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Entenda mais sobre Dor pélvica

Dor pélvica é uma queixa bastante frequente entre as mulheres. Em alguns casos, pode sinalizar algo mais grave. A ginecologista e obstetra Denise Vasconcelos (CRM 9598 – CE) esclarece sobre o assunto.

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ROBERTA FONTELLES PHILOMENO – A dor pélvica pode ser gerada por alguma doença ?

DENISE VASCONCELOS – Pode sim. E uma das doenças mais comuns é a infecção clínica aguda do trato genital superior (endométrio, tubas uterinas e anexos), geralmente, consequência de uma DST (doenças sexualmente transmissíveis). Essas doenças podem deixar sequelas como obstrução tubária e aderências pélvicas. O que pode resultar em infertilidade, gravidez ectópica (tubária) ou dor pélvica crônica. A gravidade das sequelas está relacionado com a duração da doença.

RFP – Essas infecções são comuns?                                                         

DV – São comuns em mulheres jovens, com multiplicidade de parceiros e que não utilizam métodos contraceptivos de barreira ou hormonal. O preservativo (masculino ou feminino) impede o contato do esperma com o trato genital feminino. Muitas vezes essas bactérias vêm junto com os espermatozoides. Já os anticoncepcionais hormonais tornam o muco cervical espesso e atrofiam o endométrio. Isso diminui de 40% a 60% o risco de doença inflamatória pélvica (DIP). Outros fatores de risco: parceiro com DST, manipulações endometrial e cervical e DIP anterior.

RFP – Quais são os sintomas?

DV – As manifestações clínicas são principalmente dor pélvica de início súbito e sem uma localização específica; corrimento genital, às vezes, purulento, dor ou sangramento nas relações sexuais; febre (nem sempre presente). Menorragia ou sangramento intermenstrual pode aparecer se houver endometrite, que é uma infecção dentro do útero.

RFP – E as doenças têm tratamento?

DV – A DIP é polimicrobiana e o tratamento deve ser de amplo espectro. Ou seja, antibióticos que controlem vários tipos de bactérias, repouso relativo, abstinência sexual e tratar o parceiro. De 20% a 50% dos parceiros sexuais masculinos das mulheres com DIP apresentam sintomas de uretrite. Mas a ausência de sintomas não exclui a doença, por isso o parceiro deve sempre ser tratado. A prevenção é muito importante.

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