Asas e Flaps

História do APP Aeroclube Politécnico de Planadores de SP – 6ª Parte

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GBIIb-02

A procura de um outro local

Com o início da implantação do novo campus. da Universidade de São Paulo no Butantã, formando a Cidade Universitária, fomos mais uma vez desalojados do local que ajudamos a valorizá-lo.
A primeira oferta foi um campo junto ao Manicômio do Juqueri, que foi devidamente
vistoriado, analisado e posteriormente recusado por ter as condições meteorológicas similares à de São Paulo e dificuldades de acesso (coisa de louco!).
A comissão de escolha do novo campo percorreu o Estado todo, revendo locais que o Clube já tinha estado anteriormente, tais como: Bragança Paulista, Itu, Sorocaba, Mogi das Cruzes, Campinas, Tatuí, Piracicaba, São Carlos, Jundiaí e outras.
Optou-se por Jundiaí (Rio de Jundiás, nome de peixe comum tipo bagre, porém
pensávamos que fosse terra do vento de tanto que ventava…) por ter condições favoráveis ao Vôo a Vela, acesso fácil e pelo fato do aeroporto estar totalmente inoperante, apesar de ter  um hangar e uma sede social. O Aeroclube de Jundiaí nos ofereceu o usufruto das suas
instalações enquanto construíamos as nossas e incentivávamos o seu reerguimento.
O instrutor Marley, para incentivar a mudança a Jundiaí, dizia que todos os vôos de instrução seriam com navegação… Uma vez que nos vôos de navegação em São Paulo eram difíceis.

Iniciamos as operações com os planadores biplace Neiva-B “Monitor” PT-PAM e PT-
PCI e o monoplace Grunau II PT-PCF.

O avião-rebocador era o Piper PA

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-18 PP-GKQ que voltava no final do domingo ao Butantã até quando o Campo foi interditado, retornando a São Paulo, porém ao Campo de Marte onde ficava hangarado. O último vôo saindo do Butantã foi efetuado em 16/11/60, levando o Grunau Baby II
PT-PAB pilotado pelo Jacques Resmond, rebocado pelo Mário Pisaneschi no Stearman PP-
GGI, tendo Luiz H. Ishida como fotógrafo. O Stearman teve que voar todo “pendurado” para não forçar o nosso Grunauzinho!

Construção do hangar em Jundiaí

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O local a nós destinado era junto a cabeceira 17, oposta ao do Aeroclube de Jundiaí e
a pista era de terra.
Em 22/09/61 recebemos a nova planta de localização da Diretoria de Aeroportos da
Secretaria de Estado dos Negócios da Viação e Obras Públicas, pelo Diretor Substituto
Alberto O. Coutinho sob n.o B/1165. O terreno com a área de 60m x 100m foi alterado para
incluir a área destinada a construção da sede social de 10m x 25m e do hangar com 20m x
41m (820m2
O projeto foi elaborado pelo Engenheiro Michel Jafet e a construção coordenada pelo  Leonardo Jafet.
A ordem era economizar, pois a indenização conseguida junto à Fundação para a
Construção da Cidade Universitária foi irrisória, valendo muito naquela época a venda da
linha telefônica!
Os arcos de madeira laminada foram montados no piso cimentado, num gabarito
bolado pelo Leonardo e depois virados para a posição final, para receber as telhas de cimento-amianto.
O novo hangar tinha dois acessos: o Sul onde estariam os aviões e o Norte por onde
entrariam os planadores. Inicialmente somente a porta Norte foi colocada, reaproveitando-se as do Butantã.
No novo hangar acolhia as seguintes aeronaves: Neiva-B “Monitor” PT-PAM e PT-
PCI, Grunau Baby II PT-PAB, PT-PAC, PT-PCF, Urubu PT-PBV, Caboré IPT 12 PT-PBT,
Ganso IPT 21, Olympia PT-PCJ e PT-PBS (desmontado), aviões Stearman PP-GGI, Piper
PA-18 PP-GKQ, Bichinho PP-ECM, Surubim PP-ZPF e Onça SP-18 PP-ZAK.

APP-Aeroclube Politécnico de Planadores

Em face de determinação da DAC – Diretoria de Aviação Civil, todos os clubes de
aviação deveriam mudar para Aeroclube. Na Assembléia de 26/04/75, após longa discussão o
nome foi alterado para Aeroclube Politécnico de Planadores. Houve corrente que propunha nomes completamente diferentes. Valeu o esforço da corrente que propunha a manutenção do nome Politécnico, pois tínhamos mais politécnicos do que antes: Médicos, Advogados, Arquitetos, Administradores, Contabilistas, etc.
A Diretoria era composta por:
Presidente: Luiz Hideo Ishida
Vice-Presidente: Liberto Sanz Anguita
Tesoureiro: Paulo Milliet Roque (substituido por Udo Ralf Haaben)
Vice-Tesoureiro: Sérgio Augusto Felice
Secretário: Sam Leonard
Diretor Técnico: Gerson Bergamin (substituido por Esdras Barros)
Diretor de Material: Alfredo Henrique Sperling
Diretor Social: Viggo Thiested III

Novas aquisições foram efetuadas para atualizar e substituir a nossa frota. Numa

subscrição feita pelos sócios conseguimos adquirir;
SB-5 PT-ZPG, construído no Paraná
Specht PT-PDG (cedido para a formação do Clube Paulista de Vôo a Vela)
Jantar PT-PIU
Puchacz PT-PPC biplace
Puchacz PT-PPD biplace
Lambada PU-HAB (motoplanador biplace lado-a-lado)
PW-5 PP-XBK
PW-5 PP-XBL

Cedidos pela DAC – Diretoria de Aviação Civil

L13 Blanik PT-PDV (cedemos em troca o Neiva-B PT-PAM atualmente em Tatui)
L13 Blanik PT-PGQ (cedemos em troca o Neiva-B PT-PCI p/ Cachoeiro do Itapemirim)
L13 Blanik PT-PDY (para aproveitamento de componentes)
EMB-400 Urupema PT-PDO
KW-1 Quero-Quero PT-PFE, PT-PFJ e PT-PEI
Piper PA-18 PP-GIK (rebocador)
Paulistinha P-56C PP-HRS (rebocador)
Paulistinha CAP-4 PP-TXT
AMT-100 Ximango PP-RBI (motoplanador biplace lado-a-lado)
AMT-200 Super Ximango PP-KDO (motoplanador biplace lado-a-lado)
AB-180 Aero-Boeiro PP-GKU (rebocador)
AB-180 Aero-Boeiro PP-GHP (rebocador)

Particulares

Ka-6CR PT-PCP Heinrich K. Heinz/ Werner Briest
SB5 Bruno Eifler
Periquito PT- Cláudio di Lascio
L13 Blanik PT-PDC Karl H. Jahmann/ Horst Bussius
L13 Blanik PT-PDA Richard (Rick) Muller e Andre James(Jim) Perry Jr
Duster PT-ZQF Tarcísio Leopoldo e Silva Jr (doado ao clube)
Libelle PT-PAV Dirk E. Cramer
ASW-15 PT-PDD Heinrich K. Heinz/Nikolaus von Siegert
ASW-20 PT-PGZ Heinrich K. Heinz
PIK-20 PT-PFY Werner Briest/ Karl Voestch (motoplanador biplace)
Kestrel PT-PDM Neblina
Motorfalke sem prefixo (motoplanador biplace lado-a-lado)
Stinson Voyager PP-DUC Nicolas e Alejandro Botto Correa
Citabria PP-JGR Heinrich K. Heinz
Nimbus 4D PT- Alberto Kunath DG-500 PP-ZBX Heinrich K. Heinz/ Karl Voestch (motoplanador biplace)
DG-800B PP-XEZ Thomas Milko (motoplanador)
Ventus PT- Armando R. Pucci (motoplanador)
SZD 55 PP-ZLL Norberto Ribeiro

Com a chegada dos Blaniks em containeres de madeira, surgiu a idéia de aproveitá-
los para fazer o alojamento, que nunca conseguimos fazer apesar dos termos de cessão da
área. O pessoal instalou internamente camas beliches e o reservatório d’água eram ex-tanques de combustível pintados de preto para aquecer a água era o nosso “aquecedor solar…”.
Nessa época conseguimos junto a Seção de Aeronáutica uma ambulância antiga Ford,

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que servia para tudo, inclusive para aprender a dirigir.
Com a facilidade de se alojar no campo, os vôos poderiam começar mais cedo e
foram feitos muitos vôos naquela época.

Fim da 6º parte