Blog do Maranhão

Episódio mostra proximidade entre vida real e ficção

O ator José Mayer

Dois aspectos chamam atenção no episódio “José Mayer”. O primeiro e mais gritante deles é a proximidade que vida real e tramas folhetinescas tomaram neste caso. Todos os ingredientes para um novelão clássico, digno de uma Janete Clair, estavam lá desde o começo. A mocinha vítima de assédio, que tem suas reais intenções postas em dúvida por causa do poder do vilão. O homem charmoso que se passa por mocinho e consegue convencer a muitos que não é o vilão, numa inversão de papéis. O ponto de virada (turning point) que dá uma guinada na história. E até a carta. Sim, a verdade prevalece sendo revelada por uma carta.

E é justamente nesta carta que está segundo aspecto a ser considerado. Quem ler atentamente ao mea culpa do galã verá que ele o faz, mas não o faz sozinho. Puxa para debaixo de seu guarda-chuva seus colegas de geração, justifica seus deslizes como uma questão de inadequação temporal, quase como um estranhamento às regras de convivência que agora vigoram.

“Tristemente, sou sim fruto de uma geração que aprendeu, erradamente, que atitudes machistas, invasivas e abusivas podem ser disfarçadas de brincadeiras ou piadas. Não podem. Não são. (…) Aprendi nos últimos dias o que levei 60 anos sem aprender. O mundo mudou. E isso é bom. Eu preciso e quero mudar junto com ele”, diz Mayer.

Talvez, assim, busque a empatia de outros sessentões (‘pegadores’ ou não) que também se percebem anacrônicos pelos limites impostos a seus padrões misóginos. Não deixa de ser significativo. Não é de hoje que este conflito está posto em muitas arenas de debates. Torná-lo público é fundamental. (EM)

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