Blog do Maranhão

Quando a incoerência é senhora

Fosse obra de ficção não emplacaria. Faltaria o que os especialistas chamam de verossimilhança, ou “a qualidade do que parece verdadeiro, do que não contraria a realidade”, como bem explica o dicionário. Mas são tão insensatos estes dias em que vivemos, ou melhor, obedecem a lógica tão peculiar, que o personagem em questão não só vingou como evocou para si protagonismo ímpar.

Protagonismo estampado em impressões digitais que deixou em várias das notas dos R$ 51 milhões apreendidos no “bunker” em Salvador (BA), numa das imagens mais contundentes da recente história brasileira. Ou mesmo na justificativa a que recorreu para pedir o apartamento emprestado (guardar umas malas do pai, já falecido).

Como um filme cuja ação se dá de trás para frente, ele está aos prantos, cabeça raspada, rogando liberdade ao juiz, quando de sua primeira prisão, dois meses atrás. “Eu tenho um objetivo maior que é fazer com que meu filho cresça sustentando meu nome”. Novo recuo no tempo e o encontramos indignado, camisa verde, protestando na rua contra a corrupção .“Chega, ninguém aguenta mais! Isso deixou de ser corrupção, isso é roubo! É assalto aos cofres públicos para enriquecer os petistas”.

De volta ao cárcere mais uma vez esta semana, agora para explicar a origem da fortuna no bunker, que equivale a uma mega-sena acumulada, resta saber o que esperar do ex-ministro Geddel Vieira Lima. Qual será sua próxima contribuição para esta trama incoerente, e rocambolesca, a que somos obrigados a assistir.

Émerson Maranhão é Editor de Conteúdo do Núcleo de Audiovisual

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