Asas e Flaps

História do APP Aeroclube Politécnico de Planadores de SP – 3ª Parte

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Ligação com a Escola Politécnica e IPT-Instituto de Pesquisas Tecnológicas da USP

Contava o Clube com diversos departamentos, destacando-se a Oficina de Construção
e Reparação, que foi confiada ao Eng.o Frederico Abranches Brotero.
Em 1936, o relatório do Clube acentuava que a Oficina havia sido construída anexa
ao Laboratório de Pesquisas Tecnológicas da Escola Politécnica, por ordem do Secretário de Viação da época, Francisco Machado Campos, e com a permissão do Secretário de Educação e dos diretores da Escola Politécnica e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, cujos laboratórios foram postos à disposição do Clube, para ensaio dos materiais empregados na construção de seus planadores. O relacionamento sempre foi muito estreito, começando com o LEM – Laboratório de Ensaios de Materiais que mais tarde transformou-se em Divisão de Madeiras, montando uma fábrica de chapas contraplacadas para uso aeronáutico e de hélices de madeira. Em 1938 foi criada a Seção de Aeronáutica e que posteriormente vinculada a DAESP – Diretoria de Aeroportos do Estado de São Paulo. Várias providências foram tomadas, inclusive a de apoio às indústrias que se interessavam na construção de planadores e no estudo de protótipos adequados a instrução elementar ou primária e à alta escola. Na primeira categoria os tipos mais usados tem sido o Zoegling e o Grunau 9, ambos de origem alemã. Face à experiência de vários anos estudando e observando a construção aeronáutica, resolveu abordar o estudo de um planador para a instrução primária com características e se possível melhores que as dos tipos existentes, introduzindo algumas idéias originais, na forma aerodinâmica e no que se refere à parte construtiva propriamente dita. Essas inovações foram frutos de observações demoradas e também de um grande número de ensaios realizados no IPT, dedicados principalmente as estruturas semi-monocoques.

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Typical semi-monocoque structural component. (a) Body, (b) Aerodynamic surface.

com revestimento de contraplacados. Foi feita a divulgação com a maior escala possível no país. A prática do vôo-a-vela, ficou resolvida pelos promotores da campanha, a publicação pelo IPT dos dados construtivos do planador primário estudado, permitindo a todos os interessados no país que queiram executá-lo, essa possibilidade. Com esta declaração e com os dados fornecidos, o IPT do Estado de São Paulo torna de domínio público para o Brasil o projeto do planador primário cujo Protótipo foi denominado de “Gafanhoto I”,

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projetado pelos Eng.o Frederico  Abranches Brotero e Clay Presgrave do Amaral. Mais tarde a Seção de Aeronáutica foi desativada, sendo os ativos transferidos ao campus da USP – Universidade de São Paulo de São Carlos pelo Eng.o Romeu Corsini.

ACP-Aero Clube Grêmio Politécnico

Em fins de 1939, o então Ministro da Guerra, General Eurico Gaspar Dutra, designara
o Tenente-Coronel Aviador Henrique Dyott Fontenelle e mais alguns oficiais do Exército
para estudarem qual a melhor localização da base aérea que se pretendia construir em São Paulo. O trabalho de avaliação sugeriu o Campo de Cumbica (corruptela de cumbuca),
justamente no local onde se encontrava instalado o Club Paulista de Planadores!
Pesara muito na decisão a oferta feita pela empresa das famílias Samuel Ribeiro e
Guinle: elas doaram ao Ministério da Guerra a gleba necessária à instalação da Base Aérea,
pois com isso ficariam valorizados os lotes residenciais e industriais que ofereciam à venda em Guarulhos. Sem os hangares e as pistas de Cumbica o Club voltou a operar no Campo de Marte, iniciaram-se gestões para dar continuidade do vôo-a-vela, através do Aero Clube Grêmio Politécnico,

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que seria o sucessor e herdeiro de todo o material e das tradições do Club Paulista de Planadores  e que foi fundado em: 05/09/1939, na sede do Grêmio Politécnico, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.

Foi realizada em 30 de novembro de 1940, uma reunião no Anfiteatro da Eletrotécnica, presidida pelo Dr. Henrique Jorge Guedes, Diretor da Escola Politécnica, que abordou assuntos relativos a ampliação da Escola Politécnica a fim de que ela possa preencher as finalidades exigidas pelo progresso da Indústria Brasileira . Conseguiu a verba de nove mil contos de réis ser totalizada em três anos, para desenvolver cursos correlatos à
aviação e aquisição de aeronaves. Prometeu interceder junto às autoridades estaduais para que o Clube pudesse ter o seu avião. Ofereceu um pavilhão do antigo Club Paulista de
Planadores e o uso dos laboratórios e oficinas da Escola Politécnica.
Na reunião de 18//07/40, foram aceitos como sócios honorários os Eng.o Frederico de
Abranches Brotero (pai do freijó, madeira brasileira que substituiu o spruce) e Adriano
Marchini pelos serviços prestados ao ACP. O Sr Sylvio de Aguiar Pupo foi encarregado para
tratar do caso das antigas ferramentas do Club Paulista de Planadores juntamente a Secretaria de Viação
Em 18/04/1941, foi feita uma Assembléia Geral extraordinária, resolvendo por
maioria absoluta de votos a dissolução da entidade Aero Clube Grêmio Politécnico.

Clube Politécnico de Planadores

O patrimônio do Aero Clube Grêmio Politécnico foi inteiramente doado ao Clube
Politécnico de Planadores. O Clube tomou a iniciativa de fomentar intensamente a instrução em planadores na Capital e no interior do Estado, promovendo a criação de um curso especializado no Campo de Marte. Essa iniciativa recebeu o mais franco apoio das autoridades militares da Aeronáutica com sede em São Paulo, assim como do IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas.
Assim que teve que abandonar as instalações em Cumbica, o Clube voltou a operar no
Campo de Marte e ficou temporariamente sob a “tutela” do Aeroclube de São Paulo. Os
aviões PP-TAK e PP-TEU deram origem a Escola de Aeronáutica de São Paulo mais tarde
conhecida como a “Escolinha do Almeida”, com a desativação do Club Paulista de
Planadores em 05/12/1939.

Vagando pelo Estado

Face às dificuldades de operar planadores junto com aviões no Campo de Marte,
apesar da intervenção do Maj Armando de Souza E Mello Ararigboia termos a autorização
para voarmos das 6h até as 8h!. O Clube procurou outros locais onde pudesse voar com mais tranqüilidade e foi plantando novos clubes a medida que voava em outros locais, tais como: São José dos Campos (na Fazenda Becker que mais tarde foi ocupada pelo CTA), Mogi das Cruzes, Praia Grande, Sorocaba, Campinas, etc.

planador

Campo do Butantan

Em 1941 o Clube começou a operar no novo Campo do Butantan (mais tarde Butantã
significa: terra dura em Tupi), nas margens do Rio Pinheiros, ao lado da atual Raia Olímpica na Cidade Universitária, extremamente bem dimensionado para as operações do vôo a vela,
com uma pista de 1200m de comprimento x 100m de largura, bem compactada, gramada e drenada. Um hangar espaçoso com boa iluminação e ventilação natural, porém sem piso
revestido. Para estas obras muito cooperaram os Poderes Públicos de São Paulo,
principalmente através da Secretaria de Viação e Obras Públicas e a parte de alvenaria e
instalações foi ofertada ainda uma vez mais pelo organismo que sempre o protegeu: O IPT

Instituto de Pesquisas Tecnológicas da USP.

Posteriormente as duas cabeceiras foram encurtadas, ficando a pista com cerca de
800m x 100m e mantínhamos no hangar as seguintes aeronaves, planadores:
Rhönbussard “Urubu” PT-PBV

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Grunau-Baby II PT-PAB, PT-PAC e PT-PCF

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Neiva-B “Monitor” PT-PAM e PT-PCI

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Pouso na 03 em Rio Claro, glissada na final e pouso longo. Julinho e Dalton do APP JUNDIAÍ.

Fim da 3º parte