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“Lavoura Arcaica”, uma experiência sensorial

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Considerações sobre Lavoura Arcaica, o sensacional filme dirigido por Luiz Fernando Carvalho, adaptado da obra homônima (e tão genial quanto) de Raduan Nassar.  Na edição de hoje do O POVO.dom

Uma experiência sensorial

Émerson Maranhão

Assistir a Lavoura Arcaica, o filme de Luiz Fernando Carvalho, é uma experiência sensorial. E única. Impossível traduzir para um leitor que não o tenha visto o turbilhão de sensações e sentimentos que o longa provoca. O que não deixa de ser uma ironia, visto que o filme já é a transliteração do livro homônimo de Raduan Nassar.

Em sua estreia (e até hoje única incursão) em longa-metragem, Luiz Fernando Carvalho consegue não só levar o espectador para dentro do universo criado pelo escritor, mas o transcende num processo de apropriação artística e verdadeira criação estética. Tarefa para um mestre, não para um principiante. E que é levada à execução com excelência. Ao fazê-la, Luiz Fernando descarta atalhos e soluções fáceis e opta pela complexidade, tanto na narrativa quanto na construção sígnica, numa sobreposição de camadas que requer entrega total de sua plateia.

São muitas – e exuberantes – as qualidades de Lavoura. A começar pelo elenco, irretocável, com atuações majestosas no todo, mas com destaque inegável para Raul Cortez, Juliana Carneiro da Cunha, Selton Mello e Simone Spoladore (que não precisa articular um fonema para ter o filme na mão), e a fotografia de Walter Carvalho.

Mas o que sobressai acima de tudo é a maestria do diretor e sua incrível capacidade de tomar o signo escrito como base para construir suas narrativas audiovisuais, numa delicada recriação de linguagens. Feito para poucos.

Émerson Maranhão é editor de Conteúdo do Núcleo de Audiovisual

 

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