Asas e Flaps

Pan American World Airways, um ícone americano que faliu em 1991, infelizmente.

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A Pan American World Airways, mais conhecida como Pan Am, foi a principal companhia aérea estadunidense da década de 1930 até o seu colapso em 1991. A ela foram creditadas muitas inovações que deram forma à indústria das companhias aéreas no mundo todo, como a utilização em larga escala e difundida de aviões a jato, de aviões Jumbo

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Pan Am 747 “China Clipper II” taxiing

e do sistema de reservas computadorizado. Identificada pela sua tradicional logomarca e pelo uso do “Clipper” nos nomes de seus aviões, a Pan Am foi um ícone cultural do século XX. A companhia está atualmente em sua terceira “encarnação” como a Pan Am Clipper Connection, operando em destinos no nordeste dos Estados Unidos, Flórida, República Dominicana e Porto Rico.

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A história
A história começou no dia 28 de outubro de 1927, quando decolou da pequena ilha de Key West, localizada no extremo sul do estado da Flórida, com destino à Havana em Cuba, uma pequena aeronave Fairchild FC-2 batizada de “La Niña”

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Nascia assim a PAN AMERICAN WORLD AIRWAYS, fruto das ambições do mais importante executivo de aviação de toda a história, Juan Terry Trippe.

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Com a ajuda de seu pai, um próspero banqueiro, e de seus colegas da tradicional Faculdade de Yale, ele levantou o equivalente hoje à US$ 5 milhões. Fundou a empresa, que em 1929, já tinha aeronaves voando desde Nova York até Mar Del Plata. Mas, isso era pouco para sua ambição. Trippe queria atravessar o Pacífico. Porém, os hidroaviões da época chegavam no máximo até o Havaí. Depois disso, não conseguiam cruzar o oceano por falta de autonomia. Inconformado com a situação, ele descobriu o atol de Wake

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perdido no meio do oceano, pequeno e completamente fechado, como se fosse uma letra “O” boiando no meio de uma vastidão azul. Trippe mandou dinamitar uma abertura no atol, e em 1935, conseguiu cruzar todo o Pacífico até as Filipinas utilizando-o como escala.

Em 22 de novembro desse mesmo ano, um Martin M-130,

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conhecido como “China Clipper”, iniciou os serviços postais na rota do Oceano Pacífico. O transporte de passageiros se iniciou no ano seguinte. Essa longa viagem começava na cidade de São Francisco, na Califórnia, tinha seis escalas e terminava em Hong Kong. O vôo durava alguns dias, e nas escalas intermediárias ao longo da rota (onde existiam várias pequenas ilhas), a PAN AM construiu hotéis para seus passageiros e tripulação. Em 1939, pouco antes da Segunda Guerra Mundial, os aviões da PAN AM cruzaram o Oceano Atlântico, inaugurando vôos para a Inglaterra, Marselha (França) e Lisboa (Portugal). No período pós-guerra, em 1955, a empresa estarreceu o mundo da aviação ao encomendar 20 Boeing 707 e 25 Douglas DC-8. Sucesso total. A primeira rota a jato da PAN AM foi abordo de um 707 em 1958, um vôo sem escalas de Idlewild (atual aeroporto JFK) a Paris. Em 1960 os clippers a jato da empresa já estavam voando pelo mundo todo

. Em 1966, a PAN AM mais uma vez chocou o mundo da aviação. Ao comando de Trippe, a empresa se juntou a Boeing para criarem uma nova geração de jatos: nascia assim o Boeing 747, um avião a jato que poderia transportar mais de trezentas pessoas.

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Trippe aposentou-se em 1968, passando o comando da empresa para Harold Gray, que morreria logo depois, sendo sucedido por Najeeb Halaby. Este não resistiu à crise do petróleo e aos caríssimos jumbos vazios em virtude da recessão do início dos anos 70. Foi substituído por Bill Seawell, autoritário executivo que endureceu as relações com os funcionários e cometeu erros marcantes. Um deles foi a compra da National Airlines por US$ 374 milhões, que finalmente deu a PAN AM acesso às rotas domésticas. Porém, meses depois, o governo americano desregulamentou o mercado e a PAN AM descobriu que pagou por algo que poderia ter saído de graça, o que custou a cabeça de Seawell. O novo Chairman, Ed Acker, fez pior. Em 1985, vendeu à United Airlines por US$ 750 milhões, todas as rotas da empresa para a Ásia, Austrália e ilhas do Pacífico, além de 18 aviões. A PAN AM encolheu 21%. Acker foi substituído por Tom Plaskett em 1988, que tentava colocar ordem no caos que havia se transformado a empresa, quando em 21 de dezembro um de seus 747 caiu sobre a cidade escocesa de Lockerbie, matando todos os seus ocupantes. A tragédia destruiu a última chance de recuperação para a PAN AM.

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A Guerra do Golfo, em janeiro de 1991, reduziu ainda mais o número de passageiros da combalida companhia aérea. Desesperada por capital, a empresa vendeu suas rotas transatlânticas, parte para a United Airlines, parte para a Delta Airlines. A empresa sangrava: perdia US$ 3 milhões a cada dia. A companhia aérea Delta chegou a oferece US$ 416 milhões em dinheiro, além de assumir US$ 389 milhões em dívidas. Mas, quando os executivos da Delta tiveram acesso ao caixa da PAN AM, descobriram um enorme rombo de US$ 1.7 bilhões. A Delta então desistiu do negócio. Sem capital para continuar operando, a PAN AM teve sua falência decretada no dia 4 de dezembro de 1991. Na tarde desse mesmo dia, o 727-200 “Clipper Goodwill”,

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procedente de Barbados, foi avisado pela torre de Miami que seria o último vôo da PAN AM. O comandante solicitou à torre autorização para executar um vôo rasante sobre a pista 12. “Afirmativo, Clipper: o céu é seu”, respondeu a torre. O 727 finalmente pousou, taxiou lentamente, escoltado por caminhões dos bombeiros, que desenharam nos céus um arco de água, tradicional maneira de marcar despedidas na aviação. Funcionários, com lágrimas nos olhos, cercaram o último Clipper. O comandante cortou os motores, e junto com eles, uma era da aviação, escrita com bravura, pioneirismo e elegância pela mais carismática empresa aérea de todos os tempos: a inesquecível PAN AMERICAN AIRWAYS.

Fonte: Mundo das Marcas

PanAm 707 – 1958

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