravidade, ele possui a parte interna praticamente livre, sem assentos, sem bagageiro, sem galleys, sem banheiros e com assentos apenas na parte de trás da aeronave. Possui instrumentos especiais (acelerômetros) no cockpit, pelos quais os pilotos realizam a manobra (parábola) com exatidão, pois sentimos até a diferença entre a gravidade de Marte e da Lua.

Mas como se consegue anular a gravidade da Terra?

A aeronave é preparada e possui tripulação treinada para efetuar voos parabólicos, em que uma subida vertiginosa culmina com uma “queda” livre controlada: no momento da redução da subida até o mergulho de volta a altitude anterior anula-se a gravidade por aproximadamente 30 segundos.

No momento da subida da parábola, a 45 graus, a gravidade é quase dobrada (1.8 a 2.0 G) e você sente a pele do seu rosto sendo “puxada”, o simples ato de levantar o braço torna-se bem difícil. A troca constante entre o dobro da gravidade e a gravidade zero faz o seu corpo ficar meio… como direi… “perdido”, e não sem razão este tipo de voo tem o apelido de “cometa do vômito” (The Vomit Comet).

Eu gostaria muito de tentar descrever qual é a sensação de ficar sem peso, mas não consigo, pelo simples fato de não ser parecido com nada que fazemos na vida: não se parece com um mergulho no mar, pois seu corpo não fica “deslocando algo” e não adianta fazer movimento de nadar que não vai sair do lugar. Não se parece com um salto de paraquedas, pois você não cai e não tem a força do vento e não se parece com uma descida de montanha russa que te tira do assento… você simplesmente fica sem peso, e voa sem sustentação.

A foto abaixo é de logo depois do pouso, em que você é batizado e colocam o seu nome na posição certa no macacão de voo, ou seja, agora você deixa de ser novato em gravidade zero :).

As vezes as perguntas que fazemos demoram a ser respondidas. Todas as risadas no vídeo são de pessoas que voltaram a ser crianças, por sentirem algo que ainda não conheciam e que é maravilhoso, mesmo que enjoe.

No vídeo ha dois pontos de vista, o meu com a GoPro presa ao peito e que vai dar para perceber quando estou flutuando com os braços para frente e o ponto de vista de outra GoPro presa à cabeça do amigo Salvi (que foi o incentivador da viagem). Quando sair o vídeo oficial, se tiver tomadas legais, farei outro vídeo.

Abaixo a entrega do certificado e pelo enquadramento da pra perceber que o fotografo ficou afetado pela gravidade zero…r

Fonte: www.avioesemusicas.com/

Escrito por Lito,