Blog do Maranhão

Uma faísca, um sinal de alerta, uma esperança

MARIELLE FRANCO conseguiu algo inimaginável: rompeu com a apatia generalizada que dominava o Brasil. Não foi por falta de motivos para protestar que os brasileiros abandonamos as ruas. Os acontecimentos que tomaram o País nos últimos anos seriam justificativas mais que suficientes para manifestações até maiores que as de junho de 2013 ou as que clamaram pelo impeachment de Dilma Rousseff. Mas não. Inexplicavelmente, optamos por dar o silêncio como resposta e as redes sociais restaram como o lugar para chorar as pitangas.

A letargia buñuelesca, digna de O anjo exterminador, clássico do diretor espanhol, parecia eterna. E o tal silêncio das ruas a cada novo acontecimento com potencial de levar multidões à revolta trazia uma paz indevida (e muito desejada) aos que seguidamente abusavam da nossa capacidade de tolerância e da nossa incapacidade de nos levantarmos do sofá.

Mas aí Marielle Franco foi fuzilada com quatro tiros no rosto. E a reação à sua morte sinaliza uma ruptura no tal estado das coisas. A multidão que chorou sua execução na Cinelândia, no Rio de Janeiro, e na Avenida Paulista, em São Paulo, mostra que estamos vivos e que ainda resta um impulso, mínimo que seja, para a indignação.

Ainda é cedo para apostar se seguiremos reagindo ou voltaremos ao sofá. Mas a faísca que se acende com as manifestações da semana que passou aciona o sinal de alerta no governo Temer, por razões óbvias. Em mim, pelos mesmo motivos, ilumina uma esperança.

Émerson Maranhão

EDITOR DE CONTEÚDO AUDIOVISUAL

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