Blog do Maranhão

Para todo mal há cura

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Não é de hoje que uns tantos reivindicam que os ponteiros dos relógios parem e, como se natural fosse, passem a rodar ao contrário. A estes, que como se condenados pelos deuses só lhes restassem olhar para trás, é imperioso fazer com que o resto da humanidade cumpra a sina que tomaram para si: ter em seu umbigo a razão e a régua da existência. Tradução perfeita para isso é a questão da tal “cura da homossexualidade”.

Vinte e sete anos depois de a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirar a homossexualidade da lista internacional de doenças, e 18 anos depois que o Conselho Federal de Psicologia brasileiro (CFP) proibiu que psicólogos tratem a homossexualidade como patologia, uma decisão judicial abriu brechas para que voltássemos a eras inquisitoriais. E aqui lembro que a ação analisada por tal juiz partiu de um grupo de psicólogos fundamentalistas (supostamente) religiosos. E ainda que certos grupos (supostamente) religiosos investiram pesado em clínicas de “rehab gay” e que esperam por decisões do gênero para finalmente “fazer o caixa rodar”.

Mas esqueçamos esses detalhes, o ponto é que houve uma reação inesperada (e indignada) à tal arbitrariedade jurídica. Numa terra devastada, como é o Brasil hoje, onde um juíz rasga o ECA e afirma que um pai espancar uma garota de 13 anos com fio elétrico é “medida corretiva”, parte da sociedade começou a entender que pode ser a próxima vítima destes malabarismos jurídicos onde as crenças e credos de um juiz falem mais alto que a lei, e já começou a espernear. Sigamos, então, em busca de uma cura para um mal real e efetivo.

 Émerson Maranhão é Editor de Conteúdo do Núcleo de Audiovisual

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