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Fasano desabafa: ‘No último ano foi um show de horrores’

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Na última década, Tiago Fasano encarnou como ninguém uma verdadeira locomotiva social da noite GLS alencarina. Misto de promoter, DJ, empresário e agitador de baladas (além de arquiteto), ele transitou pelos mais diversos espaços e tribos, sempre surpreendendo. Há cerca de 20 dias surpreendeu mais uma vez ao anunciar sua saída do DS Club. Nesta semana, nova surpresa, ao revelar que está deixando para trás sua carreira de promoter e empresário de baladas gays.  Nesta entrevista exclusiva ao Blog do Maranhão, Fasano aponta os motivos de sua decisão, anuncia planos para o futuro e classifica como um “show de horrores” os bastidores da cena eletrônica gay friendly em Fortaleza. Confira! 

Blog do Maranhão – Por que você saiu do DS Club?

Tiago Fasano – Uma completa desvalorização do meu trabalho. Investi tempo integral na casa e não via retorno. Perdi minha residência semanal como DJ quando entrou um quinto DJ. Falaram que o cachê seria substituído por outro de mesmo valor sendo que eu iria trabalhar durante a noite no operacional da casa e encabeçando reuniões nos dias úteis de outros eventos. Durante seis semanas fiz isso e nunca recebi por este trabalho.

Em uma reunião onde foi acordado como seriam as minhas comissões falou-se em um valor. Tal hora esse valor foi reduzido. A falta de um contrato escrito foi decisiva. Era tudo muito de boca. Independente disso, várias ações que fiz sem cobrar nada poderiam ter sido pelo menos gratas nestas outras ações, mas não foi assim. Acredite: estou devendo R$ 425,00 pra DS. É pra rir.

No início uma lua de mel. Depois cada melhoria solicitada era uma novela pra ser resolvida. Até hoje algumas se arrastam e não são corrigidas. O público vivia em cima de mim. Decidi sair por todos esses motivos em especial pelo desacordo comercial.

“Nunca passei a perna em ninguém. Sempre tentei parcerias em eventos com muitos produtores, mas no último ano foi um show de horrores que quero nem comentar. A cena eletrônica está falida” 

Blog do Maranhão – Na sua saída do DS Club, você sinalizou que seguiria sua carreira de promoter solo. Em menos de um mês, você mudou de ideia e anuncia que está deixando a noite. O que, de fato, aconteceu?

Tiago Fasano – São várias decepções. Estamos em um meio cercado de gente desonesta e que faz de tudo para lhe derrubar. Concorrência desleal grande. É como se um Arquiteto-Blogueiro-Baladeiro que virasse DJ e depois produtor de eventos tivesse invadido a cena e tinha que seguir os moldes impostos pelos “Donos da Noite”. E sempre fui na contramão disso, fazendo festas do meu jeito, implantando meu estilo e minha opinião de cliente que sempre fui. Nunca passei a perna em ninguém. Sempre tentei parcerias em eventos com muitos produtores, mas no último ano foi um show de horrores que quero nem comentar. A cena eletrônica está falida.

Uma minoria de formadores de opinião (eles acham que são) consegue destruir a cena com depoimentos chulos em redes sociais. Elogios só de boca. Raramente você vê um elogio público em um post. Agora, critica é só o que tem. E a realidade é essa. Uma sobrevivência que não quero mais depender dela pois não há retorno nos dias de hoje. Tenho saudades de 2012. Época que colocamos 2.500 pessoas em eventos grandiosos e que foram encolhendo por falta de União da classe. Hoje se conseguir levar 800 é uma vitória.

Blog do Maranhão – E a carreira de DJ como fica?

Tiago Fasano – DJ sempre foi um hobby. Continuo tocando em festas particulares. Pretendo continuar tocando sim.

“Ser honesto está em baixa. O bom mesmo é ser o todo poderoso e esbanjar grandiosa auto-estima e fingir que está tudo bem. Eu não sei ser assim”

Blog do Maranhão – Em publicações nas redes sociais você sinaliza mágoas pessoais muito fortes acumuladas ao longo de seis anos de carreira. O que, verdadeiramente, mais lhe incomodou neste período?

Tiago Fasano – Não existe parceiros. Existem TraParceiros. Conto nos dedos de uma mão os parceiros de verdade com quem tive o prazer de trabalhar. É uma cara de pau tremenda. Você fica sabendo sem querer de débitos em fornecedores de pessoas que arrotam seriedade em redes sociais e andam com seus carrões pelas ruas mas no fundo estão com a corda no pescoço e os súditos aplaudem. Parece uma lavagem cerebral. Ser honesto está em baixa. O bom mesmo é ser o todo poderoso e esbanjar grandiosa auto-estima e fingir que está tudo bem. Eu não sei ser assim.

Blog do Maranhão – É possível que esta decisão de abandonar as festas seja revertida?

Tiago Fasano – Devo fazer no máximo uma festa anual (a Fast Day Party) que seria o meu aniversário e de mais dois amigos, que foi algo realmente gratificante. Mas não tenho mais interesse em entrar em casa nenhuma. É uma decisão acertada. Sou embaixador da Hell & Heaven e continuarei vestindo a camisa do festival. Tenho muitos convites pra adentrar na cena Hétero. Se a proposta for boa, porque não?

 Blog do Maranhão – Você ainda pretende frequentar as festas do circuito GLS da cidade, agora só como consumidor? Ou vai dar um tempo da “noite”?

Tiago Fasano –Frequentarei sim. Até porque eu gosto demais. Agora, o crítico chato será eu. Risos!

“Na quarta edição, três DJs de uma das casas (detalhe: todos tocaram em todas as edições) se juntaram e bateram de frente com o meu after, no mesmo dia e de graça. Leia bem: DE GRA-ÇA! FREE!”

Blog do Maranhão – Quais foram a pior e melhor lembrança que você guardará das festas que realizou?

Tiago Fasano – A PIOR: Eu lancei um selo de after hours em 2010. A proposta era promover o encontro de todos os profissionais de todas as casas e seus respectivos públicos após o término de suas festas, em um local neutro. Sempre tinha um DJ de cada boate tocando. Era aquele momento de confraternização. Eu pensava assim. Eram lotações incríveis. Na quarta edição, três DJs de uma das casas (detalhe: todos tocaram em todas as edições) se juntaram e bateram de frente com o meu after, no mesmo dia e de graça. Leia bem: DE GRA-ÇA! FREE! Dava pra imaginar a partir desse dia como seriam os rumos da nossa noite. Deslealdade e desunião.

A MELHOR: Em 2016 na Fast Day Party, fizemos uma festa perfeita. Rica em detalhes. Ninguém fez nada igual ano passado. Faltando 40 minutos para acabar o evento a polícia chega com uma denúncia de poluição sonora. Foi um verdadeiro abuso de autoridade. Tive que subir no palco e anunciar o fim da festa. E, para minha surpresa, fui aplaudido por todos que ali estavam. Para quem esperava pedras, jogaram flores. Sou eternamente grato.

 

 

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