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Démick Lopes – A estrela sobe

Ator cearense está em um dos principais núcleos da série Onde nascem os fortes e em dois esperados longas que devem estrear em 2018

Dois mil e dezoito tem se revelado um ano especial para o ator fortalezense Démick Lopes. E não só por que ele completa quatro décadas de vida e 23 anos de carreira. Neste ano, Démick estreou na TV Globo na série 13 dias longe do sol, exibida em janeiro, e volta ao ar agora interpretando Mudinho, na supersérie Onde nascem os fortes, dirigida por José Luiz Villamarim, e principal investimento em teledramaturgia da emissora na temporada.

O personagem, com destaque na trama, integra um trio de foragidos da justiça ao lado de Maria (Alice Werman) e Simplício (Lee Taylor). Além disso, também em 2018 deve estrear Greta Garbo, longa de Armando Praça, coprotagonizado por Démick, que faz par romântico com Marco Nanini. Ele também colhe elogios por sua atuação no filme Inferninho, de Guto Parente, sucesso no circuito internacional de festivais.

(Tatiana Fortes/ O POVO)

O POVO: Como surgiu a oportunidade de atuar em Onde nascem os fortes?

Démick Lopes: Eu trabalhei com o Zé (Luiz) Villamarim (diretor artístico da série) no filme Redemoinho, em 2014. E a gente estabeleceu essa parceria lá nesse primeiro trabalho. O Zé tem uma coisa assim, quando o pessoal trabalha com ele, que pega na veia, que emplaca, ele mantém uma parceria. Numa das exibições do Redemoinho em São Paulo, estavam ele e o George Moura (roteirista da série e do filme) e o George disse: “Estou escrevendo um personagem, se chama Mudinho e é para você”. Isso faz um tempão e nem levei muito a sério! E aí, dito e feito! Chegou essa oportunidade, recebi o convite.

OP – Qual é o diferencial que você sente no set de Onde nascem os fortes?

Démick: O Zé tem uma característica que é o set dele tem muito calor, no sentido de que tudo é muito agitado, muito movimentado, tudo é feito com muito calor, todo mundo, a equipe toda. O Zé escolhe toda a equipe, de um por um. O Zé escolhe a altura em que vai ficar o tiro. Por exemplo, ele não está no set, aí o cara vai lá e faz um tiro aqui (no ombro), e faz uma foto; um tiro aqui (no braço), outra foto; e um tiro aqui (perto do cotovelo), outra foto, e manda para ele. O aval da altura do tiro é o Zé quem dá, de onde estiver. E o set dele tem esse cuidado com o ator. O Zé bota música para o ator ouvir, né? Ele tem esse tempo, bota a música, o ator vai, vai, e só quando o ator libera ele diz: “Câmera, som…” e roda a gravação. Isso é um diferencial. Ele tem esse cuidado, gosta de ator, fala com ator, chega e fala no ouvido. .

OP – Como é o Mudinho?

Démick: Ele já está lá no Lajedo do Samir (Irandhir Santos). Subtende-se que o Simplício (Lee Taylor) e o Mudinho estão lá para abandonar uma vida passada e ir para uma espiritualidade. Esse lugar, o Lajedo, é um centro espiritual, cujo líder é o Samir. E eles estão lá nessa busca pela espiritualidade. Num dado momento, o Lajedo é invadido pela polícia, ocorre violência, eles ficam magoados e resolvem pegar em armas e vão para o enfrentamento do poder constituído, no caso o Rei do Sertão, coronel Pedro Gouveia (Alexandre Nero). Eles se juntam à Maria, personagem da Alice (Wegman), nessa missão, vão atrás de fazer justiça com as próprias mãos. Vão atrás de reconstituir a justiça achando o irmão dela, enfrentando o poder constituído do lugar.

OP – Como está sendo a experiência de filmar com esse núcleo?

Démick: Cara, eu acredito muito nas relações que a gente estabelece num set. Um ambiente desses é muito heterogêneo, tem gente de tudo que é lugar, de escolas diferentes, correntes de trabalho diferentes. Tem gente que vem do teatro, gente que nunca fez cinema, gente que só fez televisão, tem de tudo! E eu acredito nessa troca, em estabelecer essa relação no próprio set. Com a Alice tem rolado uma coisa muito massa de dar olho e receber olho, sabe? Tem umas cenas que a gente fez juntos, várias, que aconteceram um calor, uma emoção… A gente tem conseguido estabelecer uma troca mesmo. No set tem rolado isso com a Alice, que alguns chamam de química (risos). Jogar olho, ter olho de volta, entender a cena e a coisa crescer, sabe? E o Lee Taylor, que faz o Simplício, também é um grande parceiro. Esse núcleo que sai com ela, e em dado momento vira meio um road movie. Eles vão na estrada, e se escondem numa fábrica abandonada… .

OP – Uma coisa meio cangaço pós-moderno.

Démick: Exatamente. Eu acho isso. Todos armados. Todos pegam em armas para ir para o enfrentamento mesmo, num ambiente extremamente perigoso. E aborda esse sertão contemporâneo e violento. O Zé mostra isso sem pudor.

OP – Este é um ano muito especial para você. Além de ter estreado na Globo, com a série 13 dias longe do sol, agora volta ao ar em Onde nascem os fortes; é um dos protagonistas do longa Greta Garbo, e ainda está no Inferninho, que vem fazendo sucesso no circuito internacional de festivais.

Démick: Cara, a gente ficou muito surpreso com o sucesso do Inferninho, esse filme do Guto Parente. E muito feliz! A gente fez com muito carinho. Já tinha um namoro entre os coletivos, um namoro entre o Alumbramento e o Bagaceira. Os meninos assistiam a tudo nosso, a gente via muita coisa deles. E a Samya (de Lavor, atriz e esposa de Démick) já tinha feito trabalho com o Alumbramento e eu também. E aí a gente fez essa aproximação entre os dois coletivos… Mas realmente, 2017 e 2018 foram dois anos incríveis. Digo 2017 porque é quando boa parte desses projetos foram filmados e que estão estreando agora.

OP – E como foi a experiência do Greta?

Démick: Greta também foi um trabalho incrível. O Armando (Praça) tinha esse roteiro há mais de 10 anos, bateu na trave no edital de B.O. (Baixo Orçamento) umas três vezes seguidas, até que finalmente ganhou e ele me convidou. No convite, ele falou: “Démick, você lembra de Greta, aquele meu projeto, né? Vou fazer com o (Marco) Nanini e a Renata. Tu topas?”. Na época, iria ser a Renata Sorrah que interpretaria o papel que a Denise (Weinberg) faz. Quem foi convidada primeiro foi a Renata. Mas ela desistiu, por algumas questões, tanto de agenda quanto de preocupação com o discurso de lugar de fala. Ela iria fazer uma travesti, uma mulher trans, e ficou muito preocupada. Na época, o Armando disse assim: “Gente, a questão é muito simples! Renata, eu chamei várias travestis e nenhuma quis fazer. Nenhuma quis interpretar uma trans, numa cadeira de rodas, morrendo”. O Armando diz que na quinta ele desistiu. E ele lida com isso de maneira tranquila, tanto que tem uma atriz trans, que faz uma mulher cis, que é a Greta Star, uma atriz paulista maravilhosa. Foi uma experiência incrível! O Nanini é um cara que eu admiro muito, um grande ator. E trocar com ele, trabalhar com ele foi uma experiência maravilhosa mesmo! Eu acho que ele estava muito a fim de fazer. Ele estava muito feliz no set! Isso refletiu no trabalho, porque rolou entrosamento, rolou parceria!

OP – Qual o seu próximo projeto?

Démick: Cara, nada muito fechado ainda, mas tem uns convites ventilados para série e longas. Até porque por conta desse trabalho eu tive que dizer não para muita coisa. Tipo, me chamaram para o Marighela, mas as datas chocavam.

OP – Você está falando do filme dirigido pelo Wagner Moura?

Démick: Sim. Com Wagner eu já fiz dois filmes, o Praia do Futuro (de Karim Aïnouz) e Serra Pelada (de Heitor Dhalia). A gente já tem um contato, tem uma amizade. A produtora de elenco me chamou para fazer um teste, fiz um self tape aqui. Ele viu e adorou. Marighela é feito na O2 (Filmes), a produção é toda da O2. E eu tinha acabado de fazer o 13 dias lá e o Zica (personagem dele na série) foi muito marcante na O2. Graças a Deus! Então, o Wagner tinha um personagem para mim, mas chocava com o daqui. Não tinha como dizer não para um convite do Zé, ainda mais um convite para esse personagem, nesse núcleo! Era para o cara pensar: “Se ele me disse não agora quando é que ele vem? Num vem é mais nunca!”. Eu acho que fecharia uma porta. Por isso topei. Mas fui muito sincero com o Wagner desde o começo.

 

Oito meses de trabalho

A preparação do elenco da série começou em setembro de 2017, no Rio de Janeiro. As gravações se iniciaram em outubro, em Cabaceiras (PB) e só terminaram na semana passada.

 

Série virou longa

Inferninho é resultante do encontro do grupo Bagaceira de Teatro com o coletivo de cinema Alumbramento O projeto original era para uma série de TV com 5 episódios.

 

Parceria com Chico Accioly

Chico Accioly, o preparador de elenco da série, é velho conhecido de Démick. O primeiro trabalho dos dois juntos foi o longa Rânia, de Roberta Marques, rodado em 2008.

 

ÉMERSON MARANHÃO

 

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