Blog do Maranhão

Porque o beijo de Cido e Samuel não bastou

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Na reta final da novela O outro lado do paraíso, o autor Walcyr Carrasco quis se redimir. Depois de meses passando vergonha (no débito, no crédito e no carnê) com sua abordagem patética da relação entre o psiquiatra Samuel (Eriberto Leão), o ex-motorista Cido (Rafael Zulu) e a mãe manipuladora Adinéia (Ana Lucia Torre), Walcyr ensaiou correr para o abraço.

E tentou lindamente, admitamos. No capítulo desta terça-feira (8), o casal teve direito a final feliz e emplacou mais um beijo na boca entre dois homens no horário nobre da TV Globo (yeah!). Este, o primeiro interracial da emissora, e o segundo em folhetim do autor, que foi pioneiro no quesito na Vênus Platinada em Amor à vida (2014).

Antes, em 1990, quando o conservadorismo não campeava livremente por entre as gentes como hoje o faz, a TV Manchete exibiu um beijo na boca interracial entre os personagens Lúcio e Rafael na série Mãe de Santo, de Paulo César Coutinho.

Voltando a O outro lado do paraíso, há que se reconhecer a beleza da sequência que encerrou a história do casal homoafetivo. Na verdade, a situação dramática começou no capítulo anterior, exibido na segunda-feira, quando Cido anuncia que deixará a casa – e a relação com Samuel, consequentemente – por não mais suportar as armações de Adinéia para separá-los e o desrespeito que sofre de todos. Gancho mais que suficiente para prender a atenção do espectador e garantir a audiência do dia seguinte.

Com 10 minutos e 36 segundos de duração, a sequência começa com uma grande DR entre os rapazes, que lavam a roupa suja de seu romance, e termina com o clássico “Eu te amo” precedendo o beijo romântico e sexuado, o que é importante. O tal “Eu te amo”, por sinal, não foi dito antes do beijo entre Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso) em Amor à Vida.

O problema da sequência é que o seu desenrolar, a um tempo que garante um “foram felizes para sempre” para Cido e Samuel, também expõe as fragilidades que marcaram a trama do núcleo dramático do casal. Não há explicação plausível para o incômodo repentino de Cido. Depois de passar mais de um ano sendo achacado, inclusive por seu namorado, do nada ele acorda um belo dia e nota o absurdo de sua situação?

Este é o primeiro ponto. O segundo é Samuel, o psiquiatra incapaz de perceber qualquer coisa a seu redor. As tais armações de Adinéia e as de Suzy (Ellen Roche) eram gritantes de tão óbvias, mas o rapaz, que estudou anos para identificar desordens mentais, mostra-se completamente inábil para enxergá-las no seu entorno. Pior, corrobora entusiasticamente com elas.

Aliás, estou para conhecer personagem mais passivo (sem trocadilho, por favor!) que este. Explico. Nenhuma ação parte dele. Até na sequência final, ele não toma uma iniciativa, só reage. A ação é movida por Cido, que parte, e por Adinéia, que o impede de partir. Samuel, mais uma vez, assiste (caído e aos prantos) a sua mãe resolver o seu problema. Haja Freud para explicar tamanha dependência materna!

Por fim, temos Adinéia. Mais uma personagem que, em segundos e do nada, tem um insight que a fez descobrir que não existe “cura gay”, a tal solução que a movia há mais de um ano. E quando decide aceitar a relação homoafetiva do filho (ou só diz que aceita, como já o fizera antes) justifica argumentando que não quer ficar sozinha no apartamento nem deixar de receber as visitas da neta. Francamente, convenhamos que temos aí um clássico da motivação egoísta para uma causa nobre.

Apesar disso tudo, temos uma sequência memorável. Principalmente pela atuação de Ana Lúcia Torre, que dá dignidade a um texto que peca pela sua ausência. Rafael Zulu mostra um esforço grande para dar credibilidade a seu Cido, assim como Eriberto Leão o faz com seu Samuel. Ambos, desamparados pela dramaturgia.

Obviamente, é um feito a ser comemorado esta cena. Por ser mais um beijo entre dois homens em horário nobre na TV, por não ser assexuado, pelo discurso final de Adinéia afirmando que não há cura para o que não é doença. Tudo isso é massa. Mas não é o suficiente. Depois de passar meses recorrendo ao humor rasteiro para contar a história do romance entre Cido e Samuel, depois de todo esse tempo ridicularizando as situações em torno do casal, um beijo ainda é muito pouco. O desserviço prestado por essa novela é bem maior do que o ganho.

FIMDE

OPS BAR!

HOJE, QUINTA-FEIRA, o Ops Bar e Balada (Rua Frederico Borges, 404, Varjota) promove o Pancadão, a partir de 20 horas. No line-up, os DJs Carina França, Gabriel Carvalho, Kelvy Medeiros e Rachid Barros. Ingresso: R$ 10 (até 23h com nome na lista). Já amanhã, sexta-feira, a casa promove a festa Mete o Loko, a partir das 20hs. No comando das pick-ups, os DJs Patrícia Paiva, Carina França, Thássito Ruan, Junior Vasconcelos e Ivana Fernandes. Entrada: R$ 5 (até 20h30min, com nome na lista). Já no sábado, dia 12, a casa recebe a festa Vale Night – Baile das Coleguinhas, a partir das 20hs. No line-up, os DJs Patrícia Paiva, Nicole Murta, Pedro Santiago e Gabriel Carvalho garantem muito funk, sertanejo e arrocha para dançar coladinho.

BOATE LEVEL

DJ Fabio Balack é uma das atração da Level, no sábado

AMANHÃ, SEXTA-FEIRA, a boate Level (Rua Dragão do Mar, 218, Praia de Iracema) realiza a festa FashionInsta, a partir das 23hs. No comando das pick-ups, os DJs Di Soárez ft Gleiciano Azevedo, Luciano Maia, Luiz Neto, Tarciso Ferreira ft Amy Reeis, Rayanna Rayovack e Lourran Carneiro (Arena Level). Plus: rodadas de drinques + cardápio com preço promocional. Ingresso: R$ 15. No sábado, dia 12, a boate recebe a festa Blitz, a partir das 23hs. No line-up, os DJs Amabilis Ohanna, Fabio Balack (FOTO), Italo Bergman, Léo Telles, Lourran Carneiro, Luiz Neto, Ph Archibald, Ramon Polasko, Sergio Klisman e Thiago Costta + performances de Carol Santos, Victor Ayres, Carol Muller Anahi Cover e banda KIA. Plus: rodadas de bebidas + drinques e itens com preços promocionais. Ingresso: R$ 20 (até 0h), R$ 25 (após 0h) e R$ 80 (camarote, com 12 fichas para bebidas). Já no domingo, dia 13, rola o Chá da Santa, a partir das 23h. No line-up, os DJs Amabilis Ohanna, Lourran Carneiro, Marcelo, Rachid Barros e Victor Sá. Ingresso: R$ 30 (acesso para duas pessoas) e R$ 20 (acesso individual).

BOATE HAUS

 

Arthur Valetti, DJ residente da San Sebastian/SSA, é convidado da festa El Bigodon!, na Haus, sábado

AMANHÃ, SEXTA-FEIRA, a boate Haus (Almirante Tamandaré, 19, no entorno do Centro Dragão do Mar) promove a festa Ela só quer Vrau!, a partir das 23 horas. No line-up, as DJs, Lia Tavares, Charlotte Killz e Beatriz Gondim. Plus: Drinkão por R$ 49,99 vale sangria para quem achar os “vraus” escondidos Tequila por R,99 Tequileiro. Ingresso: R$ 15. Já no sábado, dia 12, a boate realiza a festa El Bigodon!, a partir das 23hs. Comandando a pista, o DJ convidado Arthur Valetti (San Sebastian/SSA) e os DJs Ferrucio Amorim, Rachid Barros e Rennan D’Medeiros B2B João Goersch. Plus: Gin Tanqueray com 50% off na segunda dose copo

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