Asas e Flaps

A frustração de não voar no Fokker 100

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Boa noite.

Confesso que estou muito frustado!

No dia 31 de janeiro de 2015, comprei uma passagem, com destino a GRU partindo de GYN. Passei meses planejando, e então escolhi o dia 15 de abril.

O motivo da viagem? Voar na lendária aeronave Fokker 100, que pelo que soube, será aposentada esse ano com a chegada das novas aeronaves Airbus.

Sou um fanático por aviação, e o sonho desde sempre, além de ser piloto era voar no Fokker 100. Essa aeronave, até poucos dias, passava diariamente sobre os céus da minha casa, e é claro, sabia exatamente os horários e corria para vê-la, e a cada dia, a ansiedade aumentava pois em breve a voaria pela primeira e última vez.

E voo em questão seria o O66291. Sei que ele sai de Brasília, faz escala em Goiânia e segue para Guarulhos, fazendo o percurso inverso no começo da tarde.

Domingo, dia 12, verifiquei no site e a aeronave que faria o trajeto dia 15 ainda constava ainda como Fokker 100. Adrenalina corria nas veias cada vez mais forte!

Mas, para minha decepção, na segunda de manhã, quando novamente voltei ao site para verificar, a aeronave que faria o trajeto já havia sido trocada, era então um Airbus A318.

Confesso que fiquei desolado, e decepcionado. Meses de planejamento foram por água abaixo.
A viagem a São Paulo agora nem teria mais aquela essência de antes…

Mesmo assim, um dia espero poder entrar num Fokker, nem que seja no museu.

Não seja por isso Alexandre, veja ai abaixo o PIMPÃO descrevendo o Fokker 100 para você no museu da TAM, que estive no ano passado. Recomendo

Uma vez que você tenha experimentado voar, você andará pela terra com seus olhos voltados para céu, pois lá você esteve e para lá você desejará voltar.

RELATO DE UM APAIXONADO POR AVIAÇÃO FRUSTRADO!

Alexandre Alves de Oliveira

Fokker 100, voe enquanto é tempo!

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A Avianca Brasil vai retirar seus Fokker 100 (ops, MK28) da frota ainda este ano. Quase 10 anos na empresa, parece que foi ontem que o PR-OAK começou a voar ainda como OceanAir. A primeira providência da empresa foi alterar o nome do avião, pois a imagem crítica que a aeronave teve graças à imprensa potencializar alguns eventos na TAM levou a OceanAir a adotar a nomenclatura MK28, uma sacada de marketing para o nome original do avião Fokker 28 MK.0100.

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Um avião simples, dócil, excelente tecnologia embarcada, silencioso. Ironicamente, apesar de ter trabalhado 2 anos com o avião, só o voei uma vez.

Então você que é entusiasta, voe. Voe enquanto é tempo, pois em minha opinião não creio que teremos um outro operador destas máquinas no país. Quase 80 aviões do tipo voaram no Brasil entre TAM, TABA, OceanAir e MAIS.

A modernização natural e a contenção de custos e por consequência a natural padronização de frotas estão nos encaminhando em breve para termos apenas família A320, 737 e E190 voando “a jato” no país. A OceanAir, ou melhor Avianca Brasil, operou os aviões PR-OAD, OAE, OAF, OAG, OAH, OAI, OAJ, OAK, OAL, OAM, OAQ, OAR, OAS, OAT, OAU e OAV. Após a reestruturação de 2008 o PR-OAH e PR-OAV foram para a Avianca Colômbia. Alias o PR-OAV nem voou na empresa. O PR-OAG manteve por muito tempo a configuração da American Airlines com 87 assentos, com direito a uma bela executiva. Alguns aviões já pararam de voar com PR-OAK, PR-OAT, PR-OAS.

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A era do Fokker 100 no Brasil terminará quando pousar pela última vez em um vôo da OceanAir, uma história de 25 anos na Aviação Brasileira, voando desde Setembro de 1990 quando a TAM recebeu o PT-MRA e PT-MRC. De 1990 a 2015 foi um avião polêmico, ajudou a TAM a se erguer como empresa grande, protagonizou uma tragédia em 31 de Outubro de 1996 quando o TAM 402 caiu no Jabaquara, teve diversos incidentes, com direito a uma explosão de fuselagem (PT-WHK), um despaletamento que matou uma passageira (PT-MRN) e por fim chegou ao ápice com 2 acidentes com 40 minutos de intervalo, quando o PT-MRL pousou de barriga em Campinas e o PT-MQH pousou em um pasto, levando uma vaca a ser sacrificada.

A imagem do avião havia sido arranhada em definitivo.

Já na TABA, o único fato relevante conhecido foi um reboque mal feito e colisão com o teto do hangar e na OceanAir um pouso sem trem do nariz em Brasília.

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Tirando o KK402 e os eventos do MRL/MQH, estamos falando de um avião em que seus operadores praticaram altas taxas de utilização, com quase 80 unidades operadas no país. 101 mortes em 3 eventos, apenas para comparação o Boeing 727-200 em um único evento custou 137 vidas. Enfim, polêmico é um título que lhe cai bem, a imprensa demonizou o avião e por sua vez o avião “esverdeou” o cofre de seus operadores.

Deixará saudades o F100 e seus RR TAY650 gritando a cada decolagem.

Fonte:  Aviões e Musicas