Blog do Maranhão

Afinal, o que querem os evangélicos?

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Uma das frases pela qual o fundador da psicanálise Sigmund Freud até hoje é lembrado é a em que admite ter fracassado numa de suas mais audaciosas empreitadas. “A grande questão continua sem resposta e a qual eu mesmo jamais seria capaz de responder: O que quer uma mulher?”. Se vivesse hoje, Freud teria um desafio de igual teor a aperrear seus neurônios. Afinal, o que querem os evangélicos, que cada vez mais longe chegam na política brasileira?

A eleição do bispo Marcelo Crivella (PRB) à Prefeitura do Rio de Janeiro só colocou em maior evidência um fenômeno que já conta três décadas. Desde a Constituinte, evangélicos atuam para emplacar ‘moralismo bíblico’ nas leis de uma nação laica. Mas o que vemos nos últimos anos é um expressivo avanço em seu projeto de poder.

É cada vez maior entre as diversas correntes neopentecostais a meta de chegar à Presidência da República. Para pesquisadores, até nisso não se encontra um fim. Professora da UFF, Christina Vital defende que evangélicos miram o Executivo para chegar ao Judiciário, poder que nos últimos 10 anos vem assegurando direitos de minorias que as Bancadas da Bíblia barram na Câmara.

Mesmo dividido entre várias correntes (das quais a Universal de Crivella hoje é uma das mais flexíveis) este bloco costuma ser pouco afeito ao diverso de sua fé e a toma por verdade universal. Há até quem arrisque que seu motriz é a implantação de um estado teocrático no País. Que Deus nos livre desta possibilidade!

por Émerson Maranhão
Editor de Conteúdo do Núcleo de Audiovisual
(na edição de hoje do OPOVO.dom)

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