Asas e Flaps

Fábrica de Hélices Cruzeiro – Paulistinha 4ª Parte

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Como nos referimos aos hélices que, na grande maioria dos aviões de instrução básica eram de madeira, cumpre lembrar que estas eram verdadeiras peças artesanais. Muitas que equiparam os motores Ranger, Hirtz, Fiat, Gipsy, Franklin, Aeronca e Continental, foram produzidos em série pelo IPT de S. Paulo ou pela Fábrica de Hélices Cruzeiro, fundada por Idilico Bernini e que ficava na Rua Voluntários da Pátria, em São Paulo. Fun cionou durante 30 anos (1918-48) e produziu cerca de 1.500 hélices em Jacarandá e Pau Marfim para diferentes modelos de aviões. Entre suas encomendas memoráveis, citam-se um hélice feito para o avião da Força Pública e, posteriormente, para a Aviação Militar do Exército. Obviamente, a Campanha Nacional de Aviação ajudou muito a impulsionar sua produção, inclusive ao fornecer hélices para a Companhia Aeronáutica Paulista. O surgimento dos hélices metálicos ao final da II Guerra Mundial, acabou pondo fim à fábrica de Idilico Bernini.

Porém os aviões com hélices de madeira continuaram a voar e exigir reformas ou substituições. Alguns artesões em hélices foram sobrevivendo, cabendo notar um notável profissional da área. Modesto e dedicado a seu ofício de carpinteiro, Emilio Antonon era fascinado por aviões, acabou especializando-se no fabrico de hélices. Fundou a indústria de um homem só, a qual deu o nome “Ás”, Radicado na cidade de Jundiai , produzia uma bi-pá por mês, em virtude do capricho e detalhe com os quais realizava suas obras de arte que iriam girar nos narizes dos Piper, Fairchild, HL, Paulistinhas e outros aparelhos cujos pilotospodiam orgulhar-se de seu avião ser equipado com um hélice “ÁS”  também denominado hélice de Jundiai. Tal como tantos, Emilio Antonon era bom artista e péssimo comerciante, o que o levou a morrer pobre, porém honrado com os títulos de cidadão jundiaiense e Vereador Honorário , outorgados pela Câmara Municipal da Cidade.

Fonte: Memórias da Aviação Paulista de Edgard O.C. Prochaska pag. 93