Blog do Maranhão

Quem esse veado pensa que é?

Lançado pela Editora Planeta, Um livro para ser entendido marca a estreia de Pedro HMC na carreira de escritor. Roteirista profissional e um dos YouTubers mais populares do Brasil, Pedro é um dos criadores do Põe na Roda, maior canal com temática LGBT do YouTube no País, com mais de 500 mil assinantes e audiência superior a 70 milhões de views.

No livro, que Pedro HMC define como “um guia de auto-ajuda gay bem humorado para todos os públicos que querem entender melhor sobre a diversidade”, são abordadas diversas questões sobre o universo LGBT, com as quais o autor é questionado quase que diariamente pelo seu (vastíssimo) público. “Dúvidas sobre mercado de trabalho, sobre como falar para os pais, se é bissexual, como lidar com um amigo gay, como é viver no armário, como argumentar com um religioso conservador, tem pergunta de todo tipo!”, descreve Pedro, que concedeu entrevista exclusiva à Cena G e que será publicada na edição da coluna desta semana.

A íntegra da entrevista será publicada aqui, no Blog do Maranhão, na noite desta quinta-feira, 20. Para já ir abrindo o apetite, e apresentado a verve do autor, roteirista e YouTuber, a gente publica a introdução do livro, que recebeu o sugestivo título que está nomeia este post. Boa leitura e bom proveito!

QUEM ESSE VEADO PENSA QUE É?

Entendido, gay, bicha, veado, baitola, boiola, fruta, fanta, amigo da Dorothy, entendido… Muitas são as palavras usadas pra descrever um homossexual. Repare que isso só acontece na nossa língua (e em qualquer outra) com palavras que as pessoas tem medo de se referir. Também acontece com “sexo” (fazer amor, dormir junto, foder, transar, afogar o ganso, molhar o biscoito…), diabo (demônio, coisa ruim, belzebu, tinhoso..), órgãos sexuais (pepeca, vagina, xoxota, pinto, pipi, caralho…) e até o Voldemort do Harry Potter, que não deveria ser nomeado nem aqui.

Mas afinal, o que cerca “GAY” de tanto medo e ignorância? O que é ser entendido? Muitos são e sequer se entendem. Muitos são e não aceitam. Muitos não são e também não respeitam. E a geração mais nova de entendidos nem deve saber desse sinônimo “entendido”, que já foi muito usado como gíria pra gays se referirem educadamente a outros gays sem citar a palavra: “Sim, fulano é entendido!”, e sem correr o risco de um hétero ouvir, entender e partir pra agressão.

Mas este livro está longe de ser só pra entendidos, é um livro pra todos. Afinal é preciso que não entendidos também nos entendam pra que aí sim a gente consiga se entender e vencer o preconceito.

Por isso, seja você entendido ou não entendido, é muito bem vindo para ler este livro e ficar entendendo algumas coisas como: Nasce ou torna-se gay? Desde quando percebi essa característica em mim? Por que tantos rótulos? Estereótipos? O que são as muitas letras da sigla LGBT? Meu amigo é gay? O que não dizer para meu amigo gay? Como é viver no armário? Como se assumir? E a família tradicional brasileira? E a bíblia? E os homofóbicos? E principalmente, quem esse veado pensa que é pra falar sobre todos esses assuntos? Fez a chuca e tá querendo cagar regra agora? Meu Deus, o que ele acabou de dizer? Pois bem, seria legal você ler este livro pra sair entendendo muitas dessas coisas.

Não tenho a pretensão de estabelecer aqui regras absolutas, até porque muitos dos conceitos apresentados são novos e estão em constante aperfeiçoamento, conforme as mentalidades vão avançando.

Este veado (ou substitua “viado” por qualquer dos sinônimos da primeira linha de sua preferência) que aqui escreve, pretende com este livro apenas debater sobre sua visão pessoal, opiniões, experiências próprias e muito do que observou e aprendeu “se entendendo” ao longo da vida, principalmente quando, de maneira totalmente despretensiosa, acabou criando o que era pra ser só uma válvula de escape criativa e se tornou um grande canal de comunicação gay da Internet no Brasil, acessado por entendidos e não entendidos do mundo todo: O Põe Na Roda.

E é justamente ao que este livro se propõe: por esse assunto na roda.

Mesmo sendo um canal de nicho e que fale sobre uma minoria, o Põe Na Roda hoje é acessado diariamente por milhares – inclusive da maioria – e conta com uma audiência crescente que já soma quase meio milhão de inscritos e 50 milhões de visualizações. Gente que assiste seja pra se informar, pra se divertir, se aceitar, entender a si, entender ao próximo, ou de preferência, fazer tudo isso ao mesmo tempo.

Nunca tive essa pretensão, mas ao mesmo tempo me sinto muito grato a vida pela oportunidade de poder trocar, ensinar e principalmente aprender com tanta gente através do canal. É algo que me faz sentir útil no mundo. Tenho certamente muito mais a agradecer do que já sou agradecido todos os dias. Depoimentos de quem se entendeu, de quem quer entender, de quem está se entendendo… E em maior número ainda são as dúvidas de todo tipo, que nem sempre consigo atender, mas finalmente, estão aqui reunidas e devidamente respondidas.

Você, seja hétero, gay, lésbica, bi, pan, cis ou trans: espero sinceramente que, ao abrir e fechar esse livro, possa sair daqui mais entendido. Possa refletir, conhecer, aprender, se aceitar, aceitar o outro, e principalmente, se desconstruir e se tornar uma pessoa melhor. Na esperança de que um dia – quando enfim todas as pessoas se entenderem – esse livro nem seja mais necessário (e provavelmente então eu e a editora fiquemos mais felizes do que tristes por não ser mais preciso ter outra tiragem por um bom motivo).

Então, estamos entendidos? 😉

Beijo e boa leitura,

Pedro HMC

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