"Trabalhei sem escalas para realizar o sonho de voar"

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“Eu nasci e cresci em uma fazenda da pequena cidade de Rubim, ao norte de Minas Gerais. Não tem aeroporto nem qualquer contato com a aviação. Na minha família ninguém tem ligação com a área.  O máximo que podia fazer, era sentar na calçada nas noites calorentas e observar aquelas luzinhas piscando tão distante, eram os gigantes pássaros de ferro cruzando o céu. Eu não fazia ideia do tamanho real, afinal nunca tinha visto um de perto. Eu dizia para meu pai: “Pai olha lá, um dia eu vou estar lá dentro, deve ser muito legal andar de avião né?” Isso eu tinha uns 11anos de idade.  O que ele não imaginava era que a brincadeira se tornaria mais tarde, o sonho da minha vida”.

Esta são as palavras desta jovem mineira que desde menina se dedica em concretizar o sonho de voar. Tenho que confessar aos meus leitores que o vídeo abaixo mostrando o batismo do check da Cmt Jardim me emocionou e me motivou a fazer esta matéria. Vejam no link abaixo:

Continuando o relato da Cmt Jardim:

“A primeira vez eu estive perto de uma aeronave, foi quando um monomotor fez um pouso forçado na fazenda onde morávamos, era um casal que voava para Salvador e teve problemas meteorológicos, tentaram pousar na grama, mas a aeronave capotou. Nós corremos para ajudá-los. Os dois sobreviveram e parte da aeronave se quebrou com o impacto.”

“Aos 16 anos fui para Belo Horizonte, trabalhei como babá e tentei terminar o ensino médio, mas não deu certo. Aos 17 fui para São Paulo, foi quando voei pela primeira vez, a bordo do Clássico Fokker 100 da antiga Oceanair, que é hoje a Avianca. Tirei fotos com as comissárias,  fiquei fascinada com as máquinas.  Tive mais dificuldade ainda de viver na capital paulista, e mais uma vez não deu certo. A falta de experiência de viver em uma capital não deixava eu trabalhar e estudar ao mesmo tempo, de origem caipira nem português eu falava direito, e quando as pessoas perguntavam eu dizia que queria ser piloto de avião”

E pensativa Jardim imaginava seu futuro vestindo aquele uniforme de piloto, e nunca desistia

“Não fazia ideia como ia fazer isso, mas falava. As pessoas achavam que eu tava louca. Eram notáveis os sorrisos com tom de deboche.  Eu ganhava muito pouco e mal dava conta de pagar o aluguel. Aos 18 fui para Vitória-ES, morei na capital capixaba por 2 anos, e foi lá que eu passei os momentos mais difíceis, mas também foi lá que eu consegui ter um rumo para a vida. E eu não contava nada a meus pais para não deixa-los preocupados,

dizia sempre que estava tudo bem quanto na verdade faltava dinheiro até mesmo para comer. Mas com muito sacrifício ,  terminei os estudos, fiz vários cursos, conheci os aeroportos, pesquisei tudo sobre a aviação, e quando me senti pronta arrumei as malas e peguei  um  voo, o destino  novamente era Belo Horizonte.  Cheguei, feliz por estar novamente em terras mineiras e arrumei um emprego logo na primeira semana e fiz a matrícula no curso de comissário de voo. Eu ainda não tinha condições de fazer o curso de piloto, decidi fazer o de comissário para me aproximar da área aos poucos. Mas mais uma vez a sorte parecia não estar do meu lado.  Foi mais um ano  difícil, eu não sabia se pagava o curso, o aluguel ou a comida. Me lembro do dia em que a diretora da escola foi levar a turma para fazer uma visita técnica para conhecer uma aeronave da Azul. A minha mensalidade estava atrasada e eu não pude ir, fiquei em casa chorando, vendo as fotos dos meus colegas conhecendo a aeronave. Além disso, meus pais não era a favor da minha escolha, fizeram de tudo para que eu voltasse atrás, porque aviação era perigoso, caro e eles não tinham condições para me ajudar. Mas o sangue da aviação já corria nas veias, não havia mais volta.

Foi aí que com a experiência melhor, consegui um emprego melhor, estudei inglês e comecei fazer o curso de piloto. Foi uma felicidade gente, tão  grande, mas tão grande. Logo comecei a voar, e o sonho foi saindo do papel aos poucos.

Atualmente eu voo no Aeroclube de Minas Gerais, uma escola que está a 80 anos no mercado formando pilotos e que hoje é a minha segunda casa, seja feriado, fim de semana, enfim paguei tudo, conclui, fiz Anac e mandei currículos, mas logo em seguida veio a crise e as companhias congelaram as contratações.

Foi aí que com a experiência melhor, consegui um emprego melhor, estudei inglês e comecei fazer o curso de piloto. Foi uma felicidade gente, tão  grande, mas tão grande. Logo comecei a voar, e o sonho foi saindo do papel aos poucos, qualquer folga a gente tá sempre por aqui.

Chequei a carteira de piloto privado de avião, estou fazendo piloto comercial, além de também estudar para pilotar Helicópteros. O meu objetivo é Linha Aérea, voar os pássaros gigantes, voar este mundão a fora, transportar pessoas, sonhos, esperança e diminuir a saudade. Mas também quis aprender a pilotar helicópteros e ainda penso em experimentar a acrobacia algum dia.

Os meus sonhos são grandes, eu não vou parar, se for preciso vou trabalhar sem escalas para que um dia eu possa assistir o tão sonhado por do sol direto da cabine de comando.

Agradeço sempre a Deus por tudo que aprendi e tudo que ainda estar por vir.

Apesar de tantas dificuldades, nunca pensei em desistir da aviação, nunca pensei em fazer outra coisa, eu pensava nisso o tempo todo. Hoje eu tenho certeza que a minha missão nesta vida é Voar.

No link abaixo Jardim executa ao lado do seu instrutor vôo noturno no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, e assim conseguindo mais um feito extraordinário de sua carreira efetuando esta operação a níveis importantes de dificuldades e exigindo bastante treinamento.

Enfim que esta história de vitórias e conquistas possa estimular os jovens a ingressar na gloriosa e gratificante carreira aeronáutica que tanto fascina a humanidade.

Parabéns Cmt Jardim Passos e este humilde blog sempre estará á sua disposição

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