Asas e Flaps

Real Transportes Aéreos, lembram? A Real chegou a ter um frota de 117 aviões, dentre eles 86 Douglas DC-3/C-47 e 12 Convair, seis CV-340 e seis CV-440

4136 20

real

Palavras de Carlos Werner Dierkes

“Hoje, para comemorar o dia em que faria 90 anos, vou postar uma rarissima foto tirada pelo meu pai, Helmut Dierkes, de dois CV-340 da Real em Congonhas, dezembro de 1954. Trata – se de um diapositivo, tirado com uma camera Voigtländer Prominent de 35mm. no aeroporto de Congonhas”.

História

A Real Aerovias – Redes Estaduais Aéreas Ltda, foi fundada em 1945 por Vicente Mammana Neto. O primeiro vôo ocorreu dia 7 de fevereiro de 1946, operando entre São Paulo (Aeroporto de Congonhas) e Rio de Janeiro (Aeroporto Santos Dumont).

Da segunda metade da década de 1940 até 1955, a empresa experimentou sua primeira grande expansão, pela aquisição de empresas menores. Em 1948 adquiriu a Linhas Aéreas Wright e em 1950 a LAN – Linhas Aéreas NATAL. Com essas compras, a frota da REAL chegou a 20 Douglas DC-3/C-47.

real-2 hangar_dc-3_real_02mai11-1

Com a compra da LATB – Linha Aérea Transcontinental Brasileira, em agosto de 1951, a REAL expandiu consideravelmente sua malha na região nordeste do país.

Entre 1954 e 1956 foram adquiridas também a Aerovias Brasil e a Transporte Aéreo

prnac

Nacional. Finalmente, em 1957 adquiriu do empresário catarinense Omar Fontana, 50% do capital da Sadia, que em contrapartida passou a ocupar um cargo na Real.

real-3 tba.01

Com todas estas incorporações, a frota chegou a 117 aeronaves, que colocaram a empresa em 7° lugar no ranking da IATA, a mais alta posição já ocupada por uma empresa aérea brasileira até então.

As primeiras rotas internacionais foram abertas em 1951, com vôos para o Paraguai. Mas foi a compra dos 87% da Aerovias que levou a REAL a alçar vôos para os EUA.

Em 1960 a Real expandiu suas rotas, chegando a Tokyo. Porém nesse mesmo ano, foi encampada pela Varig.

 

Números da Real
  • A Real chegou a ter um frota de 117 aviões, dentre eles 86 Douglas DC-3/C-47 e 12 Convair, seis CV-340 e seis CV-440. Tais números a colocaram em 7° lugar no ranking da IATA em relação ao tamanho da frota, a mais alta posição já ocupada por uma empresa aérea brasileira, até então;
  • A Real chegou a ter a maior frota de Douglas DC-3 do mundo, com 86 unidades, no ano de 1959;
  • A empresa passou a se chamar Real – Aerovias, quando comprou 87% de uma companhia que se chamava Aerovias e fazia vôos charter para Miami;
  • Os Electras e Convairs 990A operados pela Varig, foram encomendadas pela Real Aerovias.

fsx-2011-nov-18-017

Aeronaves Operadas
  • Convair : CV-340 e CV-440

frotar13

  • Douglas : DC-3/C-47, DC-6B
  • Lockheed : L1049 Super H Constellation

1049varig

  • Outros : Curtiss C-46, Bristol 170, Aero Commander 560/680.

4-real 49317_1247234488

Marta Lucia Bognar carregou um arquivo no grupo ABRAPAER

ABRAPAER

” Esta semana ‘e aniversario do acidente ocorrido com a Aeronave DC3 no litoral de SP em 1957. O texto ‘e do Santiago Oliver . Tive oportunidade de colaborar na pesquisa historica e ela nos permite a oportunidade de constatar o avanço tecnologico que temos hoje em dia em todos os aspectos. Se este acidente ocorresse no mesmo local atualmente, com certeza muitos passageiros estariam vivos graças a eficiencia das tecnicas de comunicacao, busca, resgate e salvamento.”

real.logo

.

O ACIDENTE DO DOUGLAS DC-3 PP-ANX

ft_av_Douglas_DC_3

Avião DC – 3 , modelo o qual se chocou c/ o Morro do papagaio -Ilha Anchieta-Ubatuba-1957 – Imagem de Arquivo Blog UBATUBENSE

Na noite de 10 de abril de 1957, por volta das 18h20, o Douglas DC-3 (C-47) pertencente ao Consórcio Real-Aerovias, prefixo PP-ANX e nº de série13.048 chocou-se com o Morro do Papagaio, na Ilha Anchieta, próximo a Ubatuba, no Litoral Norte do Estado de SãoPaulo.

A aeronave, que saíra do Aeroporto Santos-Dumont, no Rio de Janeiro, às 17h30 e deveria pousar em Congonhas às 19h00, voava no meio de uma tempestade, transportando 26 passageiros. Era pilotada pelos comandantes Pedro Luis Dias Ferreira (34) e Igor Konovaloff (25), o radiotelegrafista José Vandranel (22) e o comissário de bordo Leonard Steagall (27).

Voando sobre o oceano no través de Ubatuba, houve algum problema nos motores e a tripulação comunicou ao controle de tráfego aéreo que tentaria fazer um pouso de emergência na praia, iniciando uma curva para a direita, enquanto perdia altura rapidamente. De acordo com o comissário Leonard, que sobreviveu apesar das graves queimaduras que sofreu em todo o corpo, o avião não se incendiou nem explodiu no ar, tendo se iniciado o fogo após o choque com a encosta do morro.

Com os escassos auxílios à navegação existentes na época, só no último instante os pilotos perceberam o Morro do Papagaio que surgiu à sua frente. Na tentativa desesperada de evitar uma colisão de frente, a tripulação tentou arremeter, mas a falta de potência tornou impossível a manobra.

Luis Andrade Cunha, um dos únicos três passageiros que sobreviveram, apesar dos ferimentos (os outros foram Dalva Zema e a sua filha Marlene) declarou que “após o primeiro impacto, quando a cauda e uma das hélices foram parar a cerca de 200 m, morro abaixo, o avião deu duas ou três cambalhotas antes de parar, com as asas separando-se da fuselagem”.

Ainda segundo Cunha, os pilotos e os passageiros sentados na frente devem ter morrido instantaneamente, devido ao estado em que ficou a seção dianteira da fuselagem. Ele lembrava ter visto o comissário Leonard sair da aeronave “como uma tocha humana” e que outros passageiros que pediam por socorro, foram morrendo enquanto esperavam para serem resgatados.

Pouco depois da 18h30, outro avião do consórcio comunicou ter visto uma grande fogueira na Ilha Anchieta. Somente tarde da noite, a autoridade policial da ilha conseguiu transmitir a notícia ao Secretário de Segurança do Estado de São Paulo.

De Ubatuba partiu uma comitiva para a Ilha Anchieta a fim de providenciar socorros médicos, enquanto militares da FAB e funcionários do consórcio, médicos e medicamentos eram reunidos às pressas na capital paulista para seguirem até o local do desastre.

Vinte e seis pessoas morreram na Ilha Anchieta naquela quarta feira, há

52 anos. Há 15 anos, conheci Leonard Steagall, que ainda ostentava as cicatrizes das graves queimaduras que sofreu.

Foi ele quem me contou esta e outras histórias do seu amigo, o Com. Igor Konovaloff, a quem eu teria gostado de conhecer. De não ter sido por aquela fatalidade, talvez hoje, passaríamos momentos agradáveis falando de aviões, quem sabe depois do jantar na minha casa ou na dele, meu sogro.

Autor: Santiago Oliver – Jornalista
Editor chefe AVIÃO REVUE
Presidente da ABAAC – Associação Brasileira de Aeronaves Antigas e Clássicas
Membro Honorário da Força Aérea Brasileira
REAL AEROVIAS BRASIL 1958 (DEPOIS VARIG)

 

A Queda do DC-3 PP-ANX  versão da Wikipédia, a enciclopédia livre

Foi um acidente aéreo ocorrido em 10 de abril de 1957. Operado pelo consórcio Real-Aerovias-Nacional, o Douglas DC-3 prefixo PP-ANX realizava o voo Rio – São Paulo das 17h30 min, previsto para pousar na capital paulista as 19h00 min. No entanto, uma pane em um dos motores obrigaria o piloto a tentar um pouso de emergência em Ubatuba. Enfrentando condições climáticas adversas, o DC-3 PP-ANX acabaria por bater na encosta do Pico dos Papagaios na Ilha Anchieta.

Sambr_ilhaanchietapraiap

Dos 26 passageiros e 4 tripulantes à bordo do aparelho, sobreviveriam apenas 1 tripulante e 3 passageiros.

Aeronave

O Douglas DC-3 foi uma aeronave desenvolvida para o transporte de passageiros no final da década de 1930. Por conta de suas qualidades como versatilidade (poderia ser rapidamente adaptado para o transporte de passageiros/cargas), robustez, fácil manutenção e baixo custo de operação, seriam empregados em larga escala pelas Forças Armadas Americanas durante a Segunda Guerra Mundial. Seriam fabricados mais de 10 mil aeronaves para o transporte militar, sendo batizadas C-47 Dakota. Após o final do conflito, o governo americano decidiu vender a maioria das aeronaves para operadores civis e demais forças aéreas do mundo. Com isso, milhares de aeronaves de transporte de carga do tipo C-47 Dakota seriam convertidas para a versão civil DC-3.

No Brasil, a REAL Transportes Aéreos seria fundada em 1946 e operaria inicialmente voss entre Rio de Janeiro e São Paulo. Na década de 1950, a REAL iria se converter em uma das maiores companhias aéreas do país (em 1959 já era a maior empresa área do Brasil, superando as tradicionais Panair do Brasil,VASP, VARIG e Cruzeiro do Sul2 ) controlando cerca de 30% do mercado aéreo doméstico.3 . Após receber seus primeiros DC-3 em 1946, a Real chegaria a operar 32 aparelhos desse tipo pouco mais de 10 anos depois. Em 1957, com a incorporação da maior parte das ações das empresas Aerovias Brasil e Nacional ao seu patrimônio (formando o Consórcio REAL-Aerovias–Nacional), a REAL se tornaria um dos maiores operadores de DC-3 do mundo com 89 aeronaves.

A aeronave acidentada tinha o número de construção 13048 e havia sido construída em 1944. Após voar em missões de transporte na Segunda Guerra pela Força Aérea do Exército dos Estados Unidos, seria vendida a empresa Ranier Air Freights onde voaria por algum tempo até ser vendida em 1956 para a REAL Transportes Aéreos. Ao chegar ao Brasil, a aeronave seria convertida para o transporte de passageiros e receberia o prefixo PP-ANX.5

Acidente

O Douglas DC-3 prefixo PP-AXN do consórcio REAL-Aerovias–Nacional decolaria do aeroporto Santos Dumont, Rio de Janeiro, às 17 h 30 min de 10 abril de 1957.6 O voo tinha como destino o aeroporto de Congonhas, São Paulo, e estava lotado por conta do cancelamento do voo anterior das 15h00min que faria escala em Santos antes de pousar em Congonhas.

O mau tempo na região da baixada Santista que impediria que o voo das 15h00min fosse realizado complicaria ainda mais as condições do voo das 17h30 min. Previsto para pousar as 19h 00 min em Congonhas, o DC-3 PP-AXN encontraria mau tempo na divisa estadual Rio São Paulo. Por volta das 18h00 min quando sobrevoava em velocidade de cruzeiro a região de Ubatuba, o motor esquerdo entraria em pane, incendiando-se em seguida.

800px-P&W1830onDak

Após infrutíferas tentativas de combater o incêndio, que crescia e ameaçava a segurança do voo, a tripulação fez um pedido de socorro e informou que tentaria pousar em alguma praia no litoral de Ubatuba.

No entanto, o mau tempo encobria a visão da tripulação de forma que a aeronave sobrevoava perigosamente a Ilha de Anchieta. Quando a tripulação descobriu estar na iminência de um choque contra a encosta do Pico dos Papagaios, tentou-se desviar a aeronave da trajetória do Pico. A aeronave, porém, estava com apenas um de seus motores operando e não teve força suficiente para responder aos comandos, perderia sustentação e bateria na encosta do pico dos Papagaios por volta das 18h20 min.

O choque da aeronave com as árvores da encosta separaria as asas da fuselagem, salvando a vida de 3 passageiros e 1 tripulante, enquanto que 23 passageiros e 3 tripulantes morreriam por conta dos ferimentos causados por ferimentos múltiplos causados pelo choque e ou queimados pelo combustível da aeronave.

Consequências

A aviação comercial do Brasil estava em seu auge nos anos 1950. No entanto apesar da concorrência acirrada entre as companhias, principalmente na linha Rio – São Paulo, que originaria a criação da Ponte aérea em 1959. No entanto, seriam realizados apenas investimentos pontuais na infraestrutura aeroportuária. Com isso, as aeronaves voariam com o auxílio de poucos equipamentos e recursos em terra para auxiliá-las durante voos em condições climáticas adversas. Somente em meados da década de 1960 que os aeroportos nacionais receberiam grandes investimentos em equipamentos e tecnologia, melhorando as condições de monitoramento e navegação de aeronaves.

As companhias aéreas, porém pouco investiam no reaparelhamento de suas frotas, operando aviões obsoletos como o DC-3 e C-46, por conta do baixo custo de aquisição, operação e manutenção dessas aeronaves. Essa situação só mudaria no final dos anos 1950, com o início da crise aérea nacional, onde o custo de operação dessas aeronaves obsoletas cresceu ao ponto de torná-las pouco atraentes.

O acidente com o DC-3 PP-ANX ocorreu 3 dias depois do Desastre aéreo de Bagé e marcaria o início do declínio da REAL. Entre 1957 e 1961, a REAL perderia sete aeronaves em acidentes que causariam a morte de 99 pessoas entre passageiros e tripulantes, sendo quatro deles ocorridos em um curto intervalo de um ano. Esses acidentes enfraqueceriam a empresa que acabaria sendo adquirida pela VARIG em processo ocorrido em agosto de 1961.

Fonte: Wikipédia