Blog do Maranhão

Quando a mocinha desce a porrada

Desconfio que não esteja longe o dia em que se tornará bordão em nossa cultura a expressão “Apanhou mais que vilã justiçada pela heroína da novela”. O sucesso da surra que Irene (Débora Falabella) levou de Joyce (Maria Fernanda Cândido) e Ritinha (Isis Valverde) esta semana em A Força do Querer só alimenta esta tese. A cena, exibida na última segunda-feira pela TV Globo, levou a internet à loucura e rendeu 41 pontos no Ibope ao folhetim escrito por Gloria Perez, maior audiência da trama até agora e número digno de capítulo final. Não que seja novidade, pelo contrário.

Já virou clichê a sova que a protagonista da novela aplica em sua rival, à guisa de catarse para todos os sofrimentos infligidos por ela, quase sempre recorrendo a meios ilegais. Só para avivar sua memória, foi assim com Maria Clara (Malu Mader) e Laura (Claudia Abreu) em Celebridade; Melissa (Christiane Torloni) e Yvonne (Letícia Sabatella) em Caminho das Índias; e Maria do Carmo (Susana Vieira) e Nazaré (Renata Sorrah), em Senhora do Destino (cuja cena, aliás, foi exibida no capítulo reprisado terça).

Novidade mesmo foram certas reações que o tal ‘corretivo’ causou. Houve quem se incomodasse com o nível extremado da violência. Já para muitas espectadoras incômodo mesmo foi ver, mais uma vez, mulheres saírem aos tapas por causa de um homem. No que têm razão. Tal recurso dramático, apesar de eficiente, reforça o discurso machista que sistematicamente os coloca no centro e as relega à periferia.

Émerson Maranhão é Editor de Conteúdo do Núcleo de Audiovisual

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