Blog do Maranhão

“O horror! O horror!”

Não há como negar. A semana que passou foi das mais difíceis, como se alguém, em algum lugar, estivesse a debulhar um rosário de horrores. Mesmo aonde a beleza deveria ser senhora, a hediondeza lhe tomou o lugar e reinou.

Que o diga Monalysa Alcântara, eleita Miss Brasil 2017. Terceira negra a ocupar o posto em 63 anos de disputa, a bela piauiense sofreu seguidos ataques racistas  na web. “Tem cara de empregadinha, não de miss”, disparou um destes que fazem do ódio sua pátria. “As cotas chegaram aos concursos de beleza?”, provocou um outro igual.

Como se os fatos tétricos disputassem a soberania entre si, a professora Marcia Friggi foi agredida a socos por um aluno de 15 anos, em uma escola no interior de Santa Catarina. Não bastassem os hematomas e o sangue escorrendo pelo rosto, tornou-se alvo de mais agressões. Estas, verbais. Vindas dos que justificaram as porradas que lhe marcaram a face (e a alma) à sua postura feminista e ao seu posicionamento político de esquerda.

Aqui, em Fortaleza, um grupo de torcedores insatisfeitos com a performance do jogador Éverton, meio-campista tricolor, achou-se no direito de ir até sua casa e intimidá-lo e a seus familiares. Ante tantas situações medonhas que nos cercaram, nunca fez tanto sentido a fala final do personagem Kurtz, no romance O coração das trevas , de Joseph Conrad: “O horror! O horror!”.

Émerson Maranhão  é Editor de Conteúdo do Núcleo de Audiovisual

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