Blog do Maranhão

Quando a catarse sobrevive às Cinzas

 NÃO FORAM pequenos o alcance e a repercussão que a politização do Carnaval tomou neste ano. Ainda que muitos se esforcem incansavelmente para minimizá-los. E uma boa medida para atestar a amplitude que o fato tomou é notar a reação que os desfiles das escolas de samba Beija-Flor, Paraíso da Tuiuti e Mangueira, no Rio de Janeiro, por exemplo, provocam nos que se intitulam liberais ou nos poucos que defendem publicamente os governos de Temer (MDB) e Crivella (PRB), alvos diretos das críticas no Sambódromo.

A primeira e mais comum reação é desqualificar a escola de samba que levou os protestos para seu enredo Lembrar que determinada agremiação é comandada por bicheiro, condenado por corrupção, e apontar que aquela outra ali causou um acidente com morte no Carnaval passado.

Como se tais cortinas de fumaça limpassem das retinas dos milhões alcançados pelos desfiles os registros do que foi mostrado na Sapucaí. Ante a impossibilidade de depreciar o conteúdo ou lhe negar verossimilhança, voltam-se a quem serviu de meio para a mensagem (tão indesejada por eles). O fato é que há muito, desde os icônicos desfiles de Joãozinho Trinta, não se via tal poder catártico reverberar na avenida; não se via traduzida em alegorias, sambas e adereços, a insatisfação do brasileiro com os desmandos políticos no seu entorno.

Agora é torcer para que o recado, que começou a ser dado no Carnaval, seja só prévia do que virá nas urnas em outubro.

Émerson Maranhão EDITOR DE CONTEÚDO AUDIOVISUAL

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