Asas e Flaps

História do APP Aeroclube Politécnico de Planadores de SP – 2ª Parte

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Avião rebocador (cont)

O Waco Cabine é um avião norte-americano biplano utilizado para transporte. Tinha capacidade para dois tripulantes e três passageiros ou pequenas cargas. Ao contrário de outras aeronaves da Empresa Waco, tinha cabine fechada, daí o nome pelo qual ficou conhecido (cabin ou cabine).

Alberto Americano foi ao Rio de Janeiro para conseguir, junto ao Ministério da Guerra a cessão de um avião Curtiss, Porém seu motor estava avariado e sua substituição ultrapassava trinta contos de réis, absolutamente insuportáveis para as finanças do Clube e portanto, foi descartado  Após um interregno em que o velho Ford cumpriu suas obrigações de rebocador, o Clube novamente se movimentou para conseguir, ainda junto às autoridades federais, um avião que pudesse rebocar seus planadores. E para dar ênfase ao pretendido, enviou, não uma só pessoa, mas uma Comissão, a que foram incorporados alguns aviadores que trouxeram consigo dois aparelhos, um dos quais construído nas oficinas do Clube. No Rio de Janeiro, a Comissão buscou interessar os militares que intervinham diretamente com o assunto aviação, a começar pelo Ministro da Guerra, Gal João Gomes Ribeiro, o Comte da Aviação Militar,  Gal Eurico Gaspar Dutra, e mais os Ten-Cel Eduardo Gomes e Ivo Borges e Maj Henrique  Dyott Fontenelle.  Foi acertada uma troca: o Clube recebeu um Waco da Escola de Aviação Militar e entregou o planador Jaraguá, primeiro planador de alta escola construído nas oficinas do Clube, que foi rebocado de Tiger Moth!  (video abaixo)

Retornando a São Paulo e após três meses de euforia, com o Waco desempenhando brilhantemente seu papel de rebocador, eis que este sofre um acidente, pilotado por um oficial do Exército e retornou então ao Clube o velho Ford para seus lançamentos…

Aeronca para pesquisas meteorológicas.

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Desta vez o Clube resolveu apelar diretamente para os Poderes Públicos da Paulicéia. Um projeto oriundo da Assembléia Legislativa tornou Decreto sancionado pelo
interventor Mário Pereira Munhoz, concedendo anualmente ao Clube, cento e vinte contos de réis. Outra doação de um terreno no bairro da Lapa feita por Samuel Ribeiro rendeu ao Clube, cinqüenta contos de réis que foram utilizados na melhoria geral e no aprimoramento das Oficinas. O velho Ford foi substituído por um novo, com dispositivos mais aperfeiçoados.

Feitos memoráveis

Em maio de 1935, o Clube conseguia dezesseis meses depois de sua fundação, o seu
primeiro laurel: um de seus alunos, Dácio A. Morais Jr., batia o recorde sul-americano de
permanência no ar com um planador, atingindo a marca de uma hora e vinte e quatro minutos!  No final do ano de 1935 o Clube avançou a passos largos para a consecução de seus objetivos, uma vez que iam sendo vencidas, uma a uma, todas as dificuldades. A 17 de dezembro prestou exames, tendo recebido o seu brevê ”C”, a volovelista Ada L. Rogato,

Índice

Ada Leda Rogato foi uma pioneira da aviação no Brasil. Foi a primeira mulher a obter licença como pára-quedista, e a primeira volovelista.

que viria a transformar-se numa das grandes figuras da aviação nacional.

Mais planadores

Além destes o Clube estava construindo uma série de outros cinco planadores
primários e dois Grunau Baby.

grunau Baby-1 grunau

Ofertados pelo Sr. Alfredo Schurig, estavam sendo esperados da Alemanha ainda outros quatro Grunau Baby.

Teoria

O Clube ainda mantinha um curso obrigatório de Aeronáutica Elementar para todos
os candidatos a piloto, a cargo do Prof. Gaspar Ricardo Jr., e outro de Radiotelegrafista.

Finalmente, para aqueles que demonstravam interesse também pelo vôo com motor, o Clube facilitava o aprendizado, com instrução sob a orientação do Dr. Fenile Felici.
O Clube publicou também no ano de 1935, do Eng.o Gaspar Ricardo Filho dois livros:
“Rudimentos da Aeronáutica” e “Curvas Características do Planador Anhemby” enquanto
que o Eng.o Jayme Americano escreveu outros dois: “Introdução ao Vôo sem Motor” (temos um exemplar conseguido pelo Mura) e “Notas sobre Vôo Térmico e Vôo Rebocado por Avião”, sempre de acordo com os estatutos do CPP, que previam, em seu artigo primeiro: “O Club tem por fim desenvolver e propagar, por todos os meios possíveis, o vôo sem motor”

O CPP já contava, em 1936, com três cursos teóricos: um superior de Meteorologia,
que estava a cargo do Dr. Alípio Leme de Oliveira e que funcionava no Anfiteatro da Escola
Politécnica; um curso de Aerodinâmica Elementar, a cargo do Prof. Eng.o Gaspar Ricardo Jr.,que foi iniciado na Escola Politécnica e. depois, transferido para a Escola de Comércio
Álvares Penteado, por oferecimento do seu diretor, Dr. Horácio Berlinck; e o terceiro curso,
de Teoria Elementar de Vôo, a cargo de Jayme Americano, e que funcionou sempre na sede do Clube, a Praça Ramos de Azevedo, 16 no Edifício Glória.

Fotos de planadores, decolagem, pousos,

Fim da 2º parte