Blog do Maranhão

A imensa vontade de ver um Brasil na TV

A VITÓRIA de Gleici Damasceno na 18ª edição do Big Brother Brasil foi das coisas mais subversivas que ocorreram no País nos últimos dias. Menos pelo grito de “Lula livre!” emitido ao vivo em rede nacional pela acreana e mais pela capacidade do todo de romper com expectativas pré-definidas.

Como há muito não ocorria no reality show, nesta edição o microcosmo formado pelos finalistas reuniu três componentes à margem e dos mais improváveis de chegar à final do jogo.

Ayrton e Ana Clara começaram o programa acusados pela horda virtual de terem uma relação incestuosa, quiçá originada em pedofilia. Kaysar, o refugiado sírio, provocou levantes xenofóbicos (dentro e fora da Casa) quando começou a se desenhar seu favoritismo ao prêmio.

E Gleice, bem Gleice era a moça pobrezinha, inexpressiva, daquele estado periférico, sem silicone nem botox mas metida a progressista, e, ainda por cima, petista!

No entanto, foram esses três ‘desajustados’ que derrotaram gostosões e gostosonas habituais (certamente, desnorteados agora por não ter Ego nem Playboy onde exibir suas formas).

Sim, há algo sendo dito aí. E é preciso estar atento para ouvir. Quem sabe um esboço de resposta aos torquemadas das redes sociais, tão acostumados a impor seus julgamentos e desejos? Quem sabe não começamos a desconstruir padrões do que seja o desejável? Quem sabe não estejamos perto de querer, realmente, ver um Brasil na TV?.

Émerson Maranhão

EDITOR DE CONTEÚDO AUDIOVISUAL

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